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Aos 39 anos, mãe de 2 filhos e trabalhando com faxinas para complementar a renda, Renata Rosa passou 5 meses ouvindo aulas de Direito enquanto limpava casas, resolveu cerca de 2 mil questões e, sem faculdade concluída, foi aprovada já no primeiro concurso para escrevente do TJ/SP, ficando entre os cerca de 100 primeiros colocados
Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/08/2026 às 19:00
Atualizado em 30/08/2026 às 19:01
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Renata Rosa, 39 anos, mãe de dois filhos e sem graduação concluída, trabalhava com faxinas quando encontrou o concurso do TJ/SP para escrevente técnico judiciário. Como o cargo exigia nível médio, organizou cinco meses de preparação, ouviu aulas durante o trabalho, resolveu 2 mil questões e concentrou estudos na Vunesp.
As faxinas faziam parte da rotina profissional de Renata Rosa quando ela começou a pesquisar alternativas de trabalho e encontrou um concurso público que não exigia graduação concluída. Aos 39 anos, mãe de duas crianças pequenas e com experiências anteriores em funções administrativas, ela identificou no cargo de escrevente técnico judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo uma seleção para a qual poderia concorrer com escolaridade de nível médio.
A partir daí, o desafio passou a ser organizar a preparação para uma área com a qual ainda tinha pouca familiaridade. Renata relatou ao portal Migalhas que nunca havia estudado legislação daquela maneira e que precisou distribuir aulas, leitura de leis, exercícios e simulados dentro de aproximadamente cinco meses. Parte das aulas de Direito passou a ser ouvida durante as próprias faxinas, enquanto as atividades que exigiam leitura e resolução de questões ficavam principalmente para outros períodos.
Trabalho com faxinas fazia parte da rotina quando surgiu concurso do TJ/SP
Antes do concurso, Renata havia acumulado experiências profissionais em atividades administrativas, especialmente nas áreas de saúde e fotografia. Também havia ingressado em Letras na Universidade de São Paulo em 2009, mas deixou a graduação após dois anos, em meio a um período de dificuldades pessoais.
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Nos anos seguintes, passou por outras tentativas de formação e por dificuldades para se recolocar profissionalmente. Com necessidade de complementar a renda familiar, começou a fazer faxinas, atividade que conseguia encaixar nos horários disponíveis.
Esse histórico ajuda a explicar por que o concurso chamou sua atenção. A seleção oferecia uma alternativa profissional que não dependia de esperar a conclusão de uma nova graduação, permitindo que Renata se candidatasse com a escolaridade que já possuía.
Cargo de escrevente permitia candidatura com nível médio
O concurso encontrado por Renata era destinado ao cargo de escrevente técnico judiciário do TJ/SP. O edital oficial nº 02/2025 foi publicado em 1º de agosto de 2025 para formação de cadastro de reserva na Capital e em circunscrições da 1ª Região Administrativa Judiciária.
Como a função admitia candidatura com escolaridade de nível médio, a ausência de uma graduação concluída não impedia sua participação naquele processo seletivo. Esse requisito foi determinante para que ela pudesse disputar imediatamente uma classificação.
O concurso passou a funcionar como uma alternativa concreta de ingresso em carreira pública sem exigir, naquele momento, diploma universitário. A partir da decisão de participar, Renata precisou construir praticamente do zero sua preparação para as matérias jurídicas.
Curso preparatório entrou como recurso para organizar o conteúdo
Segundo o relato publicado pelo Migalhas, Renata não tinha recursos disponíveis para custear sozinha um curso preparatório e recebeu ajuda da mãe para pagar o material de estudo. A função desse recurso, na rotina, era estruturar conteúdos que ainda eram novos para ela.
Inicialmente, a preparação ficava concentrada no período noturno. Depois do trabalho e das demais tarefas, ela acompanhava aulas e avançava nas matérias previstas para a seleção.
O problema era o volume de conteúdo diante do tempo disponível. Foi essa limitação de agenda que levou Renata a modificar o método de estudo e aproveitar parte da jornada profissional para acompanhar aulas em áudio.
Cinco meses separaram edital e realização da prova
Assista o vídeo
O edital do concurso foi publicado em agosto de 2025. As inscrições ocorreram de 13 de agosto a 22 de setembro, segundo o cronograma oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A prova objetiva e discursiva foi realizada em 7 de dezembro de 2025, na cidade de São Paulo. O TJ/SP informou que o certame teria etapa única, com uma prova objetiva de 70 questões de múltipla escolha e uma redação.
Entre a divulgação do edital e a aplicação da prova, Renata concentrou aproximadamente cinco meses de preparação. O período foi organizado em uma sequência prática: aulas, revisão, legislação, resolução de questões, análise de erros e simulados.
Aulas de Direito passaram a acompanhar parte da rotina de faxinas
Depois de perceber que estudar apenas à noite limitava o avanço sobre o conteúdo, Renata passou a utilizar fones de ouvido para acompanhar aulas de Direito enquanto realizava faxinas.
O formato em áudio permitia aproveitar determinadas atividades profissionais para manter contato com as matérias. Não substituía, porém, as etapas que exigiam leitura, escrita ou análise detalhada.
As faxinas passaram a abrigar principalmente o consumo das aulas, enquanto legislação, exercícios e revisões eram distribuídos pelos períodos em que ela conseguia trabalhar com material escrito. Dessa forma, diferentes tipos de estudo eram encaixados em diferentes momentos da rotina.
