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Aos 18 anos, neto de cozinheira estudou em escola pública, realizou intercâmbios, criou aulas gratuitas de inglês e conseguiu uma bolsa em Princeton, nos Estados Unidos, com todas as despesas acadêmicas e de permanência pagas

Aos 18 anos, neto de cozinheira estudou em escola pública, realizou intercâmbios, criou aulas gratuitas de inglês e conseguiu uma bolsa em Princeton, nos Estados Unidos, com todas as despesas acadêmicas e de permanência pagas

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Aos 18 anos, neto de cozinheira estudou em escola pública, realizou intercâmbios, criou aulas gratuitas de inglês e conseguiu uma bolsa em Princeton, nos Estados Unidos, com todas as despesas acadêmicas e de permanência pagas

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 03/08/2026 às 19:34

Curiosidades

Diego, jovem da periferia de Rio Branco, conquistou uma bolsa integral em Princeton após anos de preparação e projetos sociais. Fonte: Arquivo pessoal.

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Diego, jovem da periferia de Rio Branco, conquistou uma bolsa integral em Princeton após anos de preparação e projetos sociais.

Aos 18 anos, Diego Heitor da Silva Monteiro conquistou uma vaga com bolsa integral na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, depois de construir uma trajetória acadêmica marcada por projetos sociais, intercâmbios e viagens para realizar provas que não eram aplicadas no Acre. Morador de um bairro periférico de Rio Branco, o jovem tornou-se o primeiro integrante da família a viajar para fora do Brasil e agora se prepara para estudar durante quatro anos em uma das instituições mais reconhecidas do mundo.

As informações são do Terra, em matéria publicada dia 5 de fevereiro de 2026. A aprovação foi conhecida por Diego em dezembro de 2025 e inclui o custeio das despesas acadêmicas e de permanência nos Estados Unidos, permitindo que ele deixe o Acre sem transferir para a família os altos gastos associados a uma graduação internacional.

Diego transforma falta de oportunidades locais em projetos próprios

A candidatura a Princeton não foi sustentada apenas pelas notas escolares. Como o processo de admissão das universidades norte-americanas considera interesses, experiências pessoais, atividades extracurriculares e participação comunitária, Diego precisou demonstrar o que fazia fora da sala de aula e como utilizava seus conhecimentos para produzir impacto.

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O problema era que Rio Branco possuía poucas iniciativas relacionadas à psicologia, uma das áreas que mais despertavam sua curiosidade. Em vez de abandonar o interesse por falta de espaços presenciais, o estudante procurou alternativas pela internet e criou atividades que gostaria de ter encontrado quando ainda começava a explorar o tema.

Uma dessas iniciativas foi o Mundo Alcance, projeto que promove rodas de conversa em escolas públicas do Acre. Os encontros discutem como os estudantes podem organizar uma rotina de estudos mais saudável, relacionando hábitos acadêmicos a conhecimentos da psicologia.

Diego também desenvolveu, ao lado de uma amiga, o Melanina Speaks. Realizado virtualmente, o projeto oferece aulas de inglês para estudantes de diferentes regiões brasileiras e utiliza conteúdos ligados à Diáspora Africana e à cultura afrodescendente como parte do processo de aprendizagem.

As duas propostas ajudaram a preencher lacunas percebidas pelo próprio jovem. Além de fortalecerem sua candidatura, permitiram que outros estudantes tivessem acesso a temas e atividades que não estavam facilmente disponíveis em suas escolas ou cidades.

Psicologia ocupa espaço central nos planos de Diego

Embora ainda pretenda experimentar diferentes disciplinas durante o primeiro ano em Princeton, Diego indicou a psicologia como uma de suas principais áreas de interesse. A universidade norte-americana permite que o estudante conheça campos diversos antes de definir o caminho acadêmico que seguirá até a formatura.

A curiosidade pela área surgiu a partir da própria experiência com cobranças por desempenho. Ao longo da preparação para estudar no exterior, ele passou a observar como a pressão por resultados pode afetar a saúde mental de adolescentes submetidos a rotinas exigentes.

