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Aos 22 anos, Erick vendeu doces em semáforos para pagar a faculdade, ajudou a sustentar a família, conquistou o prêmio de melhor aluno e transformou a formatura em símbolo de superação
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 08/08/2026 às 11:45
Atualizado em 08/08/2026 às 11:46
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O estudante de Educação Física conciliou estágio, trabalho, faculdade e a venda de doces nas ruas de Santos (SP) durante dois anos para complementar a renda da família e pagar as mensalidades. A dedicação foi reconhecida na formatura, quando recebeu o prêmio de melhor aluno e o mérito acadêmico concedido pelo Conselho Regional de Educação Física.
Concluir um curso superior costuma exigir dedicação. Para Erick Jerônimo Ferreira, a graduação significou muito mais do que enfrentar provas e trabalhos acadêmicos. Durante dois anos, ele conciliou estágio, emprego, faculdade e a venda de doces em semáforos de Santos (SP) para ajudar nas despesas da família e garantir que conseguiria continuar estudando. O esforço acabou sendo reconhecido com o prêmio de melhor aluno da turma ao concluir a licenciatura em Educação Física.
Segundo reportagem publicada pelo G1, a história de Erick ganhou destaque justamente por mostrar a rotina pouco comum que ele enfrentou até conquistar o diploma, transformando um período de dificuldades financeiras em um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória.
Dívidas da família levaram Erick aos semáforos
O sonho de cursar Educação Física surgiu ainda no fim do Ensino Médio. A oportunidade, porém, esbarrou na realidade financeira da família.
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Em 2017, diante das dívidas acumuladas em casa, Erick decidiu buscar uma forma de aumentar a renda. Na época, ele já trabalhava em uma bomboniere, mas o salário não era suficiente para pagar a faculdade e colaborar com as despesas domésticas. A solução encontrada foi simples: comprar doces no próprio estabelecimento onde trabalhava e revendê-los nos semáforos da cidade.
Segundo relatou ao G1, a iniciativa permitiu cumprir os compromissos financeiros e também ajudar a mãe em um momento delicado.
Histórias como essa mostram uma realidade frequentemente invisível nas estatísticas do ensino superior. Para muitos estudantes brasileiros, permanecer na universidade depende menos do desempenho acadêmico e muito mais da capacidade de conciliar estudo e trabalho para manter as mensalidades em dia.
Rotina começava cedo e terminava apenas à noite
Os dois anos em que vendeu doces foram marcados por uma rotina intensa.
Durante a semana, Erick fazia estágio entre 7h e 8h. Logo depois seguia para a bomboniere, onde trabalhava das 8h30 às 18h30. Ao sair, ia diretamente para a faculdade.
O descanso praticamente não existia nos finais de semana.
Aos sábados, trabalhava na bomboniere até o início da tarde. Em seguida, passava a vender doces nos semáforos, atividade que se repetia também aos domingos e feriados, normalmente até as 19 horas.
Mesmo com a carga de trabalho, ele afirmou que nunca cogitou abandonar o curso. O objetivo de concluir a graduação sempre falou mais alto que o cansaço.
A mãe descobriu a verdade e a história mudou de rumo
No início, Erick preferiu esconder da mãe que trabalhava vendendo doces nas ruas.
Ela começou a desconfiar quando percebeu que o filho demorava muito para voltar para casa aos sábados. A confirmação veio quando ele chegou com os bolsos cheios de moedas e resolveu contar toda a história.
Segundo o relato ao G1, a mãe chorou ao descobrir o esforço do filho. Ela o abraçou e afirmou que sempre acreditou em seus sonhos, embora nunca tivesse condições financeiras para custear a faculdade.
A repercussão não ficou restrita à família.
Depois de conhecer a história, a mãe publicou uma homenagem nas redes sociais. A publicação alcançou diversas pessoas e chegou ao coordenador de uma academia de Santos, que convidou Erick para trabalhar no local. Com a nova oportunidade profissional, ele deixou de vender doces no fim de 2018.
O esforço terminou com reconhecimento acadêmico
Em 2018, Erick concluiu a licenciatura em Educação Física. No ano seguinte, decidiu permanecer na universidade para concluir também o bacharelado.
Na cerimônia de formatura da licenciatura, recebeu dois reconhecimentos importantes: foi escolhido como melhor aluno da turma e também recebeu o Mérito Acadêmico do Conselho Regional de Educação Física, distinção concedida aos estudantes com desempenho de destaque.
Embora a história continue circulando nas redes sociais e volte a chamar atenção periodicamente, os acontecimentos retratados ocorreram entre 2017 e 2019, conforme registrado pelo G1. O caso permanece como exemplo de uma trajetória construída com trabalho, persistência e disciplina.
Ao recordar aquele período, Erick afirmou que nunca teve vergonha de vender doces nos semáforos. Para ele, cada jornada representava um passo a mais em direção ao sonho de se tornar profissional de Educação Física.
Histórias de superação inspiram, mas também levantam uma questão importante: quantos talentos o Brasil perde todos os anos porque estudar ainda depende de sacrifícios extremos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

