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Aos 5 anos, menino autista começa sozinho a desenhar estruturas tridimensionais e depois cria na própria mente uma cidade de quase 12 milhões de habitantes: Gilles Tréhin projetou bairros, aeroportos, edifícios, história, economia e infraestrutura em centenas de desenhos

Aos 5 anos, menino autista começa sozinho a desenhar estruturas tridimensionais e depois cria na própria mente uma cidade de quase 12 milhões de habitantes: Gilles Tréhin projetou bairros, aeroportos, edifícios, história, economia e infraestrutura em centenas de desenhos

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Aos 5 anos, menino autista começa sozinho a desenhar estruturas tridimensionais e depois cria na própria mente uma cidade de quase 12 milhões de habitantes: Gilles Tréhin projetou bairros, aeroportos, edifícios, história, economia e infraestrutura em centenas de desenhos

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 14/08/2026 às 06:45

Atualizado em 14/08/2026 às 06:46

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Gilles Tréhin começou a desenhar em três dimensões aos 5 anos e, ainda jovem, criou Urville, uma metrópole imaginária de quase 12 milhões de habitantes

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Gilles Tréhin começou a desenhar em três dimensões aos 5 anos e, ainda jovem, criou Urville, uma metrópole imaginária de quase 12 milhões de habitantes com bairros, avenidas, aeroportos, edifícios, história, economia e cultura próprias, registrada em centenas de desenhos arquitetônicos.

Quando Gilles Tréhin tinha apenas 5 anos, começou espontaneamente a produzir desenhos em três dimensões sem ter recebido treinamento para isso. O francês, nascido em 1972 e posteriormente diagnosticado com autismo, transformaria aquela habilidade infantil em um projeto de proporções incomuns: uma cidade imaginária tão detalhada que ganhou população, bairros, avenidas, aeroportos, prédios públicos, sistema econômico, acontecimentos históricos e até consequências próprias da Segunda Guerra Mundial.

A cidade recebeu o nome de Urville. Na versão documentada em seu livro, a metrópole imaginária possui quase 12 milhões de habitantes. A editora Jessica Kingsley Publishers descreve a obra como um guia ilustrado composto por quase 300 desenhos de diferentes regiões, enquanto Tréhin desenvolveu durante décadas um universo urbano que existe essencialmente em sua mente e no papel.

Gilles Tréhin começou a desenhar em três dimensões aos 5 anos

Segundo reportagem do The Guardian, Tréhin começou a desenhar tridimensionalmente aos 5 anos, sem que alguém tivesse lhe ensinado a técnica. Sua mãe, Chantal, relatou que desde muito pequeno ele demonstrava interesses intensos por temas como aviões, números de telefone, montanhas e edifícios incomuns.

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A biografia publicada pela Hachette confirma que ele desenhava desde os 5 anos e destaca habilidades também em matemática, música e idiomas.

A construção sistemática de Urville, entretanto, veio depois: a editora informa que ele desenvolvia sua visão da cidade desde aproximadamente os 15 anos.

O contraste é justamente o que torna o caso extraordinário. O que começou como desenhos infantis evoluiu para um projeto urbanístico imaginário mantido por décadas, no qual os edifícios não aparecem isoladamente. Cada construção pertence a uma cidade maior, com localização, função, bairro e relação com uma história criada pelo próprio artista.

Urville nasceu quando uma cidade de Lego ficou grande demais para ser construída

A origem de Urville está ligada também à fascinação de Tréhin por aviões. Ainda criança, ele montava um aeroporto de Lego para suas aeronaves de brinquedo e percebeu que, para aquele aeroporto existir dentro de um contexto coerente, precisaria haver uma cidade ao redor.

Havia um problema prático: a cidade que imaginava seria grande demais para ser reproduzida com peças de Lego.

A solução encontrada foi desenhá-la. A partir daí, o papel eliminou as limitações físicas e permitiu que o projeto crescesse continuamente.

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Com os anos, a ideia deixou de ser apenas um conjunto de construções. Tréhin passou a desenvolver diferentes distritos, zonas urbanas, edifícios públicos, ruas, avenidas, escolas, igrejas, áreas comerciais e outras estruturas que normalmente surgiriam ao longo da evolução de uma metrópole verdadeira.

Cidade imaginária chegou a 11.820.257 habitantes

Em 2006, o The Guardian registrou uma população imaginária extraordinariamente precisa para Urville: 11.820.257 habitantes. Na lógica criada por Tréhin, isso faria dela uma das maiores metrópoles europeias.

A editora do livro arredonda essa população para quase 12 milhões de pessoas. Evidentemente, nenhum desses habitantes existe de fato: eles fazem parte da construção ficcional usada por Tréhin para conferir escala e coerência ao funcionamento de sua cidade.

