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Aos 64 anos e aposentado, engenheiro de minas viu o mercado se fechar depois dos 50, manteve o sonho de passar em concurso, ficou em primeiro na lista indígena em dois cargos do TRT-2 e entrou como técnico judiciário com remuneração prevista de R$ 9 mil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 24/08/2026 às 22:44
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Trajetória profissional, aposentadoria, concurso público e reserva de vagas se cruzaram na história de um engenheiro experiente que iniciou uma nova rotina na Justiça do Trabalho, depois de manter por anos um projeto profissional que ganhou força diante das mudanças percebidas no mercado.
Aos 64 anos e já aposentado, o engenheiro de minas Romildo Ribeiro Patriota Junior iniciou uma nova etapa profissional ao tomar posse como técnico judiciário da área administrativa do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, após aprovação em concurso público.
Realizada em 12 de janeiro de 2026, no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, a posse fez de Romildo o primeiro candidato aprovado pela cota destinada a indígenas no concurso vigente a ingressar como servidor do TRT-2, segundo divulgação feita pelo próprio tribunal.
Além da aprovação para técnico, o engenheiro alcançou o primeiro lugar entre os candidatos indígenas para analista judiciário da área administrativa, mantendo aberta outra possibilidade profissional no órgão enquanto aguardava, em janeiro, uma eventual nomeação para essa segunda função.
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Embora a aposentadoria já fizesse parte de sua trajetória, o projeto de prestar concurso vinha de antes e ganhou força principalmente após os 50 anos, quando Romildo passou a perceber uma redução das oportunidades oferecidas pelo mercado a profissionais mais velhos.
Ao explicar por que decidiu insistir no serviço público, ele associou a escolha a um sonho antigo e à dificuldade que enxergava no setor privado, afirmando ao TRT-2 que “o mercado se fecha muito para profissionais a partir dessa idade”.
Primeiro lugar em duas listas indígenas do TRT-2
Com a classificação em primeiro lugar nas duas listas indígenas, Romildo assumiu a liderança entre os concorrentes de cargos administrativos diferentes, mas foi a vaga de técnico judiciário que primeiro resultou em nomeação, posse e início efetivo de uma nova rotina profissional.
Publicado em abril de 2025 e organizado pela Fundação Carlos Chagas, o edital previa cadastro de reserva para técnico judiciário da área administrativa e estabelecia como requisito diploma de curso superior em qualquer área, incluindo licenciatura plena ou formação tecnológica reconhecida pelo Ministério da Educação.
Formado em engenharia de minas, Romildo atendia ao requisito porque o cargo de técnico judiciário aceitava graduação em diferentes áreas, sem exigir formação jurídica específica para o exercício da função administrativa oferecida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Quanto à remuneração, o edital fixava para os cargos de técnico judiciário de nível superior o valor inicial de R$ 9.052,51, quantia que sustenta a referência aproximada de R$ 9 mil e não corresponde a uma estimativa de salário líquido.
Previstas no cronograma para 3 de agosto de 2025, as provas objetivas e discursivas integravam o processo seletivo destinado ao provimento de cargos efetivos e à formação de cadastro de reserva no quadro permanente de pessoal do tribunal trabalhista paulista.
Cota indígena no concurso do TRT-2
Dentro das regras específicas da seleção, o edital destinou 3% das vagas existentes e das que surgissem durante a validade do concurso a candidatos indígenas, prevendo também procedimentos próprios para essa modalidade de concorrência e para a confirmação da autodeclaração apresentada pelos inscritos.
Foi nessa reserva de vagas que Romildo terminou em primeiro lugar para técnico judiciário e analista judiciário, ambos da área administrativa, resultado que ganhou caráter institucional quando o TRT-2 anunciou sua posse como primeiro aprovado pela cota indígena do concurso vigente a assumir.
Nascido na Ilha da Assunção, localizada no rio São Francisco, em Pernambuco, o novo servidor tem origem ligada ao povo Truká, cujo território ancestral está associado à região de Cabrobó, conforme informação apresentada pelo tribunal ao divulgar sua trajetória profissional.
Antes mesmo da chegada de Romildo, a família já mantinha ligação com o TRT-2 por meio de Caio César Soares Ribeiro Patriota, seu filho, que havia tomado posse como técnico judiciário em agosto de 2024 e também aguardava nomeação para analista.
Pela mesma modalidade destinada a candidatos indígenas, Caio participava do concurso enquanto o pai avançava em sua própria trajetória, circunstância que colocou os dois em etapas semelhantes dentro do regional, embora cada um tivesse classificação própria e percurso individual no processo seletivo.
Aposentadoria e nova carreira no serviço público
Depois de uma carreira construída na engenharia e já na condição de aposentado, Romildo chegou ao serviço público aos 64 anos, em uma situação distinta de quem procura o primeiro emprego, mas alinhada ao objetivo que dizia manter havia anos de conquistar uma vaga pública.
Com a posse como técnico, esse projeto finalmente se concretizou, enquanto o primeiro lugar também obtido para analista mostrou que a participação no concurso produziu dois resultados de destaque, embora apenas uma das nomeações estivesse confirmada quando o tribunal divulgou sua história.
A experiência de Romildo recoloca em evidência até que ponto concursos públicos podem representar uma alternativa de continuidade profissional para trabalhadores experientes que chegam aos 50 ou 60 anos e passam a encontrar menos espaço em processos seletivos do setor privado?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

