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Aos 16 anos, filho de agricultor que chegou a passar fome em Pernambuco caminhava 40 minutos antes de pegar o ônibus para estudar, conquista o 1º lugar entre alunos de escola pública no vestibular de Medicina e, seis anos depois, se forma médico pela Universidade de Pernambuco
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/08/2026 às 22:41
Atualizado em 13/08/2026 às 22:42
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Criado em uma família de poucos recursos, jovem pernambucano enfrentou dificuldades de transporte e alimentação enquanto buscava uma vaga altamente disputada no ensino superior. Desempenho acadêmico, apoio familiar e anos de estudo marcaram uma trajetória iniciada ainda na adolescência e transformada pela educação.
Aos 16 anos, Esaú da Silva Santos conquistou uma vaga em Medicina na Universidade de Pernambuco, a UPE, depois de terminar o vestibular em primeiro lugar entre os candidatos vindos de escolas públicas, resultado alcançado em meio a severas limitações financeiras.
Longe de encerrar os obstáculos enfrentados pela família, a aprovação abriu uma nova etapa na rotina do jovem criado na zona rural de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, onde as dificuldades materiais continuavam presentes mesmo depois do ingresso na universidade.
Antes de chegar às aulas, Esaú precisava madrugar e caminhar aproximadamente 40 minutos até o ponto onde conseguia pegar um ônibus, incorporando ao cotidiano universitário um deslocamento cansativo que se somava às exigências acadêmicas de um dos cursos mais disputados do ensino superior.
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Enquanto o estudante avançava na graduação, a situação econômica da família permanecia apertada, já que os pais dependiam do próprio trabalho para sustentar a casa e, segundo reportagem do Jornal Hoje, da TV Globo, chegaram a enfrentar períodos de extrema dificuldade financeira.
Família chegou a pedir alimento aos vizinhos
Em um dos relatos mais marcantes sobre aquele período, a mãe de Esaú afirmou que chegou a faltar comida dentro de casa e que a família precisou pedir alimento aos vizinhos, mostrando a dimensão das privações enfrentadas antes e durante a trajetória educacional.
Mesmo inserido nesse contexto, o adolescente manteve o desempenho necessário para disputar uma vaga em Medicina e conseguiu superar os demais candidatos provenientes da rede pública, alcançando uma colocação que ganhava ainda mais relevância diante das condições em que havia construído sua formação escolar.
Na base dessa trajetória estava o esforço familiar para preservar os estudos dos filhos, pois Severino, pai de Esaú, trabalhava como agricultor e, apesar de ter frequentado apenas os primeiros anos da educação básica, decidiu colocar a educação no centro das prioridades domésticas.
Em vez de levar Esaú e o irmão mais velho, Jacó, para trabalhar na lavoura, os pais estabeleceram que a principal responsabilidade dos dois seria estudar, escolha mantida mesmo quando a renda limitada tornava mais difícil atender às necessidades básicas da família.
Ao lado do marido, Quitéria participou diretamente da formação dos filhos e ajudou a sustentar uma rotina em que livros, escola e continuidade dos estudos ocupavam espaço importante, apesar das dificuldades econômicas que acompanhavam o cotidiano dentro da casa onde os irmãos cresceram.
Esse incentivo também apareceu na trajetória de Jacó, que conseguiu chegar ao ensino superior e se formou em Serviço Social, ampliando dentro da mesma família um percurso educacional que ultrapassava a escolaridade alcançada anteriormente pelos próprios pais.
Caminhada de 40 minutos antecedia o trajeto de ônibus
Depois da aprovação, novas despesas passaram a fazer parte da rotina, porque frequentar Medicina exigia deslocamentos constantes, materiais e outras necessidades relacionadas à graduação, enquanto até o transporte representava um obstáculo para uma família que já havia enfrentado períodos de falta de alimento.
Por isso, o percurso até a universidade começava muito antes da entrada na sala de aula: Esaú saía cedo, caminhava cerca de 40 minutos até alcançar o transporte coletivo e, somente depois desse trecho a pé, seguia de ônibus para cumprir as atividades acadêmicas.
A repercussão alcançada pela história também aproximou pessoas dispostas a ajudar, permitindo que o estudante recebesse apoio ao longo da graduação e acrescentando uma rede de colaboração ao esforço que seus pais já faziam para que ele permanecesse matriculado e continuasse estudando.
