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Aos 23 anos, entregador que enfrentava sol e chuva e usava as gorjetas das corridas para ajudar a pagar a faculdade veste a beca segurando a mochila térmica e a jaqueta de trabalho, transformando a formatura em Criminologia em homenagem às entregas que financiaram seu diploma

Aos 23 anos, entregador que enfrentava sol e chuva e usava as gorjetas das corridas para ajudar a pagar a faculdade veste a beca segurando a mochila térmica e a jaqueta de trabalho, transformando a formatura em Criminologia em homenagem às entregas que financiaram seu diploma

6 min de leitura

Aos 23 anos, entregador que enfrentava sol e chuva e usava as gorjetas das corridas para ajudar a pagar a faculdade veste a beca segurando a mochila térmica e a jaqueta de trabalho, transformando a formatura em Criminologia em homenagem às entregas que financiaram seu diploma

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 11/08/2026 às 10:57

Atualizado em 11/08/2026 às 10:58

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entregador juntava gorjetas para se formar

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Oliver Calope conciliou entregas, trabalho como motorista de triciclo, aulas e a criação do filho nas Filipinas; aos 23 anos, formou-se em Criminologia e colocou a mochila térmica e a jaqueta de entregador no centro da fotografia que marcou sua conquista.

Quando Oliver Calope apareceu usando a beca de formando, decidiu não esconder o trabalho que havia sustentado parte de sua trajetória universitária. Aos 23 anos, o jovem filipino posou com a mochila térmica nas costas e segurando a jaqueta laranja da Lalamove, empresa para a qual fazia entregas enquanto cursava Criminologia.

A imagem resumiu uma rotina que misturava aulas, entregas sob calor e chuva, trabalho como motorista de triciclo e responsabilidades familiares. Oliver contou que até as pequenas gorjetas dadas pelos clientes ajudavam a quitar gradualmente suas mensalidades e, depois do diploma, pretendia continuar trabalhando para financiar a preparação para o exame profissional de Criminologia.

Oliver Calope conciliou Criminologia com o trabalho de entregador

Oliver vivia na província de Cavite, nas Filipinas, e trabalhava realizando entregas enquanto avançava no curso de Bachelor of Science in Criminology. O Philstar registrou que a renda obtida como entregador foi importante para financiar seus estudos até a conclusão da graduação.

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A atividade colocava o jovem diariamente nas ruas. Em sua própria descrição sobre aqueles anos, ele destacou justamente dois obstáculos inevitáveis para quem trabalha fazendo entregas de motocicleta: o calor intenso e a chuva. Ainda assim, manteve a atividade enquanto perseguia o objetivo de terminar a faculdade.

O trabalho não era apenas uma ocupação paralela usada ocasionalmente. Oliver relacionou diretamente a Lalamove à possibilidade de conseguir concluir sua formação e agradeceu publicamente aos clientes cujas corridas ajudaram a gerar a renda utilizada durante a vida universitária.

Gorjetas das entregas ajudavam a pagar as mensalidades

Uma parte particularmente simbólica de sua história estava nos valores extras que recebia após algumas entregas. Oliver explicou que agradecia tanto pelas gorjetas maiores quanto pelas pequenas porque conseguia utilizar esse dinheiro para pagar aos poucos as despesas de sua faculdade.

Isso transformava cada corrida em algo maior do que apenas uma entrega. O dinheiro recebido durante o trabalho era dividido entre as necessidades cotidianas e a manutenção de um objetivo acadêmico que ainda exigiria anos de estudo e novas despesas depois da graduação.

Quando finalmente terminou Criminologia, fez questão de agradecer aos clientes que davam gorjetas durante as entregas. Na publicação que se espalhou pelas redes sociais filipinas, associou diretamente esse apoio à possibilidade de continuar estudando até chegar ao diploma.

Aulas on-line eram assistidas até durante as corridas

Conciliar as duas atividades ficou ainda mais peculiar durante o período de aulas on-line. Oliver contou que, quando estava trabalhando e percebia que chegara o horário da aula, precisava encontrar um local para parar temporariamente e acompanhar o conteúdo pelo celular.

Depois que a aula terminava, ele simplesmente retomava as entregas. Assim, a mesma jornada podia reunir deslocamentos pela cidade, uma pausa improvisada para participar da universidade e novas corridas imediatamente depois.

