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Aos 46 anos e depois de passar 40 deles em circos, elefanta Lady resgatada pelo Ibama esperava num zoológico da Paraíba em condições precárias a vaga que faria dela a nova moradora do santuário na Chapada dos Guimarães
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/08/2026 às 12:10
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Lady, elefanta asiática de 46 anos, passou 40 anos em circos e seis no zoológico da Bica, na Paraíba, em João Pessoa. Resgatada pelo Ibama em 2013, aguardava a transferência para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães, após decisão tomada em audiência pública em 30 de outubro.
A elefanta Lady chegou aos 46 anos depois de passar 40 deles em circos e outros seis no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa. Resgatada pelo Ibama em 2013, ela permanecia no zoológico paraibano enquanto avançava o processo que autorizaria sua transferência para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Mato Grosso.
Segundo reportagem publicada pelo Conexão Planeta em 15 de novembro de 2019, e atualizada em 22 de novembro daquele ano, o destino de Lady foi definido após uma longa negociação. Uma audiência pública realizada em João Pessoa em 30 de outubro decidiu pela transferência definitiva da elefanta para o santuário localizado na Chapada dos Guimarães.
Lady passou 40 dos seus 46 anos vivendo em circos
Lady viveu a maior parte da vida trabalhando em circos. Dos 46 anos que tinha em 2019, cerca de 40 foram passados nesse ambiente, antes de chegar ao zoológico da Bica.
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A elefanta asiática estava no Circo Europeu Internacional quando foi retirada pelo Ibama do Rio Grande do Norte, em 2013. Depois do resgate, o órgão encaminhou o animal ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara, onde permaneceria pelos seis anos seguintes.
Ibama resgatou a elefanta do Circo Europeu Internacional em 2013
O Ibama transferiu Lady para João Pessoa depois do resgate, mas o zoológico não possuía um recinto considerado adequado para recebê-la. Segundo a reportagem, a direção afirmou inicialmente que o espaço utilizado seria provisório até que uma instalação apropriada fosse construída.
Em janeiro de 2014, quase um ano depois do confisco, ativistas, integrantes da mídia e políticos denunciaram as condições em que a elefanta permanecia. Lady continuava no mesmo espaço e, conforme o relato, sem acompanhamento veterinário adequado.
Especialistas do santuário acompanhavam Lady desde 2010
A equipe que mais tarde participaria diretamente da transferência já conhecia a situação de Lady havia anos. Especialistas do Santuário de Elefantes Brasil acompanhavam a elefanta desde 2010, quando ela ainda estava em outro circo e fazia apresentações em Minas Gerais.
Kat Blais, diretora e veterinária do santuário, relatou que os maus-tratos continuaram posteriormente em um circo no Rio Grande do Norte. O contato mais próximo com o caso ocorreu depois que o então deputado Ricardo Tripoli pediu ajuda à equipe para avaliar a situação em João Pessoa.
Lady ficava acorrentada em espaço onde conseguia dar poucos passos
Representantes do santuário conversaram com a Prefeitura de João Pessoa e com a Secretaria do Meio Ambiente. Um integrante do conselho do SEB também foi enviado ao local para visitar Lady e se reunir com veterinários, direção do zoológico e representantes do poder público.
A avaliação apresentada pela reportagem descreveu uma situação preocupante: Lady permanecia acorrentada em uma área pequena, onde conseguia dar apenas alguns passos. O tamanho reduzido do recinto também criava dificuldades para manejar com segurança um animal de seu porte.
Perícia do MPF apontou maus-tratos e risco de morte em julho de 2019
Uma perícia realizada em julho de 2019 por médicos veterinários enviados pelo Ministério Público Federal (MPF) concluiu que Lady sofria maus-tratos e corria risco de morte.
A prefeitura tentou contestar o relatório e propôs a realização de uma nova perícia. Em 7 de agosto, porém, a gestão municipal divulgou um comunicado afirmando que a elefanta deveria ser levada para “um lugar mais adequado”.
Problemas nas patas incluíam osteomielite
Kat Blais afirmou que a saúde de Lady estava comprometida pela falta de cuidados veterinários durante os anos de cativeiro. Os problemas nas patas haviam se agravado e incluíam osteomielite, uma inflamação do osso provocada por infecção.
Scott Blais, diretor do SEB, considerava as patas de Lady entre as três em piores condições que havia encontrado desde que começou a trabalhar com elefantes. A equipe também apontava a necessidade de tratamento especializado que o zoológico não tinha estrutura e experiência suficientes para oferecer.
Luzes dos espetáculos também teriam provocado doença em um dos olhos
Lady apresentava ainda uma doença em um dos olhos atribuída às luzes utilizadas nos espetáculos de circo, segundo a avaliação relatada por Kat Blais. A combinação dos problemas exigia acompanhamento específico.
A veterinária explicou que o zoológico não conseguia suprir todas as necessidades da elefanta por falta de estrutura adequada e segura para o tratamento, além de experiência suficiente no manejo de elefantes nessas condições.
Audiência de 30 de outubro decidiu transferência para Mato Grosso
As negociações envolveram o Santuário de Elefantes Brasil, associações de proteção animal, o Ibama, a Secretaria do Meio Ambiente e representantes do poder público. As instalações do santuário também passaram por avaliação técnica antes da decisão.
Uma audiência pública realizada em João Pessoa em 30 de outubro de 2019 definiu que Lady seria transferida definitivamente para o SEB. A previsão apresentada naquele momento era de que ela deixasse a Bica em até 45 dias.
Caixa de transporte saiu do santuário rumo a João Pessoa em 14 de novembro
A operação começou a ganhar forma em 14 de novembro, quando a caixa preparada para transportar Lady deixou o santuário rumo ao zoológico paraibano. A previsão informada na ocasião era de seis dias de viagem até João Pessoa.
A chegada da caixa seria seguida por uma etapa de adaptação. Lady precisaria entrar e sair do equipamento repetidas vezes, atraída por alimentos, até demonstrar familiaridade suficiente para iniciar a viagem.
Adaptação à caixa poderia levar vários dias antes da partida
O transporte de uma elefanta exige uma operação gradual. A equipe planejava treinar Lady para entrar na caixa sem pressa, primeiro atraindo-a para dentro com alimentos e depois conduzindo-a novamente para fora.
Somente depois dessa adaptação o equipamento seria colocado no caminhão para a viagem. Scott Blais lideraria a equipe durante o deslocamento, com monitoramento constante e velocidade definida de acordo com a reação da própria Lady.
Tratamento das patas incluía água aquecida e ervas
Na atualização publicada em 22 de novembro de 2019, a equipe do Santuário Elefantes Brasil informou que Lady estava se adaptando bem à caixa de transporte. Scott Blais e veterinários da equipe acompanhavam o processo.
As patas seriam mergulhadas em uma infusão de água aquecida e algumas ervas para tentar diminuir a inflamação. O santuário explicou que problemas desse tipo são comuns em elefantes mantidos por muito tempo em espaços reduzidos e sobre superfícies duras, como cimento e concreto.
Santuário havia recebido suas primeiras elefantas em 2016
O Santuário de Elefantes Brasil é apresentado pela reportagem como o primeiro santuário de elefantes da América Latina. A estrutura ficou pronta em 2016 e recebeu inicialmente Maia e Guida, duas elefantas asiáticas retiradas de suas famílias ainda filhotes para viver em circos.
Rana chegou ao local em janeiro de 2019, depois de viver no zoológico de um hotel-fazenda em Aracaju, Sergipe. Guida morreu inesperadamente em julho daquele ano, depois de aproximadamente três anos no santuário.
Ramba chegou do Chile um mês antes da decisão sobre Lady
Ramba foi a moradora mais recente antes da transferência planejada para Lady. A elefanta chegou em outubro de 2019, vinda do Parque de Rancágua, perto da Cordilheira dos Andes, no Chile.
Naquele momento, Ramba, Rana e Maia viviam juntas no santuário. Com a transferência definida, Lady passaria a integrar o grupo e receber cuidados especializados até o fim da vida.
Outros quatro elefantes da Argentina também estavam nos planos do santuário
O SEB também havia anunciado a futura chegada de Pocha, Guilhermina, Kenya e Tamy, grupo chamado de Mendoza4. Os quatro viviam no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e a doação ao santuário já estava acertada.
Pocha e Guilhermina, ambas asiáticas, deveriam chegar primeiro e compartilhar a área destinada às elefantas dessa espécie. Kenya é africana e precisava de um espaço separado, enquanto Tamy, único macho previsto até então, dependeria de um habitat próprio com cercas maiores e mais resistentes.
Lady seguiria para a Chapada dos Guimarães após adaptação e preparação do transporte
Lady aguardava a conclusão das etapas necessárias para deixar João Pessoa e seguir até o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães. A transferência já havia sido aprovada e dependia da adaptação à caixa e da execução de uma operação de transporte acompanhada pela equipe especializada.
O planejamento previa uma viagem de vários dias, com monitoramento constante do comportamento e das condições da elefanta. Depois de 40 anos em circos e seis no zoológico da Bica, o destino definido para Lady era o santuário onde já viviam Maia, Rana e Ramba.
Para você, a transferência de animais que passaram décadas em circos e zoológicos para santuários especializados deveria ser ampliada em casos semelhantes? Deixe sua opinião nos comentários.
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elefanta Lady
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

