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Aos 19 anos, estudante de Recife transforma nota 1.000 na redação do Enem em vaga no curso de Direito da UFPE após quatro participações no exame
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 14/08/2026 às 17:28
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Wellington Ribeiro Neto começou a se preparar ainda no ensino médio, chegou a produzir duas redações por semana e, depois da pontuação máxima no Enem 2025, garantiu pelo Sisu uma vaga no curso que desejava
A nota 1.000 na redação do Enem 2025 já havia colocado Wellington Ribeiro Neto diante de um resultado que perseguia havia anos. Duas semanas depois, veio a confirmação que transformou a pontuação máxima em uma nova etapa de sua vida: aos 19 anos, o estudante de Recife foi aprovado no curso de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do Sisu 2026.
O resultado foi conferido ainda de madrugada. Segundo Wellington contou ao Terra, eram aproximadamente 2h30 quando ele acessou a lista e encontrou seu nome entre os aprovados.
“Foi igual à nota mil, eu fiquei esperando, na ansiedade. Foi 2h30 da madrugada. Quando eu vi, comecei a tremer de felicidade”, relatou.
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Dessa vez, porém, ele decidiu não acordar a família. Esperou amanhecer para contar.
A aprovação encerra um ciclo marcado por quatro participações no Enem, notas altas que ainda não eram o resultado desejado e uma preparação que começou quando Wellington estava no primeiro ano do ensino médio.
Da nota 880 ao 1.000: a evolução construída em quatro tentativas
O resultado máximo não apareceu na primeira prova.
Wellington fez o Enem quatro vezes. Nas três experiências anteriores, obteve 880 e, em duas ocasiões, 920 pontos na redação. Eram notas expressivas, mas o estudante continuou tentando avançar.
A preparação havia começado em 2022, ainda no primeiro ano do ensino médio, quando estudava em uma escola particular da região. Ele também contou com acompanhamento on-line do Curso Fernanda Pessoa.
O próprio estudante identificava um ponto que precisava melhorar. Embora gostasse de ler e tivesse desenvolvido interesse pela escrita, dificuldades relacionadas à gramática ainda custavam pontos.
Em 2025, a estratégia ficou mais direcionada. Durante o primeiro semestre, Wellington concentrou a preparação na teoria, no repertório e na construção de argumentos. Depois, aumentou a frequência da prática.
A partir de junho, passou a escrever uma redação por semana. Em setembro, dobrou o ritmo: duas redações semanais.
“Não é fácil escrever, demanda tempo, mas me ajudou muito também nessa questão do tempo para escrever uma redação”, explicou ao Terra.
Cada produção era corrigida e devolvida com observações. Wellington então revisava os erros e identificava o que precisava ser ajustado no texto seguinte.
O caminho até a nota máxima mostra um aspecto que costuma desaparecer quando apenas o resultado final ganha destaque: entre os 880 pontos e o 1.000 houve uma sequência de correções, tentativas e mudanças específicas na preparação. A pontuação veio no fim desse processo, não no começo.
Clarice Lispector, Lei dos Sexagenários e sociologia entraram na redação nota 1.000
O tema da redação do Enem 2025 foi “perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Para desenvolver o texto, Wellington reuniu referências de diferentes áreas.
Na introdução, utilizou o conto Feliz Aniversário, de Clarice Lispector. Durante o desenvolvimento da argumentação, recorreu à Lei dos Sexagenários, de 1885, e ao trabalho do sociólogo Ruy Braga.
O estudante atribui parte de seu desempenho justamente à tentativa de ampliar o repertório cultural e, ao mesmo tempo, melhorar a precisão da escrita.
“Cada vez mais construir uma argumentação mais sólida e também trabalhar na questão gramatical, de me atentar a concordância, a acentuação, a vírgula”, afirmou.
Quando o resultado do Enem foi disponibilizado, Wellington acessou a Página do Participante por volta de 00h50. Ao encontrar o 1.000, chegou a atualizar a página várias vezes para confirmar que a pontuação estava correta.
