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Aos