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Aos 17 anos, Maria Eduarda deixou escola estadual a 117 quilômetros de Manaus, disputou prova internacional nos Estados Unidos, conquistou prata e terminou em terceiro lugar em física e astronomia 

Aos 17 anos, Maria Eduarda deixou escola estadual a 117 quilômetros de Manaus, disputou prova internacional nos Estados Unidos, conquistou prata e terminou em terceiro lugar em física e astronomia 

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Aos 17 anos, Maria Eduarda deixou escola estadual a 117 quilômetros de Manaus, disputou prova internacional nos Estados Unidos, conquistou prata e terminou em terceiro lugar em física e astronomia 

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 15/08/2026 às 13:03

Atualizado em 15/08/2026 às 13:06

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Aluna de escola estadual a 117 km de Manaus conquistou prata e 3º lugar global na Olimpíada Copernicus de física e astronomia, disputada no Texas, nos EUA

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Maria Eduarda Alves de Araújo tinha 17 anos e estudava na Escola Estadual Maria Calderaro, em Presidente Figueiredo, quando disputou a Olimpíada Copernicus em Houston, entre 5 e 10 de janeiro de 2025, e transformou a paixão descoberta na pandemia em pódio mundial diante de delegações de vários outros países

Uma aluna de escola estadual do interior do Amazonas subiu ao pódio de uma das principais competições internacionais de física e astronomia para estudantes. Maria Eduarda Alves de Araújo, então com 17 anos, aluna da Escola Estadual Maria Calderaro, em Presidente Figueiredo, a 117 quilômetros de Manaus, conquistou a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física e Astronomia Copernicus, realizada em Houston, no Texas, nos Estados Unidos. As informações são da Agência Amazonas, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, divulgadas pelo Consed, o Conselho Nacional de Secretários de Educação.

O feito veio em dose dupla. Além da prata, a estudante, que foi a única representante do Amazonas no certame, garantiu o terceiro lugar no ranking global da competição, disputada entre 5 e 10 de janeiro de 2025.

Prata veio na Olimpíada Copernicus em Houston

Aluna de escola estadual a 117 km de Manaus conquistou prata e 3º lugar global na Olimpíada Copernicus de física e astronomia, disputada no Texas, nos EUA

A etapa internacional da Olimpíada Copernicus reuniu estudantes de todo o mundo no Texas para uma semana de provas e atividades. O certame testou conhecimentos de física e astronomia por meio de um exame principal, desafios interativos e questionários de excursão, além de jogos de física, quebra-cabeças e desafios improvisados aplicados ao longo dos dias.

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A competição tem alcance amplo por desenho. A olimpíada incentiva alunos do 7º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio, de todo o planeta, a se aprofundarem nas áreas de STEM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Foi nesse ambiente de elite estudantil global que a aluna da rede estadual amazonense cravou a prata e o terceiro posto geral.

Interesse pela astronomia nasceu na pandemia, aos 13 anos

A trajetória até Houston começou num período improvável: o isolamento. Maria Eduarda contou que o interesse pela astrofísica e pela astronomia surgiu aos 13 anos, quando o tempo livre da pandemia a levou a buscar ocupação na internet. “Na pandemia, me vi com muito tempo livre e precisava me ocupar. Foi quando, na internet, o tema apareceu para mim por acaso. Me apaixonei e hoje sigo com esse sonho”, relatou a estudante.

O acaso virou projeto de vida com planejamento raro para a idade. A jovem definiu como meta cursar astrofísica em uma universidade no exterior e passou a montar uma espécie de currículo intelectual, com cartas de recomendação, para aumentar as chances de aceitação nas instituições estrangeiras. No radar dela também entrou o curso de Física da Universidade Federal do Amazonas, como caminho alternativo dentro do país.

Bronze na primeira fase abriu a vaga para o Texas

A viagem aos Estados Unidos foi conquistada em etapas. A primeira fase da Olimpíada Copernicus consistiu numa prova de 25 questões de múltipla escolha, aplicada ainda no Brasil, e Maria Eduarda avançou com uma medalha de bronze nessa etapa inicial.

O resultado a colocou sozinha na representação do estado. Aprovada como única amazonense classificada para a segunda fase, a estudante embarcou para o Texas para disputar a etapa presencial a partir de 5 de janeiro de 2025, carregando a responsabilidade de representar toda a rede estadual do Amazonas. O bronze da primeira fase, que já seria motivo de festa na escola de Presidente Figueiredo, acabou virando apenas o degrau para o pódio internacional.

Currículo já somava medalhas em quatro áreas diferentes

Aluna de escola estadual a 117 km de Manaus conquistou prata e 3º lugar global na Olimpíada Copernicus de física e astronomia, disputada no Texas, nos EUA

A prata em Houston não foi um raio em céu azul. Antes da Copernicus, Maria Eduarda já colecionava medalhas na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa, na de Geopolítica e na de Biologia Sintética, além de uma honra ao mérito no Torneio Nacional de Física.

A variedade das conquistas revela o método da estudante. A jovem adotou como estratégia participar ativamente de competições de diversas áreas do conhecimento, transformando cada olimpíada em treino de prova, linha de currículo e teste vocacional ao mesmo tempo. É esse acúmulo que sustenta o plano de estudar astrofísica fora do Brasil com bolsa em universidade estrangeira.

Viagem incluiu Space Center e palestras com astrônomos

A semana no Texas rendeu mais do que medalha. Durante a estadia, Maria Eduarda participou de visitas técnicas a planetários, museus e observatórios, além de conhecer o Space Center de Houston, complexo ligado à história da exploração espacial americana.

O contato com cientistas de verdade fechou o ciclo. A estudante participou de palestras com astrônomos e descreveu a experiência como a chance de visualizar, ao vivo, tudo aquilo que estudava em sala de aula na escola de Presidente Figueiredo. Sobre o fim da prova, ela resumiu o clima da equipe: “No final do teste a delegação brasileira compartilhou o que, para mim, eu descreveria como uma sensação unânime, porque embora não tivéssemos certeza do resultado, nós sabíamos que havíamos dado nosso melhor. É uma experiência que ficará para sempre na minha memória”.

Professor apontou ganhos que vão além da medalha

O professor instrutor da estudante, Rodrigo Garcia, avaliou que a competição entregou formação que não cabe em quadro de medalhas. Segundo ele, a preparação e a disputa desenvolveram na aluna habilidades pessoais como autoconfiança, resiliência e persistência.

O docente também destacou o efeito de rede da experiência. Para Garcia, a jovem pôde conhecer colegas com interesses semelhantes e aprofundar conteúdos de diversas áreas, motivos pelos quais ele defende o incentivo constante à participação de alunos da rede pública em competições desse porte. O recado do professor virou argumento institucional: talento de escola estadual do interior compete de igual para igual quando encontra estrutura e estímulo.

Prata de Presidente Figueiredo virou símbolo da rede estadual

A história de Maria Eduarda condensa uma equação poderosa: uma adolescente de escola estadual a 117 quilômetros da capital, um interesse descoberto por acaso na internet durante a pandemia e um pódio mundial de astronomia conquistado no Texas. A medalha de prata e o terceiro lugar global da Olimpíada Copernicus provaram que a distância entre Presidente Figueiredo e o Space Center de Houston se mede em oportunidade, não em quilômetros. O próximo capítulo do plano dela, a vaga em astrofísica numa universidade do exterior, ainda está sendo escrito.

E para você, o que mais falta para que histórias como a de Maria Eduarda deixem de ser exceção na escola pública brasileira: estrutura, incentivo a olimpíadas ou professores preparados? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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