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Aos 19 anos, jovem compra antigo terreno de pomar e passa décadas transformando garrafas, peças de carros e sucata em castelo de mais de 2 mil m² com torres e túneis

Aos 19 anos, jovem compra antigo terreno de pomar e passa décadas transformando garrafas, peças de carros e sucata em castelo de mais de 2 mil m² com torres e túneis

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Aos 19 anos, jovem compra antigo terreno de pomar e passa décadas transformando garrafas, peças de carros e sucata em castelo de mais de 2 mil m² com torres e túneis

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 26/08/2026 às 12:43

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O que começou com a compra de uma antiga propriedade ligada ao cultivo de frutas acabou se transformando em um complexo artesanal de mais de 2 mil metros quadrados, construído com pedras, garrafas, peças de veículos, estruturas industriais e inúmeros objetos que normalmente seriam descartados.

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O que começou com a compra de uma antiga propriedade ligada ao cultivo de frutas acabou se transformando em um complexo artesanal de mais de 2 mil metros quadrados, construído com pedras, garrafas, peças de veículos, estruturas industriais e inúmeros objetos que normalmente seriam descartados.

Em 1959, aos 19 anos, Michael Clarke Rubel comprou parte de uma antiga propriedade agrícola que ainda conservava estruturas utilizadas durante décadas para produção e processamento de frutas cítricas. No terreno havia galpões, áreas de armazenamento e um enorme reservatório de irrigação construído no início do século XX, elementos que mais tarde seriam incorporados a uma transformação difícil de imaginar naquele momento.

Rubel não comprou o espaço com um projeto arquitetônico pronto nem com a intenção inicial de construir uma fortaleza convencional. Ao longo dos anos, começou a aproveitar o que já existia, recolher materiais descartados e experimentar novas estruturas, até que o antigo terreno rural passou a ganhar paredes de pedra, torres, corredores, oficinas e passagens subterrâneas.

O resultado acabaria ocupando cerca de 22 mil pés quadrados, pouco mais de 2 mil metros quadrados de área construída, dentro de uma propriedade originalmente muito maior. Em vez de tijolos padronizados e materiais novos, grande parte da construção foi feita com itens recuperados de demolições, antigos ranchos, oficinas e áreas que estavam sendo urbanizadas.

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Antiga propriedade agrícola virou uma obra construída com materiais que seriam descartados

Parte interna do Rubel Castle mostra torres e muralhas erguidas com pedras e materiais reaproveitados ao longo de décadas, em uma construção artesanal que também incorporou garrafas, peças de veículos, máquinas e outros objetos descartados. — Foto: California Through My Lens

A área comprada por Rubel tinha originalmente aproximadamente 2,5 acres, pouco mais de 10 mil metros quadrados, e fazia parte de uma antiga propriedade dedicada aos cítricos. Algumas das construções existentes foram reaproveitadas desde os primeiros anos, incluindo uma antiga instalação utilizada para embalar e armazenar frutas, posteriormente adaptada para funcionar como residência.

Câmaras frigoríficas foram convertidas em quartos e grandes ambientes internos passaram a servir como espaços de convivência e reuniões. Quando Dorothy Deuel Rubel, mãe de Michael, começou a organizar grandes festas no local durante a década de 1960, a propriedade passou a receber cada vez mais visitantes e ganhou uma dinâmica completamente diferente daquela dos tempos agrícolas.

O movimento constante acabou tendo uma consequência inesperada para Michael Rubel. Procurando um lugar onde pudesse trabalhar e se afastar das festas realizadas na propriedade, ele começou a ocupar uma área localizada dentro do antigo reservatório de irrigação, iniciando ali a estrutura que posteriormente daria origem ao castelo.

Garrafas deixadas pelas festas começaram a aparecer dentro das primeiras paredes

Vista interna do Rubel Castle mostra torres, muralhas, construções de madeira e dezenas de objetos reaproveitados integrados ao complexo, que ao longo de décadas transformou um antigo terreno agrícola em uma estrutura artesanal com mais de 2 mil m². — Imagem: reprodução

Em 1968, Rubel começou a construir uma pequena estrutura conhecida como Bottle House dentro do enorme reservatório de água existente no terreno. Algumas das garrafas utilizadas vinham justamente dos encontros realizados na propriedade, transformando resíduos que normalmente seriam descartados em parte permanente das paredes.

O reservatório tinha aproximadamente 38 metros de diâmetro e grandes paredes de concreto, oferecendo uma base incomum para novas construções. Em vez de demolir aquela estrutura agrícola considerada ultrapassada, Rubel começou a utilizá-la como suporte para corredores, paredes e ambientes que se multiplicariam nos anos seguintes.

