6 min de leitura
Aos 23 anos, formando entra na colação de grau carregando a bolsa térmica usada durante anos para vender lanches no ônibus, homenageia a mãe que preparava os salgados todas as noites e transforma o diploma de Educação Física em um reconhecimento público ao trabalho que ajudou a pagar cada mensalidade
Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/08/2026 às 11:01
Curiosidades
Canal
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Bruce Carneiro Friederich levou à colação de grau a bolsa térmica usada para vender lanches no ônibus rumo à faculdade, em Santiago, no Rio Grande do Sul, e homenageou a mãe, Cimara, que trabalhava durante o dia e preparava os salgados à noite para ajudá-lo a pagar o curso superior.
A bolsa térmica que Bruce Carneiro Friederich carregou durante a colação de grau não estava ali como simples acessório. Aos 23 anos, o formando em Educação Física decidiu levar para a cerimônia o mesmo objeto utilizado durante parte da graduação para transportar os lanches que vendia aos colegas no ônibus, transformando a própria entrada no evento em uma homenagem à mãe e ao trabalho que ajudou a financiar seus estudos.
A história foi publicada pelo portal Só Notícia Boa em 23 de fevereiro de 2022, com informações do NP Expresso Ilustrado. Segundo a reportagem, Bruce concluiu Educação Física pela URI, em Santiago, no Rio Grande do Sul, sem bolsa de estudos e sem financiamento público, enquanto sua mãe, Cimara Carneiro Friederich, preparava durante a noite os salgados que seriam vendidos no dia seguinte.
Ideia de vender lanches partiu do próprio estudante
Bruce contou que foi ele quem procurou a mãe e pediu que ela começasse a preparar os lanches. Cimara concordou, mas demonstrou preocupação com a possibilidade de o filho sentir vergonha de vender alimentos aos colegas enquanto estudava. A resposta dele foi direta: para Bruce, não havia motivo para se envergonhar de trabalhar para conseguir continuar na faculdade.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A decisão transformou uma necessidade financeira em rotina. Em vez de esconder a forma encontrada para pagar o curso, Bruce incorporou aquele trabalho à própria trajetória universitária, levando os produtos até o ônibus e oferecendo-os às pessoas que faziam o mesmo deslocamento para estudar ou cumprir outras atividades em Santiago.
Mãe trabalhava durante o dia e cozinhava à noite
Cimara mantinha sua própria jornada de trabalho durante o dia e, quando voltava para casa, ainda preparava os alimentos que o filho levaria na manhã seguinte. A fonte não detalha quantas horas ela dedicava à produção nem por quanto tempo a rotina foi mantida, mas deixa claro que mãe e filho dividiram responsabilidades para que Bruce conseguisse continuar pagando a graduação.
Os salgados eram colocados na bolsa térmica e levados para o ônibus. Dessa maneira, um objeto cotidiano passou a acompanhar a formação do estudante e a representar uma sequência de noites de preparo, manhãs de venda e pagamentos que se repetiram durante o período em que ele precisou complementar a renda destinada às mensalidades.
Colegas compravam até fiado para ajudar
Nem todas as vendas eram pagas imediatamente. Cimara relatou que alguns colegas compravam os lanches fiado e quitavam os valores no início do mês. Esse dinheiro ajudava Bruce a reunir o montante necessário para pagar a mensalidade da faculdade, criando uma pequena rede de consumidores que acabou participando indiretamente de sua formação.
Cada lanche vendido significava mais do que uma renda eventual, porque o valor arrecadado tinha um destino específico: manter o estudante no curso. A mãe chegou a agradecer publicamente aos clientes que compraram os alimentos e contribuíram para que o filho concluísse a graduação, destacando que a experiência poderia servir de incentivo a outros estudantes com dificuldades financeiras.
Curso foi concluído sem bolsa ou financiamento
Segundo a reportagem, Bruce cursou Educação Física na URI sem receber bolsa de estudos e sem utilizar financiamento oferecido pelo governo. A fonte não informa o valor das mensalidades, o custo total da formação ou qual parcela das despesas foi paga exclusivamente com a comercialização dos alimentos.
Por isso, não é possível calcular quanto a venda dos salgados representou financeiramente ao longo de toda a graduação. O dado confirmado é que a renda obtida com os lanches era utilizada para ajudar no pagamento das mensalidades, tornando o trabalho realizado por Bruce e Cimara parte concreta da estratégia familiar para manter o curso.
Bolsa térmica entrou na colação de grau
Quando chegou o momento da colação, Bruce decidiu não deixar aquele período restrito à memória familiar. Ele entrou na cerimônia carregando a bolsa térmica usada nas vendas, exibindo justamente o objeto que havia acompanhado sua rotina de trabalho enquanto seguia estudando Educação Física.
O gesto funcionou como reconhecimento público à mãe, responsável por preparar os alimentos depois de sua própria jornada diária. No lugar de esconder uma fase marcada pela necessidade de complementar renda, o formando colocou essa experiência no centro da celebração, associando o diploma ao esforço que havia ocorrido fora das salas de aula.
Homenagem também reconheceu o trabalho da mãe
A escolha da bolsa tinha um significado específico para Bruce porque os lanches só chegavam ao ônibus depois do trabalho realizado por Cimara em casa. Enquanto ele assumia a venda, ela cuidava da preparação dos produtos, criando uma divisão de tarefas que permitia transformar comida produzida durante a noite em renda na manhã seguinte.
A homenagem, portanto, não colocava apenas o estudante como responsável pela conquista. Ao carregar a bolsa térmica durante a colação, Bruce deu visibilidade ao trabalho doméstico e familiar que havia sustentado parte de sua caminhada, mostrando aos presentes como mãe e filho encontraram juntos uma maneira de enfrentar as despesas da graduação.
Objeto simples passou a representar toda uma trajetória
Uma bolsa utilizada para conservar alimentos normalmente desapareceria da história depois de cumprir sua função prática. No caso de Bruce, porém, ela permaneceu ligada às lembranças da faculdade porque acompanhou um período em que estudar e trabalhar faziam parte da mesma rotina.
O simbolismo nasceu justamente dessa simplicidade. Não era uma peça criada especialmente para a cerimônia, mas um objeto usado repetidamente no cotidiano. Ao levá-lo para um momento tradicionalmente marcado por beca, diploma e formalidade, o formando aproximou a celebração acadêmica da realidade financeira enfrentada durante o curso.
Diploma virou reconhecimento de uma conquista compartilhada
Bruce foi quem frequentou as aulas, realizou as atividades acadêmicas e concluiu Educação Física, mas sua história também inclui a mãe que trabalhava durante o dia e ainda encontrava tempo para preparar os lanches. Inclui ainda os compradores no ônibus que mantiveram as vendas funcionando e, em alguns casos, pagavam suas contas no começo do mês.
A entrada com a bolsa térmica tornou essas participações visíveis justamente no momento em que a graduação foi celebrada. Para você, objetos ligados ao trabalho e ao esforço da família também deveriam ter espaço nas cerimônias de formatura quando fazem parte da história do estudante? Conte nos comentários qual objeto representaria a sua própria trajetória.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