Naquela madrugada, a reação foi diferente da que teria semanas depois com a aprovação na UFPE: ele acordou o pai, a mãe e a irmã.
“Demorou muito para cair a ficha. Todo mundo estava dormindo em casa, resolvi acordar eles. Meu pai, minha mãe e minha irmã”, recordou em entrevista ao Terra.
A família acabou passando boa parte da noite acordada.
Aprovação em Direito na UFPE transforma a nota máxima em vaga na universidade
A nota 1.000 tinha um destino definido. Wellington já pretendia disputar uma vaga em Direito na UFPE.
Com o resultado do Sisu 2026, conseguiu.
O jovem estudará no período noturno e já projeta uma trajetória que pode ir além da graduação. Ele afirma ter interesse especial pelo Direito Constitucional e pretende seguir a carreira acadêmica.
“Acho que vou gostar muito do Direito Constitucional e quero fazer mestrado e doutorado para ser professor”, contou.
A escolha revela que a aprovação não é vista por ele apenas como chegada. É o início de um projeto profissional mais longo.
Wellington também pretende usar a experiência acumulada durante os anos de preparação para ajudar outros candidatos ao Enem. Ele já começou a produzir materiais gratuitos e quer participar de um projeto social ligado à universidade que oferece preparação em redação para estudantes sem acesso a esse tipo de acompanhamento.
“Quero fazer parte disso porque eu iria querer se fosse comigo”, disse.
Família acompanhou anos de estudo até a aprovação
Wellington atribui parte importante da trajetória ao apoio recebido dentro de casa. A vaga foi dedicada a familiares, amigos e especialmente à avó materna, que participou de sua criação durante a infância.
O pai, Wellington Ribeiro Júnior, de 39 anos, descreveu ao Terra uma rotina em que os estudos ocupavam boa parte do dia do filho.
“Eu saía para o trabalho, ele já estava estudando. Voltava do trabalho, ele estava estudando. Às vezes eu acordava de madrugada, ele também estava estudando”, relatou.
A irmã, Bruna Ribeiro, de 17 anos, que concluiu o ensino médio no ano passado, acompanhou de perto a evolução do irmão e disse enxergá-lo como uma referência para os próprios estudos.
Para Wellington, essa estrutura também pesou no resultado.
“Foi essencial. Se a gente não tem uma base familiar estruturada, fica muito difícil. Para mim, foi um privilégio eles sempre estarem me apoiando, independente de tudo.”
A professora Fernanda Pessoa, que acompanhou sua preparação, relaciona a nota máxima à continuidade do processo de aprendizagem. Segundo ela, resultados como o de Wellington aparecem quando o estudante deixa de enxergar a preparação apenas como busca por uma pontuação e passa a se envolver com o próprio aprendizado.
Depois de quatro Enem, uma nova rotina começa na UFPE
A trajetória de Wellington passou por pelo menos quatro marcos claros: preparação iniciada ainda no ensino médio, três resultados abaixo do objetivo máximo, intensificação dos treinos em 2025 e, finalmente, a redação nota 1.000.
A aprovação pelo Sisu fecha essa etapa.
“É uma realização imensa. Também nunca mais precisar fazer o Enem, superar esses objetivos, realmente entrar na faculdade dos sonhos”, disse o estudante ao Terra.
Agora, o calendário muda. As madrugadas esperando resultados e a rotina de redações semanais dão lugar ao curso noturno de Direito na UFPE. Se os planos traçados por Wellington forem mantidos, a graduação será apenas a primeira etapa: depois dela, o estudante pretende buscar mestrado, doutorado e retornar à universidade como professor.
Depois de tantas madrugadas estudando, quatro tentativas no Enem e anos perseguindo um sonho que parecia distante, quantos outros jovens podem encontrar na história de Wellington a coragem para tentar mais uma vez quando tudo parece dizer que é hora de desistir?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