A obra não seguia plantas arquitetônicas tradicionais nem um projeto fechado que determinasse como seria o resultado final. Novos espaços surgiam de acordo com os materiais disponíveis, com as necessidades do momento e com ideias que apareciam durante a própria construção, fazendo com que o complexo crescesse de maneira praticamente orgânica.

Centenas de voluntários ajudaram a levantar um complexo cheio de objetos escondidos nas paredes

O trabalho rapidamente ultrapassou aquilo que uma única pessoa poderia realizar. Amigos, vizinhos e voluntários começaram a participar das atividades, formando um grupo informal conhecido como “Pharm Hands”, responsável por ajudar a transportar pedras, escavar áreas do terreno, movimentar objetos pesados e levantar diferentes partes das estruturas.

Ao longo dos anos, centenas de pessoas colaboraram de alguma maneira com o projeto. A participação coletiva permitiu que Rubel ampliasse continuamente o complexo, incorporando materiais cada vez maiores e transformando as próprias paredes em uma espécie de arquivo físico de objetos descartados.

Entre pedras de rio, granito, concreto, aço e alumínio aparecem peças de automóveis, componentes de motocicletas, molas de camas, cabides, bicicletas, pneus, ferramentas, câmeras antigas, eletrodomésticos e partes de máquinas. Objetos improváveis, incluindo uma torradeira e tacos de golfe, também foram incorporados à construção em vez de simplesmente desaparecerem no lixo.

Trilhos ferroviários, postes e tanques de 10 mil galões também viraram material de construção

Torres e muralhas do Rubel Castle mostram como pedras de diferentes tamanhos foram usadas para criar uma estrutura com aparência medieval, enquanto tubos, peças metálicas e outros materiais reaproveitados permanecem visíveis entre os elementos incorporados ao complexo.

À medida que o projeto crescia, Rubel deixou de trabalhar apenas com pequenos objetos reaproveitados. Ele e seus colaboradores transportaram para o terreno trilhos ferroviários, postes telefônicos, equipamentos industriais e enormes tanques de água com capacidade aproximada de 10 mil galões, que posteriormente foram usados em estruturas de grande porte.

Um moinho de vento funcional também foi levado para a propriedade, aumentando ainda mais a aparência incomum do conjunto. Parte significativa desses materiais vinha de antigos ranchos e propriedades rurais desmontados durante o avanço da urbanização, período em que grandes áreas agrícolas começavam a dar lugar a bairros residenciais.

Rubel aproveitava justamente aquilo que estava prestes a desaparecer dessa paisagem. Pedras, metais, equipamentos, máquinas e estruturas abandonadas deixavam antigas propriedades e acabavam incorporados a uma construção que crescia continuamente, transformando resíduos e peças obsoletas em elementos permanentes.

Foi na Califórnia que o antigo terreno de cítricos acabou se transformando no Rubel Castle

A propriedade ficava em Glendora, na Califórnia, Estados Unidos, e havia pertencido ao antigo Albourne Ranch, ligado historicamente ao cultivo e processamento de cítricos. Foi nesse cenário que Michael Rubel criou o complexo hoje conhecido como Rubel Castle, aproveitando justamente o período em que boa parte da paisagem agrícola da região estava sendo substituída por novos empreendimentos urbanos.

A mudança ocorrida ao redor da propriedade ajudou a fornecer parte importante da matéria-prima utilizada na obra. Enquanto antigos ranchos eram desmontados e equipamentos perdiam utilidade, Rubel recolhia estruturas, metais, pedras e objetos que poderiam ser transportados até seu terreno e incorporados ao castelo.

Essa lógica de reaproveitamento tornou o complexo visualmente diferente de construções convencionais. Em muitos pontos, é possível observar claramente como materiais originalmente produzidos para veículos, ferrovias, sistemas hidráulicos ou uso doméstico acabaram assumindo funções completamente diferentes dentro das paredes, torres e passagens.

Torre de mais de 22 metros nasceu da união de enormes tanques de água

Trecho do Rubel Castle revela a construção artesanal feita com grandes volumes de pedras, estruturas reaproveitadas e objetos incorporados aos muros, incluindo rodas, peças metálicas e até uma bicicleta, reforçando o caráter improvisado e monumental do complexo. — Imagem: reprodução

Uma das estruturas mais impressionantes do complexo é uma torre com aproximadamente 74 pés de altura, equivalentes a cerca de 22,5 metros. Sua estrutura interna foi formada com enormes tanques de água posicionados verticalmente, presos e soldados antes de serem cobertos com pedras e outros materiais reaproveitados.

