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Aos 26 anos, formando segura na própria formatura a vassoura que carregou durante seis anos enquanto limpava o campus para conseguir pagar a faculdade e transforma o objeto de trabalho em símbolo do diploma de professor de Matemática
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 08/08/2026 às 22:12
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Christopher Dahn Saliendra passou seis anos conciliando estudos com serviços de limpeza na universidade, posou de beca segurando a própria vassoura e concluiu a formação para ensinar Matemática nas Filipinas.
Quando Christopher Dahn Saliendra preparou sua fotografia de formatura em março de 2018, escolheu aparecer de beca segurando um objeto que havia acompanhado praticamente toda a sua passagem pela universidade: uma vassoura de palha. Durante seis anos, ele trabalhou na limpeza do campus da Notre Dame of Marbel University, nas Filipinas, enquanto cursava a graduação.
A imagem não era apenas uma brincadeira. Aos 26 anos, Saliendra estava prestes a concluir o Bachelor of Secondary Education com especialização em Matemática, formação voltada ao magistério. A vassoura simbolizava justamente o trabalho que lhe permitiu permanecer na universidade até chegar ao diploma.
Christopher Saliendra entrou na universidade em 2012 e levou seis anos para se formar
Saliendra estudou na Notre Dame of Marbel University, localizada em Koronadal City, na província de South Cotabato. Segundo a GMA News, ele permaneceu na instituição de 2012 a 2018, conciliando a formação acadêmica com trabalho dentro da própria universidade.
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O curso normalmente poderia ser concluído em quatro anos, mas a trajetória de Christopher levou seis. Como estudante trabalhador, ele precisava organizar a carga de disciplinas em torno das atividades que garantiam sua permanência no ensino superior.
O atraso, portanto, não ocorreu porque ele havia abandonado o objetivo. Pelo contrário: foram justamente os empregos realizados ao longo do curso que permitiram que continuasse matriculado até completar a formação em Educação com especialização em Matemática.
Trabalho envolvia limpar o campus e realizar serviços administrativos
Durante os seis anos de graduação, Saliendra trabalhou limpando áreas da universidade. A SunStar também registra que ele executava trabalhos administrativos e com documentos, ampliando as atividades que realizava para financiar a própria formação.
A vassoura acabou se tornando o objeto mais reconhecível dessa rotina. Ela representava horas de serviço realizadas no mesmo ambiente em que, em outros momentos do dia, Christopher precisava assistir às aulas e avançar nas disciplinas necessárias para se tornar professor.
Era uma relação que durava praticamente tanto quanto a graduação. Quando chegou o momento de fazer a fotografia que marcaria o fim do curso, Christopher decidiu que não faria sentido registrar apenas a beca e esconder justamente o instrumento ligado aos anos de trabalho.
No começo, Christopher tinha vergonha de ser visto segurando a vassoura
Ao publicar a fotografia, o formando revelou que inicialmente sentia vergonha de carregar uma vassoura na universidade. O trabalho de limpeza contrastava com a imagem que muitos estudantes tradicionalmente associam à experiência universitária.
Com o passar dos anos, sua percepção mudou. Depois de seis anos trabalhando e estudando, a vassoura deixou de representar algo que precisava esconder e passou a ser associada diretamente à conquista acadêmica que estava prestes a alcançar.
Foi por isso que resolveu incluí-la no ensaio de formatura. Em vez de aparecer apenas com a roupa acadêmica, Saliendra transformou a fotografia em um resumo de duas partes inseparáveis da própria vida universitária: o estudante e o trabalhador.
Foto de formatura com a vassoura viralizou nas Filipinas
A fotografia começou a circular nas redes sociais filipinas poucos dias antes da cerimônia de graduação. Saliendra aparecia sorrindo, usando a roupa de formando e segurando a tradicional walis tambo, tipo de vassoura bastante comum nas Filipinas.
A repercussão fez com que veículos nacionais passassem a contar sua história. A GMA News publicou o caso em 21 de março de 2018, destacando que o estudante havia conseguido chegar ao fim da graduação justamente enquanto trabalhava na limpeza da instituição.
O interesse não estava em uma grande premiação acadêmica. Uma reportagem sobre o caso ressaltou que ele não precisava ter conquistado uma medalha para chamar atenção: o que mobilizou o público foi a forma como um objeto cotidiano sintetizava seis anos de esforço.
Diploma em Matemática chegou depois de anos divididos entre serviço e estudo
A graduação escolhida por Christopher foi o Bachelor of Secondary Education, major in Mathematics, curso direcionado à preparação de professores para o ensino secundário. Em março de 2018, ele estava oficialmente concluindo essa etapa.
A cerimônia estava marcada para 25 de março de 2018, poucos dias depois de sua fotografia viralizar. Aquele momento transformaria o estudante que durante anos havia limpado o campus em graduado pela mesma instituição onde trabalhava.
A formação ainda seria seguida por outra etapa profissional importante. Registros oficiais da Professional Regulation Commission das Filipinas mostram Christopher Dahn Jorda Saliendra inscrito posteriormente para o exame de licenciatura destinado a professores do ensino secundário na área de Matemática.
Vassoura virou símbolo público do caminho até a graduação
Christopher explicou que decidiu levar a vassoura para a fotografia justamente porque ela havia participado dos seis anos de sua trajetória.
O objeto utilizado diariamente no trabalho passou a ocupar, naquele registro, o mesmo espaço da beca que simbolizava a conclusão acadêmica.
Essa inversão tornou a imagem especialmente forte. Algo que inicialmente causava constrangimento passou a ser mostrado deliberadamente para milhares de pessoas como parte fundamental da conquista.
A mensagem que Saliendra passou a dirigir a outros estudantes trabalhadores era de persistência. Em entrevista à GMA, recomendou que quem estivesse perdendo a motivação recordasse a sensação e os objetivos existentes no momento em que decidiu ingressar na universidade.
História não terminou na fotografia viral de 2018
Documentos oficiais posteriores indicam que a formação escolhida por Christopher efetivamente se transformou em carreira. Registros do Department of Education de South Cotabato incluem Christopher Dahn J. Saliendra entre profissionais vinculados à Surallah National High School.
Um memorando oficial de 2025 relacionado ao desenvolvimento de módulos educacionais também lista Saliendra na Surallah NHS e o associa à área de Matemática e Ciências, reforçando sua permanência no sistema educacional anos depois da formatura.
O detalhe completa a trajetória iniciada muito antes da fotografia. O estudante que limpava uma universidade enquanto estudava para ser professor conseguiu transformar o curso em atuação profissional dentro da educação pública filipina.
Aos 26 anos, Christopher colocou o trabalho no centro da própria conquista
Normalmente, fotografias de formatura procuram eliminar da imagem tudo aquilo que não esteja diretamente relacionado ao ambiente acadêmico.
Christopher Saliendra fez o contrário: colocou diante da câmera justamente o objeto que representava as horas passadas trabalhando para conseguir permanecer naquele ambiente.
A vassoura não substituía o diploma, mas explicava como ele havia chegado até ele. Foram seis anos de universidade, uma graduação planejada para um período menor, serviços de limpeza e trabalhos administrativos executados enquanto avançava em sua preparação para ensinar Matemática.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