Na avaliação da própria família, aquela mobilização estava ligada ao resultado conquistado no vestibular, quando um adolescente de apenas 16 anos, formado em escola pública, conseguiu o primeiro lugar entre os candidatos daquele grupo e garantiu uma vaga no curso de Medicina da UPE.
Ainda assim, passar no vestibular não modificou imediatamente a realidade econômica dentro de casa, pois a universidade trouxe novas demandas e manteve presentes dificuldades práticas relacionadas principalmente aos deslocamentos, à manutenção dos estudos e às despesas necessárias para acompanhar a formação médica.
Entrar no curso representava, assim, apenas uma etapa de um percurso mais longo, porque Esaú ainda precisaria atravessar vários anos de atividades acadêmicas até transformar a vaga conquistada na adolescência em uma graduação concluída e no direito de exercer a profissão.
Da aprovação aos 16 anos ao diploma aos 22
A aprovação aconteceu no fim de 2006 e levou Esaú à Universidade de Pernambuco, onde ele permaneceu nos anos seguintes cumprindo a formação exigida pelo curso até alcançar a colação de grau e completar o caminho iniciado ainda quando era estudante adolescente.
Seis anos depois daquela conquista no vestibular, Esaú concluiu Medicina aos 22 anos, encerrando a graduação depois de atravessar uma rotina marcada por longos deslocamentos, dificuldades financeiras, apoio recebido durante o curso e dedicação contínua às atividades necessárias para obter o diploma.
Durante a cerimônia de formatura, familiares e colegas acompanharam o momento em que a vaga obtida anos antes se transformou oficialmente em graduação, enquanto o pai, depois de uma vida dedicada ao trabalho como agricultor, presenciava o filho tornar-se médico.
Para Quitéria, a ocasião também recuperava lembranças das privações enfrentadas pela família, inclusive dos períodos em que não havia comida suficiente em casa, ao mesmo tempo em que evidenciava a importância da ajuda recebida por Esaú para permanecer na universidade até o fim.
Jacó, irmão mais velho do novo médico, esteve presente naquele momento, reforçando uma trajetória familiar em que dois filhos alcançaram o ensino superior apesar de terem crescido em um ambiente no qual a escolaridade dos pais havia sido interrompida ainda nos primeiros anos.
Entre os colegas de turma, as condições enfrentadas pelo estudante também se tornaram conhecidas ao longo da graduação, especialmente porque as limitações financeiras e as dificuldades de deslocamento continuaram fazendo parte de sua rotina enquanto ele precisava acompanhar as exigências acadêmicas do curso.
Apoio recebido permitiu continuar os estudos
Embora a caminhada diária até o ônibus fosse um dos elementos mais visíveis daquela rotina, ela representava apenas parte das barreiras enfrentadas, já que a família havia chegado a conviver com falta de alimentos antes de ver Esaú ingressar em uma universidade pública.
Durante os anos seguintes, a necessidade de apoio permaneceu presente e a colaboração recebida ganhou importância para a continuidade do curso, permitindo que o estudante mantivesse os estudos enquanto a família seguia enfrentando uma condição econômica que não havia mudado imediatamente depois do vestibular.
Quando finalmente recebeu o diploma, Esaú deixou para trás a condição de adolescente de escola pública conhecido pelo desempenho excepcional no processo seletivo e passou a iniciar a vida profissional como médico, depois de seis anos dedicados à formação universitária.
Na época da formatura, ele afirmou que pretendia atender bem os pacientes e enxergava o exercício da Medicina como uma maneira de retribuir parte do apoio recebido, associando o início da carreira profissional às pessoas que contribuíram para sua permanência no curso.
A história também mostra que conquistar uma vaga em uma universidade pública não encerra necessariamente as dificuldades materiais enfrentadas por estudantes de baixa renda, pois, no caso de Esaú, problemas de transporte e limitações financeiras continuaram presentes durante a graduação.
Entre o primeiro lugar alcançado entre candidatos de escola pública e o diploma de Medicina transcorreram seis anos de estudos, caminhadas antes do ônibus, apoio de outras pessoas e esforço familiar, elementos que acompanharam uma trajetória educacional construída desde a adolescência.
Anos depois de precisar recorrer a vizinhos quando faltava comida, a família conseguiu acompanhar Esaú receber o diploma da Universidade de Pernambuco aos 22 anos, depois de vê-lo conquistar uma vaga em Medicina ainda aos 16 e permanecer no curso até a formatura.
Quantos estudantes brasileiros que já conquistaram uma vaga no ensino superior podem estar enfrentando dificuldades semelhantes para conseguir permanecer na universidade até receber o diploma?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

