Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Aos 63 anos, mulher que já havia passado pela menopausa e feito laqueadura recorre à fertilização in vitro, engravida do marido de 35 e dá à luz em meio ao avanço da população 60+ no Brasil

Aos 63 anos, mulher que já havia passado pela menopausa e feito laqueadura recorre à fertilização in vitro, engravida do marido de 35 e dá à luz em meio ao avanço da população 60+ no Brasil

6 min de leitura

Aos 63 anos, mulher que já havia passado pela menopausa e feito laqueadura recorre à fertilização in vitro, engravida do marido de 35 e dá à luz em meio ao avanço da população 60+ no Brasil

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 05/08/2026 às 19:55

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
Beatriz teve Caio aos 63 anos após recorrer à fertilização in vitro com óvulo doado, mesmo depois da menopausa e da laqueadura.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Beatriz teve Caio após fertilização in vitro e sua história foi apresentada em série sobre longevidade, família, preconceito e envelhecimento no Brasil.

Aos 63 anos, Beatriz viveu uma experiência que durante muito tempo considerou praticamente impossível. Depois de passar pela menopausa, realizar uma laqueadura e criar dois filhos que já haviam chegado aos 40 anos, ela decidiu tentar uma nova gravidez por meio da fertilização in vitro e teve Caio em março de 2025.

A decisão ocorreu em um Brasil que atravessa uma transformação profunda na maneira de envelhecer. A população com 60 anos ou mais dobrou entre 2000 e 2023, enquanto o aumento da longevidade ampliou o período de vida disponível para relacionamentos, projetos pessoais, trabalho e novas configurações familiares.

Mulher de 63 anos recorreu à fertilização in vitro depois da menopausa e da laqueadura

A possibilidade de uma gravidez parecia distante para Beatriz. Ela já havia passado pela menopausa e também tinha realizado uma laqueadura, enquanto seus dois filhos, um homem e uma mulher, já tinham 42 e 40 anos. A maternidade parecia, portanto, uma etapa encerrada de sua vida.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A situação mudou depois que ela construiu um relacionamento com Éder. Como uma gestação pelos meios naturais já não era uma possibilidade para Beatriz, o casal planejou ter Caio por fertilização in vitro, utilizando um óvulo de uma doadora mais jovem.

O óvulo foi fecundado com o sêmen de Éder e, posteriormente, o embrião foi colocado no útero de Beatriz. A gravidez avançou e Caio nasceu em março de 2025, quando sua mãe estava aos 63 anos.

Relacionamento com marido mais jovem começou sete anos antes da chegada de Caio

A história de Beatriz e Éder havia começado muito antes da decisão de ter um filho. Os dois foram apresentados por um amigo dele e começaram a conversar pelas redes sociais. Naquela época, ela tinha 56 anos e ele, 27.

O primeiro encontro ocorreu durante o aniversário de uma sobrinha de Beatriz. Éder foi de carro até o local e os dois saíram juntos sem que ela contasse à família naquele momento. Com o passar dos anos, o relacionamento se consolidou e o casal passou a planejar a chegada de Caio.

Quando Beatriz estava com 63 anos, Éder tinha 35. A diferença de idade entre os dois e a decisão de ter um filho depois dos 60 anos também fizeram surgir críticas sobre o futuro da criança e a longevidade da mãe.

Assista o vídeo

Críticas à maternidade depois dos 60 anos fizeram Beatriz pensar ainda mais na própria longevidade

Entre os comentários que mais incomodaram Beatriz estava a acusação de que seria egoísmo ter um filho em idade avançada. O argumento apresentado por algumas pessoas era de que ela poderia morrer enquanto Caio ainda fosse jovem e deixá-lo sem a mãe.

Beatriz passou a enxergar a questão de outra maneira. Para ela, a chegada do bebê também se tornou uma razão adicional para cuidar da saúde e buscar uma vida mais longa, justamente para acompanhar o crescimento do filho durante o maior período possível.

A experiência ocorre em uma sociedade na qual chegar aos 60 anos deixou de representar necessariamente a proximidade do fim da vida. O crescimento da expectativa de vida aumentou o número de anos disponíveis depois dessa idade e também ampliou as possibilidades de escolhas pessoais.

População brasileira acima dos 60 anos dobrou entre 2000 e 2023

A mudança pode ser observada diretamente na estrutura demográfica brasileira. Entre 2000 e 2023, a população com 60 anos ou mais dobrou, enquanto o grupo passou a superar numericamente os brasileiros com idades entre 15 e 24 anos.

O envelhecimento populacional tende a avançar. Projeções demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o peso das faixas etárias mais altas continuará crescendo, enquanto crianças e jovens representarão uma parcela proporcionalmente menor da população.

Esse processo altera questões que durante décadas foram associadas à velhice. A aposentadoria, por exemplo, já foi relacionada à ideia de afastamento das atividades e permanência dentro de casa. Uma expectativa de vida maior amplia o espaço para outras experiências depois dos 60 anos.

Brasileiros ganharam cerca de três décadas de vida em comparação com gerações anteriores

O médico gerontologista Alexandre Kalache, de 79 anos, utiliza o avanço da expectativa de vida para explicar a dimensão dessa mudança. Quando nasceu, a expectativa de vida brasileira estava próxima dos 46 anos. Décadas depois, o indicador chegou à faixa dos 77 anos.

Dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ajudam a dimensionar essa transformação. Em 1940, a expectativa de vida ao nascer no país era de aproximadamente 45,5 anos. O avanço acumulado desde então representa cerca de três décadas adicionais de vida para os brasileiros.

Kalache prefere tratar esse processo como longevidade, em vez de simplesmente acrescentar os anos conquistados ao conceito tradicional de velhice. A diferença está na interpretação: o brasileiro não ganhou três décadas de velhice, mas aproximadamente três décadas de vida.

Medo de envelhecer ainda está relacionado à solidão, aparência e perda de autonomia

Viver mais, entretanto, não eliminou os receios associados ao envelhecimento. Pessoas de diferentes gerações demonstram preocupações com dependência, solidão, aparência, memória e possibilidade de precisar de cuidados durante os últimos anos da vida.

A escolha entre manter um corpo jovem ou uma mente afiada ajuda a revelar essas diferenças. Para algumas pessoas, preservar memória, lucidez e boas lembranças aparece como prioridade. Para outras, a aparência física continua ocupando uma posição importante diante da pressão social relacionada às rugas e aos sinais da idade.

O preconceito também interfere nessa percepção. A pesquisadora Laila Vallias, de 34 anos, aponta a intergeracionalidade como uma das formas de compreender melhor o envelhecimento e romper imagens construídas sobre como uma pessoa deveria viver depois de determinada idade.

Recomendado para você

Curiosidades

Casal investe R$45 mil em poço artesiano para ter água no próprio terreno e acaba multado após fiscalização encontrar algo na instalação

Casal buscava autonomia no abastecimento, porém irregularidade no poço artesiano transformou o alto investimento em fiscalização e penalidade

Um investimento de R$ 45 mil em um poço artesiano acabou tomando um…

Caio Aviz

25

Três gerações de uma mesma família mostram como o conceito de pessoa idosa reúne realidades diferentes

A diferença entre idade cronológica e experiência de vida aparece de maneira clara quando três gerações de uma mesma família são colocadas lado a lado. Renata Ceribelli tinha 61 anos, sua filha, 34, e sua mãe, Donete, havia chegado aos 92.

Renata e Donete estavam separadas por 31 anos de idade. Ainda assim, as duas pertenciam à mesma faixa legal de pessoas idosas. A diferença ajuda a mostrar como colocar todos acima dos 60 anos dentro de uma única definição pode reunir indivíduos vivendo momentos completamente distintos.

Donete dizia não se considerar idosa e afirmava sentir-se como uma pessoa de 70 anos. Aos 92, também não demonstrava medo da velhice e dizia querer continuar vivendo para descobrir como seria seguir envelhecendo.

História de Beatriz mostra como viver mais também está ampliando escolhas depois dos 60 anos

A maternidade de Beatriz está inserida justamente nesse cenário de transformação. Sua decisão não apaga as questões relacionadas à idade, aos cuidados com a saúde ou às responsabilidades envolvidas na criação de uma criança, mas mostra como antigas fronteiras relacionadas aos 60 anos estão sendo questionadas.

Uma população que vive mais também precisa pensar de maneira diferente sobre família, relacionamentos, trabalho, aposentadoria e autonomia. O avanço da longevidade não significa que todas as pessoas envelhecerão da mesma maneira, mas amplia o período em que essas escolhas podem acontecer.

Aos 63 anos, depois da menopausa, de uma laqueadura e com dois filhos adultos, Beatriz iniciou novamente a maternidade com a chegada de Caio. Sua história ocorre justamente quando milhões de brasileiros começam a descobrir que chegar aos 60 anos pode representar não apenas uma etapa final, mas o início de décadas adicionais de vida.

E você, acredita que o aumento da longevidade vai mudar completamente a forma como os brasileiros enxergam a vida depois dos 60 anos?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

Sair da versão mobile