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Aos 23 anos, um ex-fuzileiro naval que nunca tinha levantado uma parede pediu um pedaço do terreno do irmão em Oklahoma, começou a obra vendo tutorial no YouTube e ergueu em pouco mais de seis meses uma casa de quase 56 m² gastando US$ 20 mil

Aos 23 anos, um ex-fuzileiro naval que nunca tinha levantado uma parede pediu um pedaço do terreno do irmão em Oklahoma, começou a obra vendo tutorial no YouTube e ergueu em pouco mais de seis meses uma casa de quase 56 m² gastando US$ 20 mil

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Aos 23 anos, um ex-fuzileiro naval que nunca tinha levantado uma parede pediu um pedaço do terreno do irmão em Oklahoma, começou a obra vendo tutorial no YouTube e ergueu em pouco mais de seis meses uma casa de quase 56 m² gastando US$ 20 mil

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 12/08/2026 às 19:30

Atualizado em 12/08/2026 às 19:31

Construção

Ex-fuzileiro de 23 anos ergueu uma casa de 56 m² no terreno do irmão em Oklahoma aprendendo tudo por vídeos, com custo total de US$ 20 mil.

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Ele saiu do Corpo de Fuzileiros Navais, foi morar com o irmão mais velho num terreno de 20 acres e quis o próprio espaço sem se mudar dali. A solução foi construir. O problema é que nenhum dos dois tinha erguido uma casa antes.

Aos 23 anos, o norte-americano Carter gastou cerca de US$ 20 mil e mais de seis meses erguendo a própria casa em Oklahoma, aprendendo cada etapa da construção por vídeos no YouTube, segundo reportagem publicada pela revista Newsweek em 29 de março de 2025, assinada por Alyce Collins. A obra começou em 14 de setembro de 2024, em um terreno de 20 acres pertencente ao irmão mais velho, Aaron, de 33 anos.

A ideia nasceu de uma necessidade doméstica comum. Ele havia deixado o Corpo de Fuzileiros Navais e estava morando com o irmão, e quando começou a procurar um lugar próprio os dois discutiram a possibilidade de construir ali mesmo. Parecia a forma perfeita de cada um ter o próprio espaço sem deixar de estar perto, com um detalhe que ninguém resolveu de imediato: nenhum dos dois tinha construído uma casa antes.

O que ele sabia antes de começar

O interior da casa improvisada de Carter, visto do quarto no sótão.

O ponto de partida técnico era próximo de zero, e ele não tenta disfarçar isso. Carter afirma que não sabia nada de construção e que a experiência anterior dele se resumia essencialmente a saber usar ferramentas.

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O irmão tinha um pouco mais de bagagem, vinda de um emprego em uma empresa de restauração e de projetos menores executados na própria propriedade. Ainda assim, era experiência de reparo e reforma, não de erguer uma edificação do alicerce ao telhado.

Mesmo assim, Carter fez pesquisa e desenhou o próprio projeto, com uma estimativa inicial de US$ 10 mil para deixar a estrutura da casa em pé. Um plano feito por quem nunca tinha construído nada, com orçamento fechado antes da primeira estaca, é o tipo de decisão que costuma dar errado, e boa parte dos problemas que ele enfrentou depois vieram exatamente daí.

O YouTube como manual de obra

Ex-fuzileiro de 23 anos ergueu uma casa de 56 m² no terreno do irmão em Oklahoma aprendendo tudo por vídeos, com custo total de US$ 20 mil.

A plataforma de vídeos virou a referência para cada etapa do processo, e a lista do que ele aprendeu por lá é bem mais específica do que a expressão “assistir tutorial” sugere.

O sistema de estrutura da casa foi baseado em uma combinação de vídeos sobre casas pequenas e oficinas de construção caseira. Além disso, foi por esse caminho que ele aprendeu a impermeabilizar o encaixe de janelas e portas, a instalar telhas asfálticas e o rufo de degrau no telhado, e a fabricar as próprias telhas de madeira usadas como revestimento nas empenas laterais da casa.

São procedimentos que, executados errado, comprometem a estanqueidade da edificação inteira. Impermeabilização mal-feita em janela e telhado é a origem da maior parte das infiltrações em qualquer construção, e é justamente esse tipo de detalhe que costuma separar obra de profissional de obra de iniciante.

Trinta horas por semana durante meses

Ex-fuzileiro de 23 anos ergueu uma casa de 56 m² no terreno do irmão em Oklahoma aprendendo tudo por vídeos, com custo total de US$ 20 mil.

O ritmo de trabalho explica como a construção avançou tão rápido. Carter afirma que dedica cerca de 30 horas semanais à obra, usando praticamente todo o tempo livre que tem.

É uma jornada equivalente a um emprego de meio período, mantida por meses seguidos, em atividade que exige esforço físico e concentração. E ela tinha prazo de validade definido, porque ele estava previsto para começar a faculdade no semestre seguinte.

A conta de tempo dá a dimensão do esforço acumulado. Da primeira estaca, em setembro de 2024, até a data da entrevista, em março de 2025, foram cerca de seis meses e meio a esse ritmo, o que significa algo próximo de 800 horas de trabalho investidas na construção.

O que tem dentro dos 56 metros quadrados

A casa tem quase 600 pés quadrados, o equivalente a aproximadamente 56 metros quadrados, e a distribuição interna é mais completa do que a metragem sugere.

No térreo ficam cozinha, banheiro, sala de estar, lavanderia e um escritório. O quarto foi acomodado no mezanino, no pavimento superior, solução clássica em construções compactas porque libera a área do piso para os ambientes que exigem circulação.