Atualmente, Diego participa de uma pesquisa orientada por Aaron Litvin, pesquisador com PhD por Harvard. O trabalho se concentra no comportamento humano e em temas relacionados ao esgotamento acadêmico entre jovens, assunto que também dialoga com as conversas promovidas pelo Mundo Alcance.

Diego, jovem da periferia de Rio Branco, conquistou uma bolsa integral em Princeton após anos de preparação e projetos sociais. Fonte: Arquivo pessoal.

A possibilidade de estudar psicologia em Princeton, portanto, não nasceu somente de uma preferência teórica. Ela está conectada às dificuldades enfrentadas pelo próprio estudante e ao desejo de compreender como adolescentes lidam com expectativas, ansiedade e sobrecarga durante a formação.

Diego precisou sair do Acre para realizar provas

A distância entre Rio Branco e os centros onde etapas internacionais são aplicadas criou um dos maiores desafios da candidatura. Para fazer o SAT, exame utilizado por universidades dos Estados Unidos e de outros países, Diego precisou viajar várias vezes até Brasília.

Os deslocamentos envolviam trechos de avião, viagens de ônibus e a necessidade de chegar à capital federal um dia antes de cada prova. Além do desgaste físico, a logística poderia tornar o processo inviável financeiramente para a família.

Parte dessas despesas foi coberta pelo Prep Program, iniciativa gratuita da Fundação Estudar destinada a jovens com excelente desempenho que desejam cursar a graduação no exterior. O programa ofereceu acompanhamento individualizado e apoio para etapas que Diego dificilmente conseguiria enfrentar sozinho.

A rede de suporte também incluiu familiares e amigos, especialmente nos períodos em que o estudante cogitou desistir. A seleção exigia domínio de inglês, organização de documentos, produção de textos pessoais, participação em atividades extracurriculares e preparação para avaliações padronizadas.

Primeira tentativa de Diego terminou em frustração

O objetivo de estudar fora do Brasil começou a ganhar forma durante a pandemia de Covid-19. Inicialmente, Diego pretendia concluir parte do ensino médio no exterior e passou anos estudando inglês e procurando programas que pudessem levá-lo a outro país.

Ele iniciou essa preparação por volta dos 12 ou 13 anos. Quando a tentativa não produziu a aprovação desejada, o jovem ficou abalado porque havia depositado grandes expectativas naquela oportunidade e acreditava que ela poderia mudar completamente sua vida.

A rejeição, entretanto, não encerrou o projeto. Depois de assimilar o resultado, Diego decidiu transferir o objetivo para o ensino superior e retomou a preparação com uma compreensão mais clara do que as universidades norte-americanas esperavam dos candidatos.

O formato de seleção despertou seu interesse justamente por não concentrar toda a decisão em uma única prova. Além do rendimento acadêmico, as instituições observam a história pessoal, as atividades desenvolvidas, os interesses e a maneira como cada jovem utiliza as oportunidades encontradas em seu contexto.

Essa característica permitia que Diego apresentasse não somente suas notas, mas também os projetos criados no Acre, os intercâmbios realizados e a forma como transformou limitações locais em iniciativas próprias.

Universidade fazia parte da infância de Diego

Muito antes de imaginar a candidatura a Princeton, Diego já frequentava uma instituição de ensino superior. Quando criança, ele saía da escola e seguia para a Universidade Federal do Acre, onde sua avó trabalhava como cozinheira no restaurante universitário.

O menino permanecia no campus até que ela terminasse o expediente, e os dois voltavam juntos para casa. A convivência cotidiana com professores, universitários e funcionários fez com que os corredores da Ufac deixassem de ser um ambiente desconhecido.

A avó também reforçava a importância de concluir o ensino superior. Mesmo sem saber que o neto estudaria nos Estados Unidos, ela ajudou a construir a percepção de que a universidade poderia fazer parte de seu futuro.

Diego, jovem da periferia de Rio Branco, conquistou uma bolsa integral em Princeton após anos de preparação e projetos sociais. Fonte: Arquivo pessoal.

Diego concluiu o ensino médio no Colégio de Aplicação da Ufac, em Rio Branco. Atualmente, mora com os pais e duas irmãs no bairro Mocinha Magalhães, uma região periférica da capital acreana.

