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Aos 29 anos, ex-cortador de cana que pedalava do engenho até a cidade para estudar trabalhou com o pai até as 16h para conseguir pagar a inscrição do vestibular, seguiu apostando na educação apesar das dificuldades e transformou o esforço da família no caminho que o levou à formação em Medicina
Escrito por Carla Teles
Publicado em 12/08/2026 às 10:18
Atualizado em 12/08/2026 às 10:19
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Wellington Gomes nasceu no Engenho Santa Cruz II, em Ribeirão, Pernambuco, trabalhou cortando cana e percorria de bicicleta o caminho até a cidade para estudar. Quando faltou dinheiro para a inscrição do vestibular, o ex-cortador de cana trabalhou com o pai até as 16h e conseguiu pagar a taxa exigida.
A trajetória do ex-cortador de cana Wellington Gomes começou na zona rural de Ribeirão, na Mata Sul de Pernambuco, onde nasceu no Engenho Santa Cruz II e cresceu em uma família que enxergava a educação como possibilidade de mudança. Enquanto trabalhava no corte da cana-de-açúcar, ele também mantinha uma rotina de estudos e percorria de bicicleta o trajeto entre o engenho e a cidade para frequentar a escola.
A história foi publicada pela Folha de Pernambuco em 22 de março de 2021 e atualizada no dia seguinte, quando Wellington estava prestes a concluir Medicina na Faculdade Pernambucana de Saúde, a FPS. A reportagem foi baseada também em um relato publicado por ele no Instagram em 20 de março daquele ano. A fonte não informa sua idade naquela ocasião nem confirma, naquele texto, a data efetiva de conclusão da graduação.
Ex-cortador de cana cresceu no Engenho Santa Cruz II e viu nos estudos uma possibilidade de mudança
Wellington nasceu no Engenho Santa Cruz II, localizado na zona rural de Ribeirão, município da Mata Sul pernambucana marcado historicamente pela produção de cana-de-açúcar. Foi nesse ambiente que ele passou parte da juventude e também trabalhou como cortador de cana, atividade ligada diretamente à rotina econômica da região.
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Ao mesmo tempo, os estudos ocupavam um espaço importante em sua vida. Segundo o próprio Wellington relatou posteriormente, seus pais sempre incentivaram a educação e apresentaram o conhecimento como um caminho possível para construir oportunidades diferentes. Mesmo diante do trabalho rural e das limitações financeiras da família, ele continuou frequentando a escola e apostando na formação.
Bicicleta ligava o engenho à cidade onde Wellington estudava
A distância entre a casa e a escola também fazia parte da rotina. Wellington morava no engenho e utilizava uma bicicleta para chegar diariamente à cidade, onde estudava. O deslocamento se somava ao trabalho e às demais dificuldades enfrentadas por quem vivia na zona rural e dependia dos próprios meios para continuar estudando.
A combinação entre trabalho e educação acompanhou diferentes fases de sua trajetória. O ex-cortador de cana não descreveu a escola como uma atividade separada de sua realidade familiar, mas como parte de um esforço coletivo para tentar ampliar suas possibilidades no futuro. Essa lógica ficou ainda mais evidente quando surgiu uma oportunidade de disputar uma vaga no ensino superior.
Vestibular seriado apareceu como oportunidade ainda no Ensino Médio
Quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, Wellington descobriu que a Universidade de Pernambuco, a UPE, realizava um processo seriado de ingresso. Tratava-se do Sistema Seriado de Avaliação, conhecido pela sigla SSA, que possibilitava ao estudante participar de etapas avaliativas durante os anos escolares.
A notícia representava uma oportunidade, mas veio acompanhada de um problema imediato. Faltavam apenas dois dias para o encerramento das inscrições e Wellington não possuía dinheiro para pagar a taxa. A possibilidade de participar do processo dependia, naquele momento, de conseguir rapidamente os recursos necessários para quitar o boleto.
Pai decidiu trabalhar ao lado do filho para conseguir pagar a inscrição
Diante da falta de dinheiro, Wellington contou ao pai sobre a inscrição. Segundo o relato publicado pelo estudante, o pai decidiu acompanhá-lo no trabalho para que os dois conseguissem reunir o valor necessário antes do encerramento do prazo.