Período noturno era usado para legislação e exercícios
À noite, Renata retomava os assuntos que havia acompanhado ao longo do dia. Esse período era usado para consultar a legislação, revisar conceitos e resolver questões relacionadas às disciplinas cobradas no concurso.
Os fins de semana também serviam para manter o contato com o conteúdo, embora precisassem ser conciliados com a rotina familiar. A maternidade, nesse contexto, aparece como uma restrição objetiva de agenda: havia dois filhos pequenos em casa e o tempo de preparação precisava ser organizado ao redor das demais atividades.
O método não dependia apenas de aumentar o número de horas de estudo, mas de atribuir funções diferentes aos períodos disponíveis. Áudio durante determinadas tarefas, leitura em outros horários e exercícios quando era possível manter maior concentração.
Cerca de 2 mil questões ajudaram a estudar o padrão da Vunesp
Renata relatou ter resolvido aproximadamente 2 mil questões durante os cinco meses de preparação. O número, porém, não era o único elemento de sua estratégia. Parte importante do estudo foi direcionada especificamente à Fundação Vunesp, organizadora do concurso.
A candidata procurava identificar padrões recorrentes da banca e analisar não apenas as respostas corretas, mas também os motivos dos erros. Quando havia dúvida, voltava à legislação para verificar qual regra sustentava determinada alternativa.
A preparação para a Vunesp foi, portanto, orientada por resolução de questões + análise do erro + consulta à lei. O objetivo era adaptar o estudo ao estilo da prova que efetivamente seria enfrentada em dezembro.
Simulados cronometrados reproduziam condições da prova
Outra ferramenta utilizada foram os simulados. Em dias disponíveis, Renata organizava sessões de questões e usava o celular para controlar o tempo, tentando reproduzir a pressão temporal existente em uma prova real.
Depois de terminar, voltava aos exercícios para analisar os erros e identificar assuntos que ainda exigiam revisão. Dessa forma, o simulado não terminava quando o cronômetro parava.
A estratégia fazia sentido diante da estrutura oficial do concurso. A prova objetiva teria 70 questões, além de redação, aplicada dentro de uma única etapa do processo seletivo, o que tornava administração do tempo parte da preparação.
Primeira tentativa terminou em classificação no concurso do TJ/SP
Depois de aproximadamente cinco meses de preparação, Renata realizou sua primeira prova de concurso público e conseguiu classificação no certame para escrevente técnico judiciário.
Segundo o Migalhas, ela ficou em uma posição considerada favorável, descrita pela fonte como “na casa dos 100 colocados”. Como a reportagem não informa uma colocação exata, não é possível afirmar com precisão se foi 90ª, 100ª ou outra posição específica dentro dessa faixa.
O resultado precisa ser descrito como aprovação ou classificação no concurso, e não como ingresso já efetivado no Tribunal. Isso ocorre porque o processo foi aberto para formação de cadastro de reserva.
Cadastro reserva significa que aprovação não garante nomeação imediata
O edital oficial deixa claro que o concurso foi aberto para formação de cadastro de reserva de escreventes técnicos judiciários.
Isso significa que a classificação cria a possibilidade de convocação durante a validade do concurso, mas não representa automaticamente nomeação imediata para o cargo. A existência de candidato aprovado no cadastro não obriga, por si só, que ele comece a trabalhar imediatamente no Tribunal.
Após a homologação, o TJ/SP informou que o concurso terá validade de um ano, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período a critério da instituição.
Por isso, Renata continua aguardando eventual convocação enquanto mantém trabalho e estudos.
Classificação foi seguida por nova etapa de qualificação profissional
Depois do resultado, Renata não interrompeu a rotina profissional. Segundo o Migalhas, continuou trabalhando enquanto aguardava os próximos movimentos do cadastro de reserva.
Paralelamente, iniciou um tecnólogo em Serviços Jurídicos e Notariais, com previsão de conclusão em 2027. Também manifestou interesse em futuramente cursar Direito e ampliar as possibilidades de participação em seleções que exijam ensino superior.
A sequência passa, assim, a ser profissional: classificação em concurso de nível médio → continuidade da formação → possibilidade futura de disputar cargos com requisitos acadêmicos mais elevados.
Concurso de nível médio funcionou como porta de entrada para planejamento de carreira pública
Retirados os elementos pessoais da trajetória, permanece uma sequência objetiva de preparação profissional. Uma trabalhadora encontrou uma seleção de nível médio, verificou que atendia aos requisitos, organizou cinco meses de estudo, direcionou a preparação à Vunesp, resolveu cerca de 2 mil questões, fez simulados e conseguiu classificação em sua primeira participação.
As faxinas continuam sendo parte importante da história porque mostram como um método de preparação pode ser integrado à jornada profissional existente. Elas não aparecem como ocupação da qual Renata precisava “escapar”, mas como o trabalho que exercia enquanto estruturava uma alternativa de carreira.
O caso também mostra que estudar para concurso enquanto se trabalha pode exigir mais do que simplesmente reservar algumas horas: pode envolver escolher recursos compatíveis com cada momento da rotina, estudar a banca e transformar erros em material de revisão.
Na sua opinião, para quem trabalha durante o dia e pretende disputar concurso público, o que faz mais diferença na preparação: estudo direcionado à banca, resolução de questões, simulados ou organização do tempo? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

