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Aos 40 anos, Joel Marques perdeu a casa após um desabamento e passou a viver em um albergue de Santa Cruz do Sul, onde estudou pela internet num canto da administração, conquistou o 3º lugar entre 66 candidatos para trabalhar como recenseador do IBGE e planejou usar a renda para voltar a ter uma moradia

Aos 40 anos, Joel Marques perdeu a casa após um desabamento e passou a viver em um albergue de Santa Cruz do Sul, onde estudou pela internet num canto da administração, conquistou o 3º lugar entre 66 candidatos para trabalhar como recenseador do IBGE e planejou usar a renda para voltar a ter uma moradia

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Aos 40 anos, Joel Marques perdeu a casa após um desabamento e passou a viver em um albergue de Santa Cruz do Sul, onde estudou pela internet num canto da administração, conquistou o 3º lugar entre 66 candidatos para trabalhar como recenseador do IBGE e planejou usar a renda para voltar a ter uma moradia

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 19/08/2026 às 00:23

Atualizado em 19/08/2026 às 00:26

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Imagem ilustrativa representa Joel Marques estudando pela internet no albergue onde viveu antes de conquistar o terceiro lugar entre 66 candidatos na seleção para recenseador do IBGE.

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Depois de perder a casa e passar a viver em um albergue, um homem encontrou nos estudos para uma seleção do IBGE uma oportunidade de reconstruir a própria vida, mesmo sem estrutura convencional de preparação. Meses de dedicação pela internet terminaram no terceiro lugar entre 66 candidatos, uma vaga temporária como recenseador e novos planos de moradia.

Joel Marques, de 40 anos, estava desempregado e havia perdido a própria casa quando decidiu disputar uma seleção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

A pequena residência onde vivia desabou depois que cupins comprometeram sua estrutura. O imóvel também ficava em uma área atingida por problemas relacionados a enchentes.

Sem condições de reconstruir a moradia e sem ter para onde ir, Joel procurou o Albergue Municipal de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, em maio de 2017.

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Joel Marques durante o período em que viveu no Albergue Municipal de Santa Cruz do Sul, onde encontrou apoio para estudar e disputar uma vaga temporária no IBGE.

Foi dentro do abrigo, usando um computador instalado em um canto da administração, que ele encontrou uma possibilidade de mudar aquela realidade.

Durante meses, Joel estudou pela internet para participar da seleção do Censo Agropecuário. O esforço terminou com o terceiro lugar entre 66 candidatos interessados no trabalho temporário de recenseador.

Administração abriu uma exceção

O Albergue Municipal funcionava principalmente como um espaço de acolhimento noturno. Durante o dia, os moradores normalmente precisavam deixar o local.

A administração, porém, abriu uma exceção para que Joel permanecesse no abrigo enquanto se preparava para a prova.

Sem uma sala de estudos ou estrutura específica, ele ocupava um canto do setor administrativo e acessava os materiais disponíveis na internet.

Joel também recebeu apoio do Cras Integrar, que disponibilizou um computador e auxiliou no processo de inscrição.

O ensino médio completo e os conhecimentos de informática facilitaram sua adaptação às ferramentas digitais. Ainda assim, a aprovação exigiu dedicação em um período marcado pela falta de emprego, renda e moradia.

Prova abria caminho para o Censo Agropecuário

A seleção buscava profissionais para trabalhar no Censo Agropecuário de 2017.

Os recenseadores teriam a responsabilidade de visitar propriedades rurais, entrevistar produtores e registrar informações utilizadas nas pesquisas do IBGE.

Em Santa Cruz do Sul, 66 pessoas disputaram as oportunidades disponíveis.

Joel realizou a prova em julho e aguardou a divulgação do resultado, publicada no início de setembro daquele ano.

A terceira colocação ficou acima de sua expectativa. Mesmo assim, ele acreditava que poderia conquistar uma vaga porque havia estudado intensamente durante os meses anteriores.

O resultado mostrou que a preparação realizada dentro do albergue havia sido suficiente para superar a maior parte dos concorrentes.

Joel Marques celebra a conquista do terceiro lugar entre 66 candidatos na seleção para trabalhar como recenseador do IBGE em Santa Cruz do Sul.

Emprego representava chance de reconstrução

A função de recenseador era temporária e não garantia a estabilidade oferecida por um cargo público efetivo.

Para Joel, entretanto, aquela oportunidade representava o primeiro passo para recuperar a autonomia.

Sua principal prioridade era voltar a ter uma casa. A renda obtida com o trabalho permitiria iniciar a reorganização financeira e planejar a saída do albergue.

A aprovação também devolveu uma perspectiva profissional em um momento no qual ele enfrentava diferentes formas de vulnerabilidade.

A história foi publicada pela Gazeta do Sul em setembro de 2017.

Aprovação deixou um legado no albergue

O impacto da trajetória de Joel não terminou com a conquista da vaga.

Em 2018, o Albergue Municipal instalou um computador e uma impressora para atender outros moradores interessados em procurar emprego, preparar currículos ou estudar.

Faixa instalada pelos colegas do Albergue Municipal de Santa Cruz do Sul celebra a aprovação de Joel Marques em terceiro lugar na seleção do IBGE.

A estrutura permitiu que novas pessoas em situação de vulnerabilidade tivessem acesso a ferramentas digitais dentro do próprio espaço de acolhimento.

Dessa forma, uma preparação que começou de maneira improvisada, em um canto da administração, ajudou a criar uma oportunidade permanente para outros moradores.

A conquista do terceiro lugar entre 66 candidatos abriu uma porta para Joel e mostrou como o acesso à informática pode contribuir para a reconstrução de trajetórias.

O que mais chama sua atenção nessa história: a aprovação alcançada em condições tão difíceis ou o legado deixado para os outros moradores do albergue?

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Caio Aviz

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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