A flexibilidade das aulas remotas ajudou, mas não eliminou a dificuldade. Oliver ainda precisava ganhar dinheiro, estudar e reservar tempo para a família, transformando seus dias em uma sequência de atividades que normalmente seriam realizadas separadamente.

Além das entregas, Oliver também trabalhava como motorista de triciclo

A Lalamove não era sua única fonte de renda. Aos 23 anos, Oliver também trabalhava como motorista de triciclo, modalidade de transporte amplamente utilizada nas Filipinas, ampliando as horas que passava na rua para conseguir gerar renda.

entregador juntava gorjetas para se formar

Ele ainda era pai de um bebê de apenas seis meses naquele período. Segundo o relato publicado pelo SPOT.ph, Oliver se descrevia como pai em tempo integral e procurava manter momentos de convivência com a família quando voltava para casa depois do trabalho.

A graduação ocorreu, portanto, enquanto ele acumulava três responsabilidades importantes ao mesmo tempo: estudante universitário, trabalhador e pai. A fotografia com o equipamento de entregador acabou simbolizando apenas a parte mais visível dessa rotina.

Mochila térmica e jaqueta apareceram junto com a beca

Quando chegou o momento de registrar a formatura, Oliver poderia ter feito uma fotografia acadêmica convencional. Em vez disso, apareceu com a mochila térmica de entregas e a jaqueta laranja da Lalamove, colocando os instrumentos de trabalho ao lado da roupa que representava sua formação.

A escolha permitia entender sua história antes mesmo de conhecer os detalhes. A beca mostrava onde ele havia chegado; a mochila e a jaqueta mostravam uma parte importante do caminho usado para chegar até ali.

A fotografia ganhou repercussão rápida. O SPOT.ph informou que a publicação havia sido compartilhada mais de 6.200 vezes em aproximadamente uma semana, enquanto o Philstar registrou mais de 18 mil reações e cerca de 6.100 compartilhamentos quando noticiou o caso.

Diploma foi conquistado em Criminologia nas Filipinas

Oliver concluiu o Bachelor of Science in Criminology, formação universitária relacionada às áreas de segurança, investigação, sistema de justiça e aplicação da lei nas Filipinas. O diploma não significava, porém, que todas as etapas profissionais estivessem encerradas.

Um documento oficial posterior da Professional Regulation Commission identifica Oliver Awa Calope entre os candidatos ao Criminologist Licensure Examination de dezembro de 2021 e informa como instituição de origem o PIMSAT Colleges, Inc., em Bacoor City.

Isso confirma também a ligação entre o jovem que viralizou como entregador e a etapa profissional seguinte mencionada durante sua formatura. O plano era terminar a universidade, continuar trabalhando e depois buscar a licença profissional necessária para avançar na carreira.

Depois do diploma, Oliver continuou trabalhando para pagar o exame profissional

Na própria publicação de formatura, Oliver deixou claro que não pretendia abandonar imediatamente as entregas. O próximo objetivo era economizar dinheiro para conseguir se preparar e realizar o exame profissional de Criminologia.

A decisão repetia a mesma lógica utilizada durante a graduação: trabalhar para financiar a próxima etapa educacional. A mochila que aparecia em sua fotografia de formado continuaria sendo instrumento de renda mesmo depois de ele já possuir um diploma universitário.

Meses mais tarde, o nome Oliver Awa Calope apareceu entre os aprovados no Criminologist Licensure Examination realizado em dezembro de 2021. A lista publicada após a divulgação dos resultados confirma que ele conseguiu avançar também nessa nova etapa profissional.

Entregador transformou equipamento de trabalho em símbolo da conquista

Histórias de formatura normalmente colocam diploma, capelo e beca no centro das fotografias. Oliver acrescentou justamente os elementos que normalmente desapareceriam desse registro: a mochila usada para transportar pedidos e a jaqueta utilizada durante as horas passadas trabalhando nas ruas.

A imagem tornou visível uma realidade que o certificado sozinho não mostraria. Parte das mensalidades havia sido paga com dinheiro conquistado entre entregas, e até gorjetas individuais recebidas de clientes contribuíram para manter a formação universitária.

Aos 23 anos, o jovem que parava durante as corridas para assistir às aulas conseguiu concluir Criminologia, continuou trabalhando para preparar-se para o exame profissional e posteriormente apareceu entre os aprovados. A mochila térmica de entregador deixou, assim, de representar apenas seu trabalho e passou a fazer parte da história do próprio diploma.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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