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Aos 29 anos, funcionária da Apple ouve de 95% das pessoas que deveria pedir demissão, prefere trabalhar até 14 horas por dia durante 8 meses e só deixa a empresa quando sua startup exige atenção integral

Aos 29 anos, funcionária da Apple ouve de 95% das pessoas que deveria pedir demissão, prefere trabalhar até 14 horas por dia durante 8 meses e só deixa a empresa quando sua startup exige atenção integral

8 min de leitura

Aos 29 anos, funcionária da Apple ouve de 95% das pessoas que deveria pedir demissão, prefere trabalhar até 14 horas por dia durante 8 meses e só deixa a empresa quando sua startup exige atenção integral

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 28/08/2026 às 15:50

Ciência e Tecnologia

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Imagem Ilustrativa

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Julie Zhu manteve o emprego enquanto construía a Odd One In antes e depois do expediente, juntou reserva para até cinco anos e só abandonou a Apple quando decidiu que havia reduzido os riscos suficientes para apostar integralmente no próprio negócio

Aos 29 anos, Julie Zhu poderia ter seguido o conselho que ouvia repetidamente no ecossistema de startups: abandonar o emprego na Apple e apostar imediatamente no próprio negócio. Em vez disso, fez o contrário. Manteve os dois trabalhos durante oito meses, encarou jornadas de 13 a 14 horas por dia e só deixou a gigante de tecnologia quando considerou que tinha estrutura suficiente para assumir o risco, conforme relato publicado pelo Business Insider em 27 de agosto de 2026.

A decisão chama atenção porque cerca de 95% das pessoas que aconselharam Zhu diziam que ela deveria simplesmente pedir demissão. Afinal, ela tinha um currículo forte e, segundo esses conhecidos, poderia conseguir conversar com fundos de venture capital mesmo antes de definir completamente qual negócio construiria.

Zhu, porém, estabeleceu outra regra: não sairia antes de estar preparada.

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Vontade de empreender existia desde os 18 anos, mas ela não queria saltar sem um plano

Zhu contou que queria se tornar fundadora desde os 18 anos.

Posteriormente, em 2022, começou a trabalhar na Apple. A experiência trouxe aprendizado, mas também colocou a profissional em um ambiente que ela descreveu como de alta pressão e estresse. Além disso, enfrentava síndrome do impostor.

Com o tempo, portanto, a vontade de construir algo próprio ganhou força.

Ela queria criar uma empresa na qual tivesse mais influência sobre as decisões.

Imagem Ilustrativa

Entretanto, isso não significava abandonar imediatamente um emprego confortável.

Quando começou a conversar com conhecidos e pessoas ligadas ao universo das startups, a recomendação era quase sempre a mesma.

Cerca de 95% aconselharam Zhu a sair da Apple.

Para ela, porém, faltava uma peça essencial: segurança suficiente para transformar a vontade de empreender em uma decisão calculada.

Antes de deixar a Apple, ela cria uma lista de condições

Em vez de escolher uma data para pedir demissão, Zhu montou uma espécie de checklist.

Primeiro, precisava de uma ideia concreta na qual realmente acreditasse.

Além disso, queria ter uma equipe e uma base mínima para não entrar no empreendedorismo completamente às cegas.

A segurança financeira também ocupava uma posição central.

Zhu queria acumular entre três e cinco anos de reserva financeira, considerando seus ativos, economias e ações da Apple.

Assim, caso o negócio demorasse a funcionar, ela não dependeria imediatamente da startup para pagar as próprias despesas.

A estratégia contrasta com a imagem frequentemente associada ao empreendedor que larga tudo e tenta descobrir o restante depois.

Para Zhu, justamente o contrário fazia sentido.

Ela queria reduzir o máximo possível das incertezas antes da mudança.

Cofundador aparece em 2024 e ideia começa a sair do papel

No fim de 2024, algumas das condições começaram a se encaixar.

Zhu encontrou um cofundador que já era seu amigo. Portanto, os dois começavam a empresa com uma relação prévia de confiança.

A dupla passou, então, a desenvolver a Odd One In, uma empresa de itens colecionáveis de artistas.

O negócio começou oficialmente em dezembro de 2024.

Ainda assim, Zhu não deixou a Apple.

Antes de incorporar a empresa, inclusive, ela consultou a equipe responsável pela conduta empresarial da Apple para confirmar que poderia desenvolver o negócio enquanto continuasse empregada.

Com essa questão resolvida, surgiu um desafio bem mais prático.

Onde encontrar tempo para construir uma startup trabalhando em período integral?

A resposta seria encontrada nas primeiras horas da manhã e no fim de praticamente todos os dias.

Rotina começa às 5h30 e termina por volta das 22h30

Durante os oito meses seguintes, quase toda a rotina de Zhu passou a girar em torno dos dois trabalhos.

Ela acordava aproximadamente às 5h30.

Primeiro, ia à academia e normalmente fazia exercícios cardiovasculares. Depois, entre 6h e 8h, trabalhava na Odd One In.

Em seguida, começava sua jornada na Apple.

Quando voltava para casa, por volta das 17h, comia e retomava o trabalho na startup.

A segunda jornada frequentemente continuava até aproximadamente 22h30.

Então, ela dormia.

No dia seguinte, começava novamente.

Somando Apple e Odd One In, Zhu calcula que trabalhava aproximadamente 13 a 14 horas em um dia útil típico.

Enquanto outras empresas tentam transformar diferentes tecnologias em novas operações, naquele momento a principal limitação de Zhu era muito mais simples: as horas disponíveis no próprio dia.

