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Aos 56 anos, avó conseguiu amamentar o neto recém-nascido mesmo sem ter engravidado, após viajar de São Paulo a Santa Catarina para acompanhar o nascimento, perder a filha de 30 anos por complicações no parto, assumir os cuidados do bebê e iniciar um tratamento para estimular a produção de leite
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 14/08/2026 às 14:00
Atualizado em 14/08/2026 às 14:01
Curiosidades
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Cleuza de Souza viajou de ônibus até Tubarão para conhecer Noah, mas chegou a Santa Catarina em meio à morte da filha Giselle. Dias depois, com acompanhamento médico e apoio de um banco de leite, a funcionária pública de 56 anos começou a produzir leite e passou a amamentar o próprio neto
Quando Cleuza de Souza deixou o trabalho e embarcou em um ônibus de São Paulo para Tubarão, no sul de Santa Catarina, a expectativa era acompanhar um momento conhecido pela família. Seu sétimo neto estava prestes a nascer e a filha Giselle, de 30 anos, encontrava-se em trabalho de parto.
A viagem, porém, terminou de uma maneira que Cleuza não poderia prever. Giselle apresentou complicações durante o parto, sofreu uma ruptura uterina seguida de hemorragia e morreu. Noah sobreviveu após uma cesariana de emergência.
De acordo com reportagem publicada pelo GZH, Cleuza tinha 56 anos, diante da perda da filha e da chegada do recém-nascido, decidiu tentar algo incomum. Depois de conversar com o pai da criança e procurar orientação médica, ela manifestou o desejo de produzir leite novamente para alimentar o neto.
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O caso ganhou repercussão porque Cleuza não havia acabado de passar por uma gravidez. Mesmo assim, após exames, acompanhamento de profissionais e estímulo à produção de leite, ela conseguiu começar a amamentar Noah em cerca de uma semana.
Giselle queria o parto mais natural possível, mas uma ruptura do útero mudou o destino da família
Giselle já era mãe de Giovana, que tinha cinco anos na época. Segundo os relatos publicados sobre a família, ela havia amamentado a primeira filha até os dois anos e desejava que Noah nascesse por parto normal.
Durante o trabalho de parto, entretanto, não ocorreu dilatação suficiente. O quadro evoluiu para ruptura uterina e hemorragia, levando a equipe médica a realizar uma cesariana de emergência. O bebê foi salvo, mas Giselle não sobreviveu.
A chegada de Noah, portanto, ocorreu ao mesmo tempo em que a família tentava lidar com a morte da mãe. Para Cleuza, a ideia de amamentar apareceu justamente nos primeiros momentos ao lado do recém-nascido.
Ela conversou primeiro com o genro Juliano de Melo, pai de Noah, que apoiou a tentativa. A partir daí, procurou o pediatra para saber se seria biologicamente possível voltar a produzir leite tantos anos depois de suas próprias gestações.
Após exames médicos, a avó iniciou o estímulo e começou a produzir leite em poucos dias
O processo não foi feito por conta própria. Cleuza passou por exames antes de iniciar o tratamento indicado pelo médico e recebeu acompanhamento de profissionais do Banco de Leite Humano do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão.
Como informou o jornal Notisul na época, a avó também recebeu apoio das equipes do banco de leite e da UTI neonatal do hospital. A unidade já havia acompanhado situações de mulheres que amamentaram após adoção, mas o caso de uma avó alimentando o próprio neto era apontado pela equipe como o primeiro registrado naquele serviço.
A produção apareceu rapidamente. Cleuza relatou que, aproximadamente uma semana depois de iniciar o processo, já conseguia colocar Noah no peito.
O tempo observado naquele caso não deve ser usado como regra. A própria equipe que acompanhou Cleuza relatou na época que outras mulheres podiam levar semanas para conseguir produzir leite, dependendo da resposta do organismo e das condições individuais.
Produzir leite sem uma gravidez recente é possível e depende de estímulo e acompanhamento
A experiência de Cleuza pode parecer biologicamente improvável, mas a produção de leite fora do período imediatamente posterior a uma gestação é conhecida pelos serviços especializados em amamentação.
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, ligada à Fiocruz, explica que existe a chamada lactação induzida, situação em que uma mulher pode produzir leite e amamentar mesmo quando o bebê não foi gerado por ela. O processo também aparece em casos de adoção e exige avaliação individual, já que o resultado e a quantidade de leite produzida variam de uma pessoa para outra.
No caso de Cleuza, havia ainda um histórico anterior de gravidez e amamentação. O relato de 2013 mostra que a estratégia adotada envolveu avaliação médica, medicamento prescrito pelo pediatra e procedimentos realizados pela equipe especializada para estimular a produção.
A reportagem original não identifica qual medicamento foi utilizado. Por isso, não é possível estabelecer a partir daquele caso qual substância foi administrada, sua dose ou se o mesmo tratamento seria indicado atualmente para outra pessoa.
Cleuza decidiu permanecer em Santa Catarina e buscou licença para cuidar de Noah
Com Noah sob seus cuidados, Cleuza passou a organizar a própria vida em torno do recém-nascido. Ela era funcionária pública e havia saído de São Paulo inicialmente apenas para acompanhar o nascimento do neto.
Depois da morte de Giselle, a permanência em Santa Catarina adquiriu outro sentido. Além da alimentação do bebê, a avó passou a participar diretamente dos cuidados durante um período de reorganização de toda a família.
Na entrevista concedida em 2013, Cleuza disse que pretendia ingressar na Justiça com uma liminar para tentar obter licença-maternidade e continuar cuidando e amamentando Noah. As fontes consultadas para esta reportagem registram a intenção de apresentar o pedido, mas não informam qual foi posteriormente a decisão judicial.
Juliano, pai de Noah, também acompanhava o processo. À época, ele relacionou o esforço da sogra para alimentar o bebê a uma forma de preservar a memória de Giselle enquanto a família enfrentava o luto.
Mais de uma década depois daquele caso, a orientação brasileira para alimentação dos bebês mantém o leite materno como referência nos primeiros meses de vida.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses, sem necessidade de água, chás, sucos ou outros alimentos. Depois desse período, devem ser introduzidos alimentos adequados à idade, enquanto a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais.
O órgão também relaciona o aleitamento à proteção contra diarreias e infecções respiratórias, além de benefícios nutricionais e imunológicos para a criança. Em situações fora do padrão, como relactação ou lactação induzida, a avaliação profissional torna-se especialmente relevante porque cada organismo responde de maneira diferente.
A história de Cleuza chama atenção justamente por reunir duas situações pouco comuns no mesmo episódio. Aos 56 anos, ela chegou a Santa Catarina esperando simplesmente conhecer o sétimo neto e, depois de perder a filha durante o parto, acabou encontrando uma forma inesperada de participar diretamente da alimentação de Noah.
O que você pensa sobre a decisão de Cleuza de tentar amamentar o neto depois da morte da filha? Deixe seu comentário e conte se você já conhecia casos de relactação ou lactação induzida. Sua opinião pode ajudar outras pessoas a conhecer uma possibilidade ainda pouco discutida fora dos serviços especializados em amamentação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

