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Aos 23 anos, estudante sofre acidente de carro, lesiona três vértebras cervicais e fica tetraplégico, passa 11 meses em recuperação e retorna à faculdade contra a expectativa de quem dizia que a profissão não seria mais possível: Marcos Vinícius conclui Medicina e passou a atender pacientes em cadeira de rodas

Aos 23 anos, estudante sofre acidente de carro, lesiona três vértebras cervicais e fica tetraplégico, passa 11 meses em recuperação e retorna à faculdade contra a expectativa de quem dizia que a profissão não seria mais possível: Marcos Vinícius conclui Medicina e passou a atender pacientes em cadeira de rodas

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Aos 23 anos, estudante sofre acidente de carro, lesiona três vértebras cervicais e fica tetraplégico, passa 11 meses em recuperação e retorna à faculdade contra a expectativa de quem dizia que a profissão não seria mais possível: Marcos Vinícius conclui Medicina e passou a atender pacientes em cadeira de rodas

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 10/08/2026 às 15:06

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Foto: Acervo Pessoal – Marcos Vinícius Nunes da Silva estava no quarto ano de Medicina quando um acidente atingiu as vértebras C3, C4 e C5 e provocou tetraplegia parcial.

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Marcos Vinícius Nunes da Silva estava no quarto ano de Medicina quando um acidente atingiu as vértebras C3, C4 e C5 e provocou tetraplegia parcial. Após 11 meses de recuperação, voltou à faculdade, formou-se em 2013 e passou a exercer a Medicina em cadeira de rodas.

Em 2008, Marcos Vinícius Nunes da Silva tinha 23 anos e cursava o quarto ano de Medicina em Porto Velho, Rondônia, quando sofreu um acidente automobilístico que causou lesões cervicais nas vértebras C3, C4 e C5. O estudante ficou com tetraplegia parcial e passou, como ele próprio relataria anos depois à BBC News Brasil, da condição de aluno de Medicina para a de paciente.

Foram 11 meses de recuperação motora depois da cirurgia antes que a formação médica voltasse ao centro de sua rotina. Marcos retornou à faculdade apesar das limitações adquiridas e da resistência relatada dentro do próprio ambiente acadêmico. Formou-se em 2013, passou a trabalhar como clínico-geral e posteriormente abriu uma clínica em Goianésia, Goiás.

Acidente aconteceu quando Marcos estava no quarto ano de Medicina

Marcos é natural de Uruaçu, em Goiás, mas cursava o ensino superior na então Faculdade São Lucas, em Porto Velho. A Câmara Municipal de Goianésia registra oficialmente a instituição em seu histórico de formação acadêmica.

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O acidente ocorreu em 2008. A reportagem da BBC News Brasil reproduzida pelo UOL confirma que Marcos tinha 23 anos, estava no quarto ano de Medicina e sofreu lesões nas vértebras cervicais C3, C4 e C5.

O diagnóstico deixou consequências permanentes. A condição descrita nas fontes é de tetraplegia parcial, isto é, Marcos permaneceu com comprometimento motor dos quatro membros, embora tenha recuperado movimentos suficientes para realizar diversas atividades profissionais e cotidianas.

Recuperação motora durou 11 meses após a cirurgia

Depois do acidente, Marcos passou por cirurgia e iniciou uma longa etapa de reabilitação. A BBC registra 11 meses de recuperação motora, período que interrompeu a sequência normal de sua graduação em Medicina.

Foto: Acervo Pessoal

Uma entrevista concedida posteriormente pelo médico relata que parte da reabilitação ocorreu no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Durante esse processo, uma das preocupações de Marcos era recuperar capacidade suficiente para voltar às atividades acadêmicas.

A escrita também precisou ser reaprendida. Marcos contou que usava cadernos de caligrafia e prendia a caneta aos dedos para treinar os movimentos das mãos, repetindo o exercício durante a recuperação.

Volta à faculdade encontrou resistência até entre colegas e professores

O retorno não eliminou as barreiras. Marcos relatou à BBC que colegas, professores e outros médicos consideravam que a Medicina talvez não fosse mais uma profissão possível para ele depois do acidente.

