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Aos 26 anos, ex-frentista que trabalhou em posto de gasolina para pagar a faculdade já é advogado, abre o próprio escritório e volta à mesma instituição onde se formou em Direito para ensinar, depois de trocar as bombas de combustível pela sala de aula

Aos 26 anos, ex-frentista que trabalhou em posto de gasolina para pagar a faculdade já é advogado, abre o próprio escritório e volta à mesma instituição onde se formou em Direito para ensinar, depois de trocar as bombas de combustível pela sala de aula

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Aos 26 anos, ex-frentista que trabalhou em posto de gasolina para pagar a faculdade já é advogado, abre o próprio escritório e volta à mesma instituição onde se formou em Direito para ensinar, depois de trocar as bombas de combustível pela sala de aula

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/08/2026 às 16:51

Atualizado em 28/08/2026 às 17:41

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Jean Dias Ferreira conciliou a graduação em Direito com o trabalho de frentista no interior de Mato Grosso. Foi durante o expediente no posto que conheceu advogados, recebeu uma oportunidade em escritório e começou a construir a carreira jurídica ainda antes de concluir a faculdade.

Antes de atuar como advogado e professor universitário, Jean Dias Ferreira precisou conciliar a graduação em Direito com o trabalho em um posto de gasolina, usando a renda como frentista para ajudar a custear as aulas.

O emprego também proporcionou um contato que mudaria sua rotina profissional. Entre os clientes atendidos em São José dos Quatro Marcos, no interior de Mato Grosso, estavam advogados que souberam durante as conversas no posto que o jovem responsável pelos abastecimentos estudava Direito.

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A trajetória foi registrada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) em um perfil publicado em 2020, quando Jean tinha 26 anos, já exercia a advocacia, havia aberto o próprio escritório e lecionava na faculdade em que havia concluído a graduação.

De família de baixa renda, ele cresceu em uma chácara situada em uma região periférica do município. Ao decidir cursar uma faculdade, precisava manter uma atividade remunerada que permitisse pagar as mensalidades sem abandonar a formação acadêmica.

O posto de gasolina cumpriu inicialmente essa função. A aproximação com os advogados ocorreu durante o expediente, quando Jean comentou sobre o curso que fazia e acabou recebendo um convite para trabalhar no escritório dos clientes que conhecera enquanto abastecia os veículos.

Do posto ao primeiro trabalho no Direito

Ex-frentista que pagou a faculdade com o trabalho no posto virou advogado, abriu escritório próprio e voltou à faculdade como professor.

A mudança permitiu que Jean passasse a acumular experiência diretamente relacionada à profissão enquanto ainda estudava. Ele atuou como estagiário de fevereiro de 2014 a maio de 2018 e, depois desse período, permaneceu no mesmo ambiente profissional já como advogado até janeiro de 2020.

Ao recordar a entrada no escritório, Jean atribuiu importância ao acolhimento da advogada Regina Sabioni. A oportunidade marcou a passagem de um emprego voltado principalmente ao pagamento da faculdade para uma rotina profissional inserida na área jurídica.

A ligação entre as duas etapas ocorreu sem planejamento prévio: o trabalho como frentista garantia parte das condições para continuar estudando e, ao mesmo tempo, colocou o universitário diante dos profissionais que ofereceriam sua primeira oportunidade no Direito.

Quando a OAB-MT apresentou sua história, Jean já havia avançado para uma atuação independente. Aos 26 anos, tinha aberto o próprio escritório havia poucos meses, depois de passar pelo estágio e exercer a advocacia no local onde recebera a primeira oportunidade profissional.

A escolha pelo Direito, porém, não havia sido definida desde o início. Ele contou que chegou a considerar Engenharia Civil antes de optar pela carreira jurídica, decisão que passou a orientar tanto sua graduação quanto as experiências profissionais construídas durante o curso.

De aluno a professor na própria faculdade

A formação universitária também levou Jean de volta ao ambiente em que havia estudado. Depois de concluir a graduação, ele passou a lecionar no curso de Direito da mesma instituição em que havia sido aluno, acrescentando a docência à atuação como advogado.

A mudança de posição dentro da faculdade acompanhou a continuidade dos estudos. Na época do perfil divulgado pela OAB-MT, Jean já possuía duas pós-graduações, uma relacionada a Processo Penal e outra em Filosofia, e cursava mestrado em Sociologia na Universidade Federal de Mato Grosso.

Ele havia sido aprovado em primeiro lugar no processo seletivo do mestrado e também mencionava a possibilidade de continuar posteriormente a formação em um doutorado. A atividade acadêmica, portanto, avançava paralelamente ao trabalho na advocacia e às aulas ministradas no curso de Direito.

Um registro acadêmico posterior da Revista Educação C&T identifica Jean Dias Ferreira como mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Mato Grosso e professor universitário do curso de Direito da Faculdade Católica Rainha da Paz, em Mato Grosso.

A informação confirma a conclusão do mestrado que ainda estava em andamento quando a OAB-MT publicou o perfil e mantém a docência entre as atividades acadêmicas associadas a Jean, sem alterar a origem da trajetória relatada pela entidade anos antes.

Além do escritório e da universidade, o perfil institucional registrou atuação na área de Direito Público e participação em projetos sociais em São José dos Quatro Marcos. O trabalho voluntário havia recebido reconhecimento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso por meio de uma moção de aplauso.

A relação com os estudos também antecedia a faculdade. Jean relatou à OAB-MT que desenvolveu o hábito de leitura ainda na infância, experiência que permaneceu ligada à formação pessoal e, posteriormente, à continuidade da vida acadêmica.

O trabalho iniciado para financiar a graduação acabou conectado à própria entrada no mercado jurídico: foi no posto que ele conheceu os advogados responsáveis pelo convite para o escritório, onde primeiro estagiou e depois exerceu a profissão.

Mais tarde, a graduação que ele conciliava com os turnos de frentista também o levou à docência. O registro acadêmico posterior mantém Jean vinculado ao ensino de Direito e informa que o mestrado em Sociologia, ainda em curso quando sua história foi divulgada pela OAB-MT, foi concluído.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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