8 min de leitura
Aos 6 anos, menino brasileiro que ajudava a montar quebra-cabeça de mil peças desde um ano e meio entra para a Mensa, demonstra facilidade com Lego e robótica e integra seleto grupo reservado às maiores pontuações de inteligência do mundo
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 18/08/2026 às 10:13
Atualizado em 18/08/2026 às 10:14
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Lorenzo Jayme Tamião Barbi foi identificado com superdotação após uma trajetória que incluiu dificuldades escolares, acompanhamento psicológico e mudança de cidade. O brasileiro nascido em Bauru encontrou no raciocínio lógico, nos blocos de montar e na robótica habilidades que conviviam com obstáculos na leitura, na escrita e na adaptação curricular.
Em setembro de 2022, o brasileiro Lorenzo Jayme Tamião Barbi tinha 6 anos quando foi admitido na Mensa Brasil. Nascido em Bauru, no interior paulista, ele já demonstrava interesse por quebra-cabeças, Lego, robótica e atividades ligadas ao raciocínio lógico.
A entrada na organização ocorreu meses depois da confirmação da superdotação e representou uma nova etapa em um percurso iniciado muito antes dos testes. A rapidez para resolver determinadas tarefas coexistia com dificuldades de adaptação na escola e com um processo de avaliação interrompido pela pandemia. O reconhecimento chegou após a família transformar sinais dispersos em acompanhamento especializado.
Lorenzo começou a revelar habilidades com um quebra-cabeça de mil peças
Segundo a Sampi, os primeiros indícios apareceram quando Lorenzo tinha aproximadamente um ano e meio. Enquanto a mãe, Julia Assad Jayme, montava um quebra-cabeça de mil peças, o menino começou a participar da atividade e demonstrou capacidade para observar formas, cores e possíveis encaixes em uma idade na qual esse tipo de desafio ainda não costuma fazer parte da rotina infantil.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O episódio não produziu imediatamente uma conclusão sobre superdotação. Ele passou a integrar um conjunto de comportamentos percebidos ao longo do desenvolvimento, especialmente a atração por tarefas visuais e problemas que exigiam lógica. A participação precoce no quebra-cabeça foi o primeiro sinal concreto de uma habilidade que continuaria aparecendo em atividades mais complexas.
Lego e robótica ampliaram o interesse pelo raciocínio lógico
O interesse pelo Lego permitia que Lorenzo combinasse peças, imaginasse estruturas e experimentasse soluções diferentes. A robótica acrescentava movimento e organização sequencial a essa curiosidade, aproximando o menino de atividades nas quais uma ação precisa estar relacionada à seguinte para que o resultado planejado seja alcançado.
Essas preferências formavam um perfil mais voltado às áreas de exatas e ao raciocínio lógico. Quebra-cabeças, blocos de montar e robótica não eram apresentados como provas isoladas de superdotação, mas como espaços nos quais o brasileiro demonstrava envolvimento, rapidez e disposição para enfrentar desafios. Os interesses ajudaram a família e os profissionais a reconhecer onde suas potencialidades apareciam com maior clareza.
Entrada na escola revelou rapidez e dificuldades de adaptação
Quando Lorenzo começou a frequentar a escola, os professores passaram a relatar comportamentos que preocupavam a família. Ele concluía algumas propostas rapidamente e, depois de terminar, tinha dificuldade para permanecer envolvido na dinâmica da turma. A inquietação também provocava desorganização da sala e conflitos com outros estudantes.
A situação mostrou que desempenho rápido em determinadas tarefas não garante adaptação automática ao ambiente escolar. O tempo da atividade, o nível de desafio e a convivência com os colegas precisavam ser considerados em conjunto. O que inicialmente aparecia apenas como problema de comportamento também estava relacionado à diferença entre o ritmo do aluno e as propostas disponíveis naquele momento.
Facilidade com lógica convivia com obstáculos na leitura e na escrita
O desenvolvimento de Lorenzo não acontecia da mesma maneira em todas as áreas. Mesmo demonstrando facilidade com raciocínio lógico, o menino enfrentava dificuldades para aprender a ler e escrever. Essa diferença impedia que sua trajetória fosse resumida à ideia de uma criança capaz de realizar qualquer tarefa com a mesma velocidade.
A coexistência entre habilidades avançadas e obstáculos acadêmicos tornou necessária uma observação mais cuidadosa. Reconhecer a superdotação não significava ignorar as áreas nas quais ele precisava de apoio, assim como a dificuldade de alfabetização não anulava suas capacidades. O caso revelou um desenvolvimento desigual, com necessidades de estímulo e acompanhamento presentes ao mesmo tempo.
Acompanhamento psicológico começou quando Lorenzo tinha 3 anos
Orientada por educadores, Julia procurou atendimento psicológico quando o filho tinha 3 anos. As sessões deveriam ajudar a compreender os comportamentos observados em casa e na escola, além de indicar formas de apoio compatíveis com a idade e com as necessidades apresentadas pelo menino.
O processo foi interrompido depois de três encontros, com o início da pandemia de Covid-19. A família retornou para Pirajuí, onde havia construído sua rotina, e a investigação ficou temporariamente suspensa. A interrupção adiou respostas importantes justamente quando a mãe começava a buscar uma explicação profissional para o desenvolvimento do filho.
Mudança de Pirajuí para Bauru reorganizou a vida da família
Antes da interrupção provocada pela pandemia, Julia havia deixado o trabalho como agropecuarista e se mudado de Pirajuí para Bauru com Lorenzo. A decisão tinha um objetivo prático: aproximar o menino de profissionais capazes de avaliar suas dificuldades e desenvolver as habilidades que começavam a chamar a atenção.
A mudança envolveu abandonar uma atividade profissional e reorganizar a rotina familiar sem a garantia de um diagnóstico imediato. Quando as restrições sanitárias interromperam o acompanhamento, mãe e filho voltaram para Pirajuí. A busca por atendimento exigiu deslocamentos, mudanças de trabalho e decisões que ultrapassaram os limites da sala de aula.
Avaliação foi retomada após a volta das aulas presenciais
Com a retomada das atividades presenciais em 2021, Julia e Lorenzo voltaram a Bauru. A psicóloga procurada anteriormente ainda não havia retomado os atendimentos e, no fim daquele ano, indicou outra profissional para conduzir a avaliação do menino.
O novo processo incluiu diversas sessões e questionários encaminhados à escola, permitindo reunir observações de ambientes diferentes. No fim de março de 2022, a avaliação confirmou a superdotação. O diagnóstico resultou de acompanhamento profissional e informações escolares, e não apenas da habilidade demonstrada em brinquedos ou quebra-cabeças.
Centro da Unesp passou a acompanhar o desenvolvimento do menino
Depois da identificação, Lorenzo começou a receber assistência do Centro de Psicologia Aplicada da Unesp de Bauru. O trabalho buscava desenvolver as potencialidades de crianças com altas habilidades e oferecer um acompanhamento mais ajustado às características apresentadas por cada estudante.
O apoio especializado acrescentou uma nova frente ao esforço realizado pela família. A escola continuava responsável pelo cotidiano acadêmico, enquanto o atendimento psicológico ajudava a compreender capacidades, dificuldades e formas de estímulo. A confirmação da superdotação abriu caminho para um suporte mais direcionado, sem eliminar a necessidade de acompanhamento contínuo.
Aprovação colocou o brasileiro entre os integrantes da Mensa
Em setembro de 2022, poucos meses após a conclusão da avaliação, Lorenzo foi aceito pela Mensa Brasil. A organização reúne pessoas que alcançam resultados elevados em testes de inteligência reconhecidos e oferece um espaço de contato entre integrantes com diferentes idades, formações e áreas de interesse.
A Mensa Internacional estabelece como requisito uma pontuação situada entre os 2% superiores da população em teste de inteligência reconhecido e supervisionado profissionalmente. A admissão confirmou que o resultado obtido pelo menino brasileiro atendia ao critério internacional da organização.
Participação na Mensa poderia ampliar estímulos e convivência
Entre as atividades associadas à organização estão grupos de debate e pesquisa, intercâmbios culturais e iniciativas de incentivo ao uso da inteligência em benefício da sociedade. Para a família, a participação também representava a possibilidade de Lorenzo encontrar propostas compatíveis com seus interesses por lógica, construção e robótica.
O ingresso, porém, não substituía a escola nem o acompanhamento realizado em Bauru. A Mensa acrescentava oportunidades de convivência e estímulo, enquanto as necessidades relacionadas à alfabetização e à adaptação curricular continuavam presentes. A nova rede poderia complementar o desenvolvimento do menino, mas não resolveria sozinha os desafios educacionais já identificados.
Adaptação curricular permaneceu como desafio depois do reconhecimento
Julia continuou cobrando medidas da coordenação pedagógica para que o ensino considerasse o perfil do filho. Embora a família tivesse acesso a escola particular e acompanhamento psicológico, ainda encontrava dificuldade para garantir uma adaptação curricular capaz de equilibrar conteúdo, ritmo, comportamento e necessidades de aprendizagem.
A experiência mostrou que identificar altas habilidades é apenas uma parte do processo. Depois do diagnóstico, é necessário transformar as informações da avaliação em decisões aplicáveis à rotina escolar. O reconhecimento formal não encerrou a busca por um ensino que desafiasse Lorenzo sem abandonar as áreas em que ele precisava de apoio.
Trajetória reuniu capacidade elevada e necessidades diferentes
O caminho percorrido até a Mensa começou com um quebra-cabeça, passou por reclamações escolares, sessões psicológicas, mudança de cidade, interrupção durante a pandemia e uma avaliação concluída em 2022. Cada etapa acrescentou uma informação diferente sobre Lorenzo e afastou explicações simplistas para seu comportamento e seu desempenho.
Aos 6 anos, o brasileiro passou a integrar a organização internacional enquanto a família continuava buscando respostas educacionais para o cotidiano.
Qual apoio deveria receber mais prioridade em situações semelhantes: identificação precoce, formação de professores, adaptação curricular, acompanhamento psicológico ou atividades voltadas às altas habilidades? Conte nos comentários qual dessas medidas poderia fazer maior diferença.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

