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Aos 54 anos, mulher deixou a vida em um ônibus, comprou uma cabana de mineração do século XIX nas montanhas e passou a viver isolada fora da rede elétrica, buscando água em um riacho e enfrentando frio de até -32,7°C
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 13/08/2026 às 13:18
Atualizado em 13/08/2026 às 13:19
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Moradores deixam a rede elétrica para buscar autonomia e contato com a natureza no Colorado, mas enfrentam temperaturas abaixo de -30°C, isolamento, falta de serviços públicos e dificuldades para sobreviver durante o inverno rigoroso local
Viver sem depender da rede elétrica atrai moradores em busca de autonomia, terrenos acessíveis e contato com a natureza nos Estados Unidos. No Colorado, porém, a vida fora da rede em cabana enfrenta um obstáculo extremo: invernos que podem derrubar temperaturas abaixo de -30°C e transformar problemas cotidianos em situações perigosas.
Masyn Moyer, de 54 anos, conhece esse contraste de perto. Dois anos depois de viver em um ônibus e defender microcasas, ela comprou e reformou uma antiga cabana de mineração do século XIX nas Montanhas Rochosas e entrou na vida fora da rede.
Moyer usa um pseudônimo para preservar sua identidade. A cabana não atende às normas locais, segundo o material consultado. A residência não está ligada à rede elétrica e sua água vem de um riacho próximo.
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Ela dirige até cidades vizinhas para trabalhar como cabeleireira e fazer compras. Em casa, encontrou o estilo de vida que procurava, marcado pela autossuficiência e pelo contato direto com a natureza.
Vida fora da rede pode significar ficar sem eletricidade, água e serviços
Em sentido mais estrito, uma residência fora da rede é aquela sem ligação às redes de eletricidade e gás. Normalmente, seus moradores recorrem a painéis solares ou geradores para produzir energia.
Fogões a lenha e aquecedores a gás são alternativas comuns para enfrentar o frio. Dependendo da escolha do morador, a desconexão também pode alcançar abastecimento de água, coleta de lixo, celular e internet.
Alguns moradores desenvolvem habilidades para caçar ou coletar alimentos. As motivações também variam, incluindo busca por terrenos baratos, menor presença de regulamentações, redução do impacto ambiental ou dificuldades para acessar o mercado imobiliário.
O número exato de moradores nessas condições é incerto. Um estudo de 2019 citado no material apontou estimativas entre 180 mil e 750 mil famílias vivendo fora da rede elétrica nos Estados Unidos.
Frio extremo transforma falhas simples em situações de sobrevivência na vida fora da rede
No Colorado, a principal dificuldade pode surgir quando chega o inverno. Moyer relatou que muitas pessoas desconhecem o esforço necessário para conseguir alimentos, água e condições adequadas para sobreviver de forma independente.
No inverno passado, ela enfrentou temperatura de -27°F, equivalente a -32,7°C, durante uma nevasca. Seu soprador de neve movido a gás propano não conseguiu funcionar.
Sem o equipamento, seu Jeep poderia permanecer preso até o derretimento da neve, previsto apenas para maio.
A solução veio de uma vizinha que possuía eletricidade e conseguiu fornecer energia utilizando uma sequência de extensões.
Para Moyer, episódios assim mostram que planejamento, recursos, conhecimentos práticos e apoio de vizinhos continuam sendo importantes mesmo para quem escolhe uma rotina baseada na autossuficiência.
Morador enfrentou -28°C dentro de trailer no vale de San Luis
Outro exemplo extremo ocorreu com Eric Frickey, de 43 anos. Em dezembro de 2020, ele se mudou para um trailer antigo no vale de San Luis, no Colorado.
Frickey havia deixado a Louisiana procurando trabalho e tratamento médico para as convulsões do filho. Antes da mudança, enfrentou dificuldades para conseguir emprego estável em Denver e chegou a dormir na mata.
Durante o inverno de 2020, dependia de um aquecedor a propano. Uma tempestade arrancou a porta do trailer e, posteriormente, o combustível usado para aquecimento acabou.
A temperatura chegou a -20°F, cerca de -28°C. Frickey afirmou que conseguiu enfrentar o frio colocando os cães dentro de seus sacos de dormir para compartilhar calor corporal.
Depois de outras tentativas para permanecer na região, ele passou a viver com o filho em um terreno de dois hectares no vale de San Luis, comprado por US$ 6.000.
O local conta com sistema de energia solar e um tanque subterrâneo capaz de armazenar 1.100 galões de água. Os dois dormem em uma iurta ou em um trailer.
Terrenos baratos convivem com isolamento e inverno rigoroso
O vale de San Luis reúne outros moradores em cabanas improvisadas, trailers antigos e galpões. Segundo o jornalista Ted Conover, vendedores promovem terrenos na região desde a década de 1970.
Na prática, trata-se de uma área árida, com poucas estradas pavimentadas e acesso limitado a redes elétricas e outros serviços públicos.
George Smink, morador veterano do condado de Costilla, estimou que 95% dos novos moradores não conseguem se estabelecer no vale. Entre os problemas citados por ele estão furtos, fiscalização das normas e o clima.
Apesar dos riscos, Moyer afirma que continua satisfeita com sua escolha. Ela acompanha a presença de animais, conhece ninhos de pássaros próximos e considera a autossuficiência uma experiência gratificante.
Sua principal recomendação para quem pensa em seguir o mesmo caminho é preparação. Em noites de frio extremo, afirma, habilidades, recursos e vizinhos capazes de ajudar podem deixar de ser conveniência e se tornar necessidade.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do The Guardian, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.theguardian.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