Trabalhar até 14 horas tinha um objetivo definido

A jornada era pesada.

Entretanto, Zhu afirma que não enxergava aquelas horas adicionais simplesmente como uma rotina de trabalhar o tempo inteiro.

Havia marcos específicos que queria alcançar antes de pedir demissão.

Essa diferença era importante.

Cada avanço da Odd One In aproximava a empreendedora das condições que havia estabelecido para deixar o emprego.

Além disso, Zhu buscava o apoio da família.

Seus pais também são empreendedores. Ainda assim, ela queria que entendessem por que estava disposta a abrir mão de um emprego corporativo confortável em um período no qual empresas de tecnologia enfrentavam demissões.

Durante o processo de decisão, Zhu também conversou com sua terapeuta.

O objetivo, segundo seu relato, era analisar a mudança de maneira racional e lógica.

Em agosto de 2025, conciliar Apple e startup deixa de funcionar

Durante meses, a estratégia permitiu manter os dois caminhos simultaneamente.

Porém, em agosto de 2025, o equilíbrio começou a desaparecer.

A Odd One In passou a exigir uma parcela maior do tempo de Zhu. Ao mesmo tempo, ela considerava que continuar dividindo sua atenção também já não seria justo com a equipe da Apple.

Nesse ponto, várias condições de seu checklist já estavam atendidas.

Ela tinha:

Então, depois de cerca de quatro anos na Apple, decidiu sair.

A decisão que 95% das pessoas haviam sugerido antes finalmente aconteceu.

A diferença estava no momento.

Zhu não saiu quando os outros acreditavam que deveria sair.

Ela saiu quando acreditou que o risco estava suficientemente controlado.

Startup chega perto de seis dígitos em receita anual, mas fundadora ainda não recebe salário

Depois da saída da Apple, a Odd One In continuou avançando.

Segundo Zhu, a empresa gerou receita anual próxima de seis dígitos em dólares no ano passado.

Esse número exige uma distinção importante.

Trata-se de receita da empresa, e não de lucro ou renda pessoal de Zhu.

Na verdade, a fundadora afirma que ainda não recebe salário da startup.

O dinheiro volta para a operação.

Entre os gastos estão produção, armazenamento, remuneração de artistas e outras despesas necessárias para ampliar o negócio.

A empresa também segue 100% bootstrapped, ou seja, sem capital externo captado de investidores. Zhu e seu cofundador começaram usando as próprias economias.

Esse modelo difere de startups que crescem recorrendo a rodadas de investimento, embora ambos possam servir a estratégias empresariais diferentes.

Reserva acumulada na Apple agora paga suas despesas pessoais

Existe ainda uma consequência direta daquela preparação financeira feita antes da demissão.

Como Zhu não retira salário da Odd One In, precisa de outra fonte para cobrir suas despesas pessoais.

É justamente aí que entra a reserva construída durante sua carreira.

Segundo a empreendedora, ela utiliza economias acumuladas enquanto trabalhava na Apple e em empregos anteriores.

Portanto, os três a cinco anos de segurança financeira que ela desejava não eram apenas uma meta abstrata.

A reserva permitiu separar duas coisas importantes:

o dinheiro necessário para viver e o dinheiro necessário para fazer a empresa crescer.

Assim, a startup pode reinvestir sua receita enquanto Zhu utiliza as economias pessoais.

História contraria a ideia de que empreender exige largar tudo imediatamente

A trajetória de Zhu ganha força justamente porque não segue uma narrativa bastante popular no universo das startups.

Ela não abandonou o emprego de um dia para o outro.

Também não captou milhões antes de começar.

Em vez disso, passou oito meses conciliando dois trabalhos, chegou a jornadas de 14 horas, construiu uma reserva para vários anos e esperou até que a empresa exigisse sua atenção integral.

Depois, pediu demissão.

Ainda assim, a história não demonstra que essa estratégia seja necessariamente melhor para todos os empreendedores.

A própria Zhu reconhece que saltar antes e descobrir o caminho posteriormente pode funcionar para algumas pessoas.

Para ela, porém, preparação era parte essencial da decisão.

Essa lógica também aparece em diferentes trajetórias empresariais, nas quais estabilidade e crescimento nem sempre avançam no mesmo ritmo. Uma empreendedora que deixou uma carreira consolidada, por exemplo, transformou uma marca de café em um novo negócio, embora em circunstâncias bastante diferentes.

De 95% aconselhando a sair a uma decisão tomada no próprio tempo

O contraste resume a história.

Cerca de 95% das pessoas consultadas diziam que Zhu deveria deixar a Apple.

Ela decidiu esperar.

Primeiro, encontrou um cofundador.

Depois, abriu a Odd One In em dezembro de 2024.

Durante os oito meses seguintes, acordou às 5h30 e trabalhou até 13 ou 14 horas por dia somando as duas atividades.

Finalmente, em agosto de 2025, deixou a Apple.

Hoje, a startup já registrou receita anual próxima de seis dígitos, embora Zhu ainda não retire salário e continue financiando as próprias despesas com suas economias.

Assim, o resultado mais interessante talvez não esteja apenas na empresa que ela construiu.

Está na decisão que tomou antes disso: ouvir o conselho de quase todo mundo, recusá-lo por oito meses e só abandonar uma das maiores empresas de tecnologia do mundo quando o próprio plano indicou que havia chegado a hora.

Você trabalharia até 14 horas por dia para construir um negócio antes de deixar um emprego estável ou preferiria pedir demissão e dedicar 100% do tempo à empresa desde o início?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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