A aprovação representa uma mudança radical de distância e rotina. O jovem que cresceu próximo a uma universidade por causa do trabalho da avó deixará a família para ocupar, agora como aluno, outro campus localizado em Nova Jersey.

Intercâmbios prepararam Diego para viver no exterior

Antes da graduação, Diego já havia conquistado quatro aprovações em programas internacionais e participado de três deles. As experiências fizeram dele o primeiro integrante da família a sair do Brasil e ofereceram uma preparação inicial para conviver com idiomas, culturas e rotinas diferentes.

Entre os programas esteve o Jovens Embaixadores, voltado a estudantes do ensino médio da rede pública. A iniciativa oferece uma experiência de três semanas nos Estados Unidos, com despesas cobertas, e trabalha aspectos ligados à liderança.

Diego também participou de uma oportunidade do AFS Intercultural Programs, que disponibiliza bolsas para intercâmbio na China com foco em sustentabilidade e tecnologia. Essas viagens ampliaram suas referências e ajudaram a confirmar o interesse em viver uma formação internacional.

Mesmo assim, permanecer quatro anos fora será uma experiência muito diferente. Os intercâmbios anteriores duraram períodos limitados, enquanto a graduação exigirá uma separação prolongada da família e uma adaptação mais profunda à vida universitária norte-americana.

Mudança de Diego está prevista para setembro

Diego deve seguir para Nova Jersey por volta de setembro de 2026. A expectativa envolve conhecer professores, estudantes de diferentes países e as possibilidades acadêmicas oferecidas por Princeton, mas também vem acompanhada do receio de permanecer distante de casa.

A relação próxima com os pais e as irmãs torna a separação seu principal desafio emocional. Ele já passou cerca de um mês longe da família durante experiências anteriores, mas reconhece que quatro anos representam um intervalo muito maior.

No primeiro ano, pretende aproveitar a liberdade de explorar várias áreas antes de tomar uma decisão definitiva sobre a graduação. Psicologia permanece como a escolha mais provável, embora Diego queira conhecer outras disciplinas antes de confirmar o caminho.

Essa abertura também foi um dos elementos que o atraíram para o modelo de ensino dos Estados Unidos. A possibilidade de reunir conhecimentos diferentes permite que o estudante ajuste seus planos ao longo da formação, em vez de chegar à universidade com todas as escolhas já fechadas.

Diego pretende retornar ao Brasil após a graduação

Apesar da mudança internacional, Diego não planeja construir toda a vida profissional fora do país. Depois de concluir o curso, seu objetivo é retornar ao Brasil e exercer aqui a profissão que escolher.

A decisão conecta a formação em Princeton aos projetos que ele já desenvolve com estudantes brasileiros. Tanto as rodas de conversa sobre hábitos acadêmicos quanto as aulas de inglês revelam um interesse em ampliar oportunidades para jovens que enfrentam limitações semelhantes às encontradas por ele no Acre.

Sua trajetória também demonstra que a ausência de determinados recursos não precisa impedir a criação de experiências relevantes. Quando não encontrou atividades de psicologia em sua cidade, Diego levou discussões às escolas; ao perceber a necessidade de oportunidades no aprendizado de idiomas, ajudou a criar um projeto nacional pela internet.

Diego, jovem da periferia de Rio Branco, conquistou uma bolsa integral em Princeton após anos de preparação e projetos sociais. Fonte: Arquivo pessoal.

Para estudantes que desejam seguir um caminho semelhante, ele recomenda insistir nas oportunidades mesmo quando o contexto parece desfavorável. O jovem reconhece que candidatos de diferentes estados e países não partem das mesmas condições, mas considera que deixar de tentar elimina qualquer possibilidade de aprovação.

A conquista de Diego não começou com o resultado de Princeton, mas com a decisão de continuar depois de uma primeira rejeição. Entre os corredores da Ufac, os projetos criados em Rio Branco e as viagens necessárias para realizar provas, ele construiu uma candidatura capaz de mostrar não apenas desempenho acadêmico, mas iniciativa e compromisso com os próprios interesses.

Fonte

Terra


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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