Pai e filho foram trabalhar no Engenho São Pedro, também citado no relato de Wellington. Eles permaneceram na atividade até aproximadamente as 16h. O dinheiro recebido naquele dia teve dois destinos: pagar o boleto referente ao SSA e quitar uma conta de energia da família. Para Wellington, aquele esforço se transformou em um dos primeiros momentos em que sentiu que outras pessoas acreditavam concretamente em seu objetivo de estudar.
Um dia de trabalho ajudou a manter aberta a possibilidade de entrar na universidade
O episódio não significava que a vaga universitária estivesse garantida. O que o trabalho daquele dia proporcionou foi algo mais básico e decisivo naquele momento: a possibilidade de Wellington efetivamente participar do processo seletivo que havia descoberto pouco antes.
A situação evidencia como uma despesa aparentemente simples pode se tornar determinante para estudantes de famílias com poucos recursos. No caso do ex-cortador de cana, o esforço conjunto com o pai permitiu que a falta de dinheiro para uma taxa de inscrição não encerrasse antecipadamente aquele caminho acadêmico.
Educação continuou como eixo da trajetória do pernambucano
Wellington atribuiu aos pais parte importante da maneira como passou a enxergar o estudo. Em sua publicação nas redes sociais, destacou que o caminho percorrido não era resultado apenas de sua própria determinação, mas também da contribuição de diferentes pessoas que acreditaram em seu potencial durante a trajetória.
Essa percepção aparece de forma particularmente forte na relação com o pai. O trabalho realizado pelos dois para pagar a inscrição do vestibular tornou-se um símbolo do esforço familiar por trás do projeto educacional de Wellington. Anos depois, ele recuperaria justamente essa lembrança ao contar publicamente como havia começado sua caminhada em direção à Medicina.
Foto com estetoscópio e facão resumiu duas etapas da mesma história
Ao compartilhar sua trajetória nas redes sociais em março de 2021, Wellington publicou fotografias ao lado do pai. Em uma delas, ele aparece usando um estetoscópio, enquanto o pai segura um facão utilizado no corte da cana-de-açúcar nos engenhos.
A imagem reuniu dois elementos diretamente ligados à história da família: de um lado, a atividade rural que ajudou a sustentar o estudante; de outro, a formação médica que ele estava prestes a concluir naquele momento. O contraste entre o facão e o estetoscópio ajudou a ampliar a repercussão do relato e fez a publicação circular entre internautas.
História ganhou repercussão enquanto Wellington estava prestes a concluir Medicina
Quando a Folha de Pernambuco publicou a reportagem em março de 2021, Wellington era estudante da Faculdade Pernambucana de Saúde, em Pernambuco, e estava prestes a se formar em Medicina. A publicação informa que seu relato havia viralizado nas redes sociais e alcançado repercussão nacional.
Esse ponto é importante para manter a cronologia precisa. A reportagem disponível registra Wellington como futuro médico naquele momento e não apresenta a data posterior de sua formatura. Por isso, com base exclusivamente nessa fonte, é correto afirmar que o ex-cortador de cana chegou à etapa final da graduação em Medicina, mas não determinar quando a conclusão formal aconteceu.
Esforço familiar permaneceu no centro do relato de Wellington
Ao relembrar o episódio da inscrição, Wellington não apresentou a própria trajetória como um resultado individual. Ele destacou a participação do pai e de outras pessoas que contribuíram para que continuasse estudando, associando sua evolução acadêmica à soma de diferentes esforços.
A lembrança daquele dia no Engenho São Pedro ganhou significado justamente porque aconteceu no começo da caminhada. Antes da Faculdade Pernambucana de Saúde, do estetoscópio e da proximidade da formatura, houve uma tarde de trabalho ao lado do pai para garantir simplesmente o direito de participar de uma seleção.
Da cana-de-açúcar à etapa final da graduação em Medicina
A trajetória registrada pela Folha de Pernambuco conecta diferentes cenários da vida de Wellington Gomes: o Engenho Santa Cruz II onde nasceu, o trabalho no corte da cana, os deslocamentos de bicicleta para estudar, a dificuldade para pagar uma inscrição e, anos depois, a fase final do curso de Medicina.
A história do ex-cortador de cana mostra como a continuidade dos estudos foi sustentada não apenas por uma decisão pessoal, mas também pelo esforço familiar que apareceu justamente nos momentos em que os recursos eram insuficientes. Para você, qual parte dessa trajetória mais chama atenção: o deslocamento diário para estudar, o trabalho com o pai para pagar o vestibular ou a persistência até chegar à Medicina? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