Concentrar seis ambientes em 56 metros quadrados exige que cada espaço tenha função definida e nenhum metro sobre. É uma planta pensada para uma pessoa morar sozinha, com a área social reduzida ao necessário e o dormitório deslocado para o volume vertical.

Dez mil para a estrutura, dez mil para o resto

O orçamento inicial se mostrou correto na parte que ele havia calculado. Os US$ 10 mil estimados para deixar a estrutura da casa em pé bateram com o gasto real dessa etapa.

O problema apareceu depois. O acabamento interno consumiu outros US$ 10 mil, dobrando o custo total do projeto e chegando aos US$ 20 mil informados. Parte desse valor foi para contratação de mão de obra profissional na parte elétrica, serviço que ele optou por não executar sozinho.

E a obra ainda não estava encerrada na época da entrevista. Faltavam hidráulica, isolamento térmico, gesso e piso, quatro etapas que representam custo e trabalho consideráveis. A expectativa dele era concluir tudo até julho de 2025.

Os erros que ele mesmo aponta

A falta de experiência cobrou o preço esperado, e Carter é o primeiro a listar onde isso apareceu. Segundo ele, desconhecer as etapas que envolvem hidráulica, elétrica e gesso fez com que ele pulasse alguns passos da estrutura que teriam poupado tempo depois.

O resultado prático é retrabalho. Ele admite que não executou alguns serviços de forma inteiramente correta e que precisou voltar para corrigir ou refazer o que já estava pronto.

O conselho que ele deixa para quem pensa em fazer o mesmo é justamente sobre isso, e contradiz parte do próprio método. Ele recomenda que quem não tem experiência nenhuma contrate um projeto feito por alguém que entenda do assunto, em vez de desenhar a planta por conta própria. Ele afirma não estar insatisfeito com nenhuma parte do processo, mas reconhece que foi longo, porque ter ideias, fazer testes e aplicar isso à casa inteira tornou o avanço muito lento.

O que diz um construtor licenciado sobre o caso

A avaliação técnica de quem trabalha com isso profissionalmente não é de condenação, mas traz duas ressalvas concretas. Bar Zakheim, construtor licenciado e diretor-executivo de uma empresa de projeto e construção em San Diego, na Califórnia, afirma que paciência e pesquisa são fundamentais nesse tipo de empreitada, e que é possível aprender habilidades novas no processo, desde que nenhuma etapa seja pulada e nenhum detalhe fino seja ignorado.

A primeira ressalva é de conformidade legal. Segundo ele, esse tipo de projeto só é viável em área rural, com regras de zoneamento e código de obras bem mais limitadas. E o alerta é direto: a menos que os irmãos sejam eletricistas ou encanadores licenciados, aquela casa nunca estará dentro das normas técnicas exigidas.

A segunda é orçamentária e vale para qualquer obra. Ele afirma que estouro de custo é fato consumado no ramo da construção, que ele próprio não costuma exceder os próprios custos em mais de 100%, e que os projetos sempre acabam se revelando mais complexos do que o previsto. No caso de Carter, o custo dobrou exatamente na proporção que o profissional descreve como normal.

A internet dividida entre elogio e crítica técnica

Depois de meses de obra, Carter publicou fotos do que chamou de projeto ambicioso em um fórum de discussão na internet. A postagem viralizou e acumulou mais de 7 mil votos e mais de 800 comentários em poucos dias.

A recepção foi dividida e ele resume a experiência dizendo que aquele espaço realmente tem muita gente disposta a criticar. As objeções mais repetidas foram de ordem estrutural: que a casa não foi construída pelo método convencional, que vai cair e que precisaria de travamento mais baixo nos caibros do telhado. Um usuário questionou qual canal teria ensinado a montar a estrutura daquela forma, apontando que era muito dinheiro em material para improvisar. Outro afirmou que um fiscal de obras mandaria começar tudo de novo.

Houve também quem defendesse o resultado. Um comentário registrou que, sendo aquela a primeira construção dele, o trabalho ficou bom, elogiou o revestimento externo e recebeu o autor no ramo com uma ironia sobre o setor: construção é o lugar onde todo mundo vai dizer o que você deveria ter feito.

O que essa história prova e o que ela não prova

O caso demonstra que existe hoje uma quantidade de informação técnica disponível gratuitamente capaz de levar alguém sem nenhuma experiência da estaca zero a uma edificação de 56 metros quadrados coberta e revestida em seis meses. Isso não era possível vinte anos atrás.

O que ele não demonstra é que essa seja uma alternativa viável para a maioria das pessoas, e as condições que tornaram o projeto possível estão todas listadas na própria história. Havia terreno familiar disponível e sem custo, área rural com exigência regulatória frouxa, 30 horas semanais livres, um irmão com alguma experiência prévia e disposição para absorver retrabalho sem prazo apertado. Faltando qualquer um desses elementos, a conta muda.

E há o ponto que o próprio construtor licenciado levanta e que o entusiasmo em torno do caso costuma deixar de lado: uma casa fora das normas técnicas não é apenas um problema burocrático. Instalação elétrica e hidráulica mal executada tem consequência que aparece depois, e o custo de corrigir estrutura pronta é sempre maior que o de fazer certo na primeira vez.

E você, encararia construir a própria casa aprendendo por vídeo, ou acha que economia nessa etapa sai caro lá na frente? Conta nos comentários o que você já tentou fazer sozinho em casa e no que deu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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