No alto da torre foi instalado um relógio mecânico da fabricante Seth Thomas produzido por volta de 1890. O equipamento funciona por meio de um sistema de corda e suas campanas marcam as horas e as meias horas, acrescentando ao complexo mais um elemento antigo recuperado e colocado novamente em funcionamento.

A instalação ocorreu em 1986, ano em que Rubel considerou concluída a principal fase da construção. Uma placa de bronze presente no local registra 16 de abril de 1986 como a data oficial de conclusão do castelo, coincidindo com o aniversário do próprio idealizador.

Construção principal levou cerca de 18 anos, mas transformação começou muito antes

Algumas publicações afirmam que Rubel passou aproximadamente 26 anos construindo o castelo, mas os registros históricos permitem separar melhor os períodos. Ele comprou a propriedade em 1959 e iniciou desde cedo uma transformação contínua do terreno, enquanto a construção propriamente dita do castelo é normalmente situada entre 1968 e 1986.

Considerando essas datas, foram aproximadamente 18 anos de construção principal. Quando todo o período entre a compra do antigo terreno agrícola e a conclusão do complexo é levado em conta, porém, a transformação se estendeu por quase três décadas.

Mesmo depois de 1986, novos elementos continuaram sendo incorporados. Em 1989, por exemplo, um antigo vagão ferroviário da Santa Fe, construído em 1942, foi colocado dentro da propriedade com a ajuda de um guindaste, reforçando o caráter permanente de experimentação do lugar.

Mais de 2 mil metros quadrados passaram a reunir torres, túneis, oficinas e ponte levadiça

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Ao final da principal etapa de construção, a pequena casa feita com garrafas havia se transformado em um complexo de aproximadamente 22 mil pés quadrados, pouco mais de 2 mil metros quadrados. O espaço passou a reunir torres de vários níveis, pátios internos, oficinas de máquinas, ferraria, uma antiga gráfica, apartamentos, corredores e diferentes edificações interligadas.

O castelo também ganhou uma ponte levadiça e diversas passagens estreitas, além de túneis que conectam partes do terreno. Em um deles, garrafas coloridas foram incorporadas diretamente às paredes de concreto, permitindo que a luz atravesse o vidro e crie diferentes pontos de cor no interior.

A ausência de um projeto arquitetônico convencional permaneceu como uma das características centrais da obra. Muitas decisões eram tomadas diretamente durante a construção, de acordo com os objetos encontrados, os materiais disponíveis e aquilo que Rubel e seus colaboradores imaginavam que poderia ser aproveitado de uma nova maneira.

Michael Rubel garantiu a preservação do castelo antes de morrer

Depois de décadas dedicadas à propriedade, Rubel começou a se preocupar com o destino da construção. Após sofrer um ataque cardíaco em 2004 e deixar de viver regularmente no complexo, decidiu transferir o Rubel Castle para a Glendora Historical Society em 2005, garantindo que a área permanecesse protegida.

Michael Clarke Rubel morreu em outubro de 2007, aos 67 anos, mas a construção continuou preservada. Em 2013, o Rubel Castle Historic District foi oficialmente incluído no National Register of Historic Places dos Estados Unidos, reconhecimento destinado a propriedades consideradas relevantes para a história e a cultura do país.

A conservação do complexo apresenta dificuldades particulares justamente por causa da forma como foi construído. Como muitas estruturas nasceram do trabalho artesanal de voluntários e utilizaram materiais reaproveitados de origens completamente diferentes, especialistas precisam encontrar maneiras de reforçar paredes, torres e passagens sem eliminar as características que tornam o lugar único.

Antigo pomar continua preservando dentro das paredes objetos que poderiam ter desaparecido no lixo

Décadas depois da conclusão da principal etapa da obra, o Rubel Castle permanece sob os cuidados da Glendora Historical Society e pode ser conhecido por meio de visitas guiadas previamente organizadas. Os visitantes encontram um complexo onde antigas estruturas agrícolas convivem com torres, túneis, oficinas, equipamentos industriais e milhares de objetos reaproveitados.

O terreno comprado por um jovem de apenas 19 anos acabou se tornando uma construção com mais de 2 mil metros quadrados feita, em grande parte, com aquilo que outras pessoas já não queriam. Garrafas, peças de carros e motocicletas, bicicletas, trilhos ferroviários, ferramentas, pedras e máquinas deixaram de ser sucata para se transformar em partes permanentes de um castelo construído ao longo de décadas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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