Segundo seu relato, alguns estudantes chegaram a rejeitar sua presença em grupos durante o internato. Essa etapa da graduação envolve acompanhamento de pacientes em hospitais, supervisão médica e participação prática em diferentes áreas clínicas.

Marcos afirmou também que três colegas sugeriram que ele deveria estar fazendo fisioterapia em vez de frequentar a faculdade. O episódio mostra que, além das adaptações físicas impostas pela tetraplegia parcial, o estudante enfrentava dúvidas sobre sua capacidade de exercer a profissão.

Marcos concluiu Medicina em 2013

A interrupção provocada pelo acidente aumentou o tempo necessário para terminar o curso, mas não encerrou a graduação. A BBC registra que Marcos conseguiu se formar e posteriormente trabalhar como clínico-geral em uma unidade de pronto atendimento.

A data da conclusão pode ser estabelecida pela própria cronologia documentada: em reportagem publicada em 2019, a BBC informa que Marcos abriu sua clínica em 2016, três anos depois da formatura, situando a conclusão de Medicina em 2013.

A Câmara Municipal de Goianésia também registra Marcos profissionalmente como médico e identifica a Faculdade São Lucas, em Porto Velho, como sua instituição de ensino superior.

Médico passou a atender pacientes usando cadeira de rodas

Depois de formado, Marcos exerceu inicialmente a função de clínico-geral em uma unidade de pronto atendimento. A cadeira de rodas passou a fazer parte de sua rotina profissional, sem impedir a realização das consultas médicas.

Em 2016, ele abriu a Clínica Popular São Marcos, em Goianésia. Em 2019, quando a BBC publicou seu perfil, o médico já havia atendido mais de 15 mil pessoas na unidade, número que deve ser entendido como referente àquele momento e não como total atual.

No consultório, Marcos alternava entre cadeira de rodas manual e elétrica. Para facilitar os atendimentos, também utilizava uma maca adaptada à sua altura, uma solução prática para exercer as atividades clínicas dentro de suas condições motoras.

Experiência do médico expôs barreiras enfrentadas por profissionais com deficiência

O caso de Marcos apareceu em uma reportagem da BBC sobre médicos com deficiência justamente no momento em que o Código de Ética Médica brasileiro passou a explicitar proteção profissional contra discriminação relacionada à deficiência ou doença.

Foto: Acervo Pessoal – Marcos Vinícius Nunes da Silva estava no quarto ano de Medicina quando um acidente atingiu as vértebras C3, C4 e C5 e provocou tetraplegia parcial.

À época, levantamentos dos conselhos de Medicina citados pela reportagem haviam identificado 512 médicos que declararam possuir algum tipo de deficiência.

O número ajudava a mostrar que a discussão ultrapassava um caso individual e envolvia acessibilidade dentro da própria profissão médica.

Marcos dizia ser o primeiro profissional com tetraplegia a concluir Medicina no Brasil. Como essa afirmação aparece nas fontes como declaração do próprio médico, e não como resultado de um levantamento nacional independente que permita comprovar todos os formados anteriores, ela deve ser apresentada com essa ressalva.

Acidente mudou o corpo, mas não encerrou a formação iniciada em Porto Velho

Em 2008, aos 23 anos e já no quarto ano do curso, Marcos sofreu o acidente, teve as vértebras C3, C4 e C5 afetadas e passou a conviver com tetraplegia parcial.

Vieram então cirurgia, 11 meses de recuperação motora, reaprendizado de atividades como a escrita e o retorno ao curso. Mesmo enfrentando resistência durante o internato, concluiu a graduação em 2013 e começou a exercer a Medicina.

Três anos depois, abriu a própria clínica em Goianésia. A trajetória que esteve perto de ser interrompida no quarto ano de faculdade terminou, portanto, com Marcos recebendo o diploma e realizando em cadeira de rodas exatamente o trabalho cuja continuidade havia sido questionada depois do acidente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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