Gilles Tréhin começou a desenhar em três dimensões aos 5 anos e, ainda jovem, criou Urville, uma metrópole imaginária de quase 12 milhões de habitantes

Urville também ganhou uma localização imaginária. Ela ocupa grande parte de uma ilha mediterrânea situada, dentro do universo concebido pelo artista, próxima à Côte d’Azur francesa. A geografia serve de base para o posicionamento dos bairros, infraestrutura urbana e expansão da metrópole.

Quase 300 desenhos mostram diferentes bairros de uma cidade que não existe

Em 2006, a Jessica Kingsley Publishers lançou em inglês o livro Urville, com 192 páginas. A editora informa que Tréhin apresenta sua cidade por meio de quase 300 desenhos, mostrando diferentes distritos e detalhando os estilos arquitetônicos de construções individuais.

Não são apenas mapas vistos de cima. Muitos trabalhos reproduzem aquilo que uma pessoa poderia enxergar se estivesse caminhando pelas ruas: edifícios altos, perspectivas urbanas, praças, conjuntos arquitetônicos, construções públicas e grandes eixos viários.

A capacidade de representar perspectiva já aparecia na infância. Diferentemente do artista britânico Stephen Wiltshire, conhecido por observar paisagens reais e posteriormente reproduzi-las, Tréhin constrói seus cenários principalmente a partir da própria imaginação.

Urville ganhou aeroportos, escolas, igrejas e prédios públicos

Uma cidade com milhões de moradores precisava, dentro da lógica criada pelo francês, de infraestrutura compatível com sua população.

Por isso, os desenhos não se limitam a casas ou arranha-céus emblemáticos. Urville possui avenidas, ruas, serviços públicos, escolas, igrejas e diferentes tipos de instalações urbanas.

Os aeroportos têm importância especial nessa história porque a fascinação por aeronaves estava presente desde a infância de Tréhin.

O aeroporto construído inicialmente com Lego acabou participando da gênese da própria cidade, que posteriormente ganhou uma infraestrutura muito mais ampla no papel.

A atenção aos detalhes permite que partes distintas de Urville tenham identidades arquitetônicas próprias. A editora descreve a obra não apenas como uma coleção artística, mas como um verdadeiro guia da cidade, organizado para apresentar ao leitor suas diferentes regiões e características.

Gilles criou até história, economia e cultura para a metrópole

A construção mental foi muito além da arquitetura. Tréhin desenvolveu informações históricas, geográficas, econômicas e culturais para explicar como Urville teria evoluído e por que seus bairros apresentam determinadas características.

A cronologia imaginária foi conectada a acontecimentos históricos reais. Segundo a Jessica Kingsley Publishers, o autor chegou a incorporar à história de Urville os efeitos do regime de Vichy, da Segunda Guerra Mundial e posteriormente da globalização.

Isso significa que um edifício não precisava existir apenas porque Tréhin decidiu desenhá-lo. A cidade podia ganhar transformações vinculadas a diferentes períodos históricos, mudanças econômicas ou expansão populacional, mecanismo semelhante ao que realmente modifica grandes centros urbanos ao longo de séculos.

Projeto ocupou décadas da vida de Gilles Tréhin

O livro publicado em 2006 resume aproximadamente duas décadas de desenvolvimento de Urville. Na apresentação oficial da obra, a editora afirma que Tréhin concebeu e desenvolveu a cidade ao longo de cerca de 20 anos.

A dimensão temporal ajuda a explicar a complexidade alcançada. Em vez de produzir uma única série de desenhos e encerrar o projeto, Tréhin continuou adicionando bairros, construções e informações sobre o funcionamento de sua metrópole imaginária.

Quando o The Guardian publicou um perfil sobre ele em 2006, Gilles tinha 34 anos e continuava dedicando grande parte de seu tempo ao projeto. O que havia começado com desenhos tridimensionais aos 5 anos já havia se transformado em um universo urbano coerente com milhões de habitantes fictícios.

Cidade existe apenas no papel, mas foi construída com lógica de uma metrópole real

Urville não é uma maquete de uma cidade existente nem um projeto planejado para construção. Ela é uma criação artística e intelectual inteiramente imaginária. Ainda assim, sua estrutura busca reproduzir diversas camadas necessárias para que uma metrópole funcione.

Há geografia, arquitetura, história, cultura, economia e organização espacial. A população de quase 12 milhões cria a escala, enquanto centenas de desenhos transformam números e informações fictícias em edifícios e paisagens que podem ser visualizados pelo leitor.

O resultado transforma o feito iniciado na infância em algo muito maior do que uma habilidade para desenhar edifícios.

Desde os primeiros desenhos tridimensionais aos 5 anos até a construção de uma metrópole imaginária com milhões de moradores, Gilles Tréhin passou décadas desenvolvendo, praticamente detalhe por detalhe, uma cidade que nunca existiu fisicamente, mas ganhou no papel bairros, aeroportos, ruas, edifícios e uma história própria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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