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Aos 64 anos e ainda trabalhando como enfermeiro, morador de Fortaleza estuda das 15h às 22h durante quatro anos, passa para Medicina em Quixadá e transfere o emprego para conciliar o trabalho com a graduação

Aos 64 anos e ainda trabalhando como enfermeiro, morador de Fortaleza estuda das 15h às 22h durante quatro anos, passa para Medicina em Quixadá e transfere o emprego para conciliar o trabalho com a graduação

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Aos 64 anos e ainda trabalhando como enfermeiro, morador de Fortaleza estuda das 15h às 22h durante quatro anos, passa para Medicina em Quixadá e transfere o emprego para conciliar o trabalho com a graduação

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 17/08/2026 às 15:21

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Trajetória construída ao longo de décadas na saúde ganhou um novo capítulo quando um projeto antigo voltou ao centro da rotina. Entre trabalho, estudos e uma mudança estratégica de preparação, o caminho exigiu reorganização pessoal e profissional antes de transformar persistência em uma nova etapa acadêmica.

Francisco Almir Freitas Brito tinha 64 anos, acumulava mais de três décadas de trajetória na Enfermagem e continuava trabalhando quando conquistou uma vaga no curso de Medicina em Quixadá, no interior do Ceará, depois de quatro anos dedicados à preparação para vestibulares.

Morador de Fortaleza, ele chegou a estudar das 15h às 22h, reorganizou o próprio método quando percebeu que a rotina não rendia como esperava e, após a aprovação, transferiu o emprego para a mesma cidade em que começaria a graduação.

Enfermeiro acumulava mais de três décadas de experiência na saúde

Formado em Enfermagem pela Universidade Estadual do Ceará, Francisco construiu uma carreira extensa no serviço público e, segundo o Brasil Escola, já somava 32 anos de formação quando conseguiu a aprovação em Medicina, após passagens por vínculos municipais, estaduais e federais.

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Em 2018, aposentou-se do Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará, mas permaneceu profissionalmente ativo no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, o Hemoce, preservando uma rotina de trabalho enquanto retomava um projeto acadêmico antigo.

Em vez de representar uma ruptura com a Enfermagem, a decisão de disputar Medicina nasceu do desejo de ampliar uma trajetória já ligada ao cuidado com pacientes, enquanto ele continuava atuando no Hemoce e se preparava para uma segunda formação na área da saúde.

Preparação para Medicina durou quatro anos

Ao longo de quatro anos, Francisco participou do Enem, tentou outros processos seletivos e chegou a ser aprovado em instituições particulares fora do Ceará, mas a distância dificultou a matrícula e o levou a buscar uma opção compatível com sua vida profissional no estado.

Durante uma fase da preparação, ele estudava das 15h às 22h, porém percebeu, após conversar com a esposa, que a quantidade de horas não estava produzindo o resultado esperado e decidiu concentrar esforços em uma instituição e em provas anteriores.

A partir dessa mudança, passou a recorrer a cursinhos, professores particulares, videoaulas e exercícios direcionados, além de treinar redações digitadas porque o vestibular pretendido seria aplicado pela internet, estratégia que tornou a preparação mais específica e menos dispersa.

Mudança no método de estudo ajudou na aprovação

Na prova em que conquistou a vaga, a redação valia 40 pontos e Francisco obteve 36, o equivalente a 90% da pontuação disponível nessa etapa, resultado que reforçou o peso do treinamento específico adotado na reta final da preparação.

Outra reportagem, publicada por O Povo, descreveu uma rotina de quatro anos de estudo de domingo a domingo, com dedicação diária de quatro a seis horas e sem afastamento do trabalho no Hemoce, enquanto familiares, professores e cursos acompanhavam o processo.

A prova decisiva coincidiu com o aniversário de 64 anos de Francisco e, quando o resultado chegou, ele estava com a esposa; a aprovação o colocou entre os dez primeiros classificados no vestibular de Medicina de uma instituição particular de Quixadá.

Aprovação criou o desafio de conciliar Medicina e trabalho

Com a vaga garantida, surgiu um problema prático imediato, porque o curso ficava fora de Fortaleza e precisaria coexistir com um emprego que ele não pretendia abandonar, exigindo uma reorganização profissional antes mesmo do início das aulas.

Para resolver essa equação, Francisco conseguiu transferir o trabalho para Quixadá, aproximando emprego e faculdade; segundo o Brasil Escola, ele já estava matriculado e havia alugado uma casa na cidade antes do começo da nova rotina acadêmica.

O Povo também registrou que a mudança estava acertada e que a transferência havia sido tratada com o Estado, permitindo que o enfermeiro preservasse o vínculo profissional enquanto iniciava um curso exigente e de longa duração no interior cearense.

Transferência para Quixadá permitiu manter a carreira

Por isso, a aprovação não significou simplesmente voltar a estudar depois da aposentadoria, já que Francisco continuava trabalhando e precisou redesenhar a própria logística para acomodar uma formação nova sem interromper completamente a trajetória construída na saúde.

Ao chegar à Medicina, ele levou para a sala de aula décadas de experiência no atendimento a pacientes, fazendo com que a nova graduação funcionasse menos como um recomeço absoluto e mais como uma extensão de uma carreira já consolidada na área.

Depois da aprovação, Francisco projetava concluir Medicina por volta dos 70 anos e pretendia atuar inicialmente como clínico geral, com a intenção de continuar trabalhando por mais cerca de uma década, caso a saúde permitisse manter esse ritmo profissional.

Estratégia direcionada substituiu a rotina de estudos dispersa

Mais do que o volume de horas estudadas, a mudança de método apareceu como um ponto decisivo da trajetória, porque ele reduziu a dispersão, direcionou a preparação para o formato da prova e passou a repetir exatamente o tipo de exercício que enfrentaria.

Com isso, quatro anos de tentativas foram convertidos em uma vaga compatível com sua realidade profissional, enquanto a transferência para Quixadá permitiu unir duas etapas da mesma trajetória sem apagar a carreira de enfermeiro que havia sido construída ao longo de décadas.

Quantos projetos pessoais considerados tardios ainda poderiam sair do papel quando experiência, método e organização encontram uma oportunidade concreta?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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