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Aos 46 anos, cozinheira que deixou a escola aos 10 por dificuldade de transporte volta a estudar pela EJA, supera vergonha de dividir sala com alunos mais jovens e agora quer cursar Gastronomia, enquanto número de universitários com 40 anos ou mais cresceu 93,84% em 11 anos

Aos 46 anos, cozinheira que deixou a escola aos 10 por dificuldade de transporte volta a estudar pela EJA, supera vergonha de dividir sala com alunos mais jovens e agora quer cursar Gastronomia, enquanto número de universitários com 40 anos ou mais cresceu 93,84% em 11 anos

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Aos 46 anos, cozinheira que deixou a escola aos 10 por dificuldade de transporte volta a estudar pela EJA, supera vergonha de dividir sala com alunos mais jovens e agora quer cursar Gastronomia, enquanto número de universitários com 40 anos ou mais cresceu 93,84% em 11 anos

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 29/08/2026 às 12:36

Atualizado em 29/08/2026 às 12:37

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Aos 46 anos, cozinheira do MEC retoma os estudos pela EJA após deixar a escola aos 10 e agora pretende entrar na faculdade de Gastronomia.

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Maria de Lurdes Teixeira de Souza, cozinheira do MEC, retomou os estudos aos 46 anos pela EJA após ter deixado a escola aos 10, no Piauí, por dificuldades de deslocamento. Agora, quer cursar Gastronomia, enquanto a presença de universitários com 40 anos ou mais cresceu 93,84% entre 2011 e 2022.

Maria de Lurdes Teixeira de Souza voltou à sala de aula aos 46 anos, décadas depois de interromper os estudos ainda na infância. Cozinheira no Ministério da Educação (MEC), a piauiense retomou a escolarização pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e agora tem como próximo objetivo chegar ao ensino superior para estudar Gastronomia.

Segundo reportagem do Diário do Comércio, publicada em 29 de agosto de 2026 e assinada por Pedro Silvini, Lurdes deixou a escola aos 10 anos devido às dificuldades de deslocamento no interior do Piauí. A retomada ocorreu pela EJA do Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Ministério da Educação (Cetremec).

Lurdes deixou a escola aos 10 anos por dificuldades de deslocamento no Piauí

Aos 46 anos, cozinheira do MEC retoma os estudos pela EJA após deixar a escola aos 10 e agora pretende entrar na faculdade de Gastronomia.

A trajetória escolar de Lurdes foi interrompida quando ela ainda era criança. Aos 10 anos, as dificuldades para se deslocar no interior do Piauí fizeram com que ela deixasse os estudos.

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Os anos seguintes foram dedicados à vida adulta e à construção de uma trajetória profissional. Lurdes tornou-se cozinheira e passou a trabalhar no Ministério da Educação, mas a formação escolar que havia ficado para trás voltou a fazer parte de seus planos.

Aos 46 anos, cozinheira encontrou na EJA o caminho de volta à sala de aula

Aos 46 anos, Lurdes retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos, modalidade voltada justamente a pessoas que não conseguiram concluir a educação básica na idade considerada regular.

O retorno ocorreu no Cetremec e representou a retomada de uma etapa interrompida havia décadas. A cozinheira passou novamente a conviver com cadernos, leitura, escrita e atividades escolares.

Vergonha de estudar com alunos mais jovens quase virou uma barreira

Lurdes admitiu que a diferença de idade em relação a outros estudantes provocou vergonha antes da volta à escola. A presença de alunos mais jovens fazia com que ela hesitasse diante da possibilidade de retomar os estudos.

“Eu tinha vergonha de voltar para a sala de aula. Pensava: ‘Nossa, eu, com essa idade, junto com os garotinhos lá’”, contou. A oportunidade de voltar a estudar, porém, falou mais alto. “Mas aí surgiu essa oportunidade, deixei a vergonha de lado e encarei.”

Leitura e escrita passaram a facilitar tarefas da vida cotidiana

O aprendizado não ficou restrito às atividades escolares. O domínio da leitura e da escrita começou a aparecer em situações comuns da rotina de Lurdes, incluindo tarefas que antes exigiam mais dificuldade.

Ela passou a conseguir auxiliar o filho nas atividades escolares, compreender bulas de medicamentos e consultar receitas culinárias. São resultados que chegaram antes mesmo da conclusão de seu objetivo mais ambicioso.

Cozinheira agora pretende transformar experiência profissional em curso de Gastronomia

A relação de Lurdes com a cozinha já faz parte de sua trajetória profissional. Como cozinheira do Ministério da Educação, ela acumulou uma experiência prática que agora pretende aproximar da formação acadêmica.

O próximo objetivo é entrar na faculdade e cursar Gastronomia. A possibilidade de chegar ao ensino superior transforma a profissão que já exerce em ponto de partida para uma nova etapa educacional.

“Nunca é tarde para aprender”, afirma Lurdes

Lurdes resume a decisão de voltar à escola em uma frase: “Nunca é tarde para aprender, não interessa que idade seja”.

A experiência de retornar à sala de aula depois de décadas também colocou a cozinheira diante de uma mudança maior observada no Brasil: a presença crescente de pessoas mais velhas dentro das universidades.

Número de universitários com 40 anos ou mais cresceu 93,84% em 11 anos

Dados do Inep citados pela reportagem mostram que a presença de estudantes com 40 anos ou mais no ensino superior aumentou 93,84% entre 2011 e 2022.

O intervalo de 11 anos registrou, portanto, uma forte expansão desse grupo nas universidades brasileiras. A tendência contrasta com a ideia de que começar ou retomar uma graduação seria um projeto limitado aos mais jovens.

Quase 600 mil pessoas com 40 anos ou mais entraram na universidade em 2022

Somente em 2022, quase 600 mil pessoas com 40 anos ou mais ingressaram em universidades brasileiras, segundo os dados mencionados na fonte.

Estudantes acima dos 40 anos representam aproximadamente 13,4% dos universitários do país, contingente equivalente a cerca de 1,2 milhão de pessoas.

Presença de alunos acima dos 40 anos cresceu 33% entre 2019 e 2021

O avanço também aparece quando se observa um período mais curto. Entre 2019 e 2021, o número de universitários com mais de 40 anos aumentou 33%, conforme os dados do Censo da Educação Superior citados pela reportagem.

A movimentação também foi identificada em instituições específicas. Na Universidade de Fortaleza, o total de estudantes nessa faixa etária matriculados no semestre 2023.1 aumentou 29,37% em comparação com 2022.1.

EJA perdeu 1,1 milhão de matrículas entre 2015 e 2024

Enquanto mais adultos chegam às universidades, a Educação de Jovens e Adultos enfrenta movimento diferente. O número de matrículas na EJA caiu de aproximadamente 3,5 milhões em 2015 para 2,4 milhões em 2024.

A redução foi de cerca de 1,1 milhão de estudantes no período. Segundo os dados do Censo Escolar citados na reportagem, 2024 teve o menor número de matrículas na modalidade em duas décadas.

Brasil tem 68 milhões de pessoas que não concluíram a educação básica

O público potencial para modalidades como a EJA continua numeroso. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-IBGE) indicam que 68 milhões de pessoas não concluíram a educação básica.

Dentro desse universo, aproximadamente 9,3 milhões de pessoas são analfabetas. Mais da metade dos brasileiros que não sabem ler e escrever tem 60 anos ou mais.

Cerca de 1 milhão de analfabetos tem entre 15 e 39 anos

A falta de alfabetização não está restrita à população idosa. Segundo os dados apresentados, cerca de 1 milhão de pessoas analfabetas no Brasil têm entre 15 e 39 anos.

A EJA foi estruturada para alcançar justamente jovens e adultos que, por diferentes razões, não tiveram oportunidade de concluir a educação básica no período regular.

Próximo objetivo de Lurdes é chegar à faculdade de Gastronomia

Aos 46 anos, Maria de Lurdes Teixeira de Souza ainda não chegou ao fim do projeto que retomou pela EJA. Depois de superar a vergonha de voltar à sala de aula e perceber efeitos concretos da alfabetização em sua rotina, ela pretende seguir estudando.

O próximo passo desejado pela cozinheira é ingressar no ensino superior e cursar Gastronomia, em um momento no qual a presença de brasileiros com 40 anos ou mais nas universidades cresceu 93,84% entre 2011 e 2022.

Na sua opinião, histórias como a de Lurdes podem incentivar mais adultos a retomar os estudos depois de anos ou décadas longe da escola? Deixe sua opinião nos comentários.

Tags

educação de jovens e adultos


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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