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Aos 63 anos, mulher decidiu preparar o próprio túmulo, pagou 31 mil euros por uma casa sobre rodas de mármore e agora passa quase todos os dias diante do lugar onde pretende ser enterrada, fumando um cigarro e dizendo que espera ficar longe dali por mais 30 anos

Aos 63 anos, mulher decidiu preparar o próprio túmulo, pagou 31 mil euros por uma casa sobre rodas de mármore e agora passa quase todos os dias diante do lugar onde pretende ser enterrada, fumando um cigarro e dizendo que espera ficar longe dali por mais 30 anos

4 min de leitura

Aos 63 anos, mulher decidiu preparar o próprio túmulo, pagou 31 mil euros por uma casa sobre rodas de mármore e agora passa quase todos os dias diante do lugar onde pretende ser enterrada, fumando um cigarro e dizendo que espera ficar longe dali por mais 30 anos

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 20/08/2026 às 00:18

Atualizado em 20/08/2026 às 00:19

Curiosidades

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Aos 63 anos, mulher mandou construir o próprio monumento funerário em forma de casa sobre rodas de mármore e espera permanecer longe de seu uso definitivo por pelo menos mais 30 anos. Créditos: Foto original: Ruud Ritzen | Imagem editada para uso editorial.

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O monumento de 2,30 metros foi instalado em um cemitério nos Países Baixos, tem iluminação, anjo, representação do cachorro e ficará sobre a tumba onde ela pretende ser enterrada no futuro

Entre as lápides da antiga Oude Begraafplaats, em Valkenswaard, nos Países Baixos, uma construção chama atenção por parecer pertencer a outro lugar. Tem degraus, pequenas luzes, vasos, um anjo e até a representação de um cachorro. À primeira vista, lembra uma pequena casa sobre rodas feita inteiramente de mármore.

Mas aquele é um monumento funerário de 31 mil euros, preparado por uma mulher de 63 anos para marcar o lugar onde, um dia, ela própria será enterrada.

O detalhe mais incomum é que a futura ocupante ainda frequenta o cemitério quase diariamente.

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Ela vai até lá acompanhada de familiares e do companheiro, fuma um cigarro perto dos túmulos da família e pode observar, a poucos metros, o monumento que escolheu para si mesma.

A história foi relatada pelo jornalista Ruud Ritzen e mostra que a decisão não nasceu apenas de uma preferência estética. A casa sobre rodas representa a própria origem da mulher: ela nasceu em uma e decidiu que quer terminar sua história da mesma maneira.

Nasceu em uma casa sobre rodas e decidiu que seu último endereço também seria uma

A escolha do formato tem uma explicação pessoal.

A mulher cresceu ligada à vida em woonwagen, termo neerlandês usado para esse tipo de casa sobre rodas. Por isso, quando começou a pensar no próprio túmulo, decidiu transformar essa parte da sua história em um monumento funerário.

A estrutura de mármore ficará, na realidade, sobre a tumba.

Quando morrer, ela será sepultada abaixo do monumento. A casa sobre rodas funcionará como a grande estrutura que identifica o local.

O projeto foi desenvolvido pela empresa belga Gielkens Grafmonumenten en Steenzagerij e produzido na Índia. Segundo o relato original, até para a empresa responsável o trabalho foi excepcional: um funcionário o classificou como o projeto mais incomum já realizado pela companhia.

A comparação com um túmulo convencional ajuda a dimensionar a escolha. Segundo a empresa citada na reportagem, uma lápide comum custa geralmente entre 2 mil e 4 mil euros, enquanto modelos mais simples podem começar em aproximadamente 600 euros.

O monumento preparado para a mulher custou 31 mil euros.

Ela própria resume a escolha comparando o gasto ao preço de um automóvel: poderia ter comprado um carro novo, mas considera que o veículo acabaria se desgastando, enquanto o monumento permanecerá no cemitério por muitos anos.

Luzes, anjo, cachorro e vasos fazem parte do túmulo que já está pronto

O valor também está relacionado à dimensão e ao nível de detalhamento da estrutura.

A construção alcança aproximadamente 2,30 metros de altura e recebeu autorização da administração municipal. Conforme a reportagem, naquele local era permitido instalar um ornamento de até 2,5 metros.

Portanto, apesar de destoar completamente das lápides tradicionais ao redor, o monumento está dentro do limite autorizado.

A casa sobre rodas de mármore ganhou ainda luzes, uma figura de anjo, a representação do cachorro da futura ocupante e dois vasos de mármore próximos aos degraus.

Há também um balde de mármore perto da entrada.

Por enquanto, alguns desses elementos permanecem vazios. A razão é simples: o monumento está pronto, mas sua proprietária continua viva e espera que essa situação permaneça assim por décadas.

A ida diária ao cemitério começou com uma promessa feita ao pai

Há outra história por trás da frequência quase diária ao cemitério.

A mulher, sua irmã de 67 anos e seu companheiro de 66 costumam visitar o local por causa de uma promessa familiar.

Antes da morte do pai, em 2017, eles prometeram que iriam ao túmulo dele todos os dias para fumar um cigarro.

A promessa acabou transformando a visita ao cemitério em parte da rotina da família.

Desde dezembro, porém, existe um novo ponto de parada: a casa sobre rodas de mármore destinada ao futuro sepultamento da mulher.

Assim, as visitas misturam passado e futuro de maneira pouco comum. De um lado está o túmulo dos pais. Do outro, o monumento de alguém que ainda pode caminhar até ele, subir seus degraus e brincar sobre a própria morte.

O irmão gostou tanto da ideia que quer construir outro em frente

O projeto pode não permanecer único por muito tempo.

Segundo a empresa responsável, seria a primeira construção funerária desse tipo nos Países Baixos. O próprio irmão da mulher teria gostado da ideia e demonstrado interesse em ter uma semelhante, instalada em frente à da irmã.

Outros integrantes da família também já discutiram onde desejam permanecer depois da morte.

O companheiro pretende ter suas cinzas espalhadas futuramente na casa sobre rodas de mármore, enquanto a irmã escolheu um espaço do outro lado do túmulo dos pais.

O resultado é quase um pequeno mapa da história familiar dentro do cemitério.

No centro dele está a estrutura mais chamativa: um monumento que custou 31 mil euros e que sua futura ocupante pode visitar enquanto está viva.

Ela, porém, não demonstra pressa alguma para utilizá-lo definitivamente.

Aos 63 anos, espera continuar do lado de fora por pelo menos mais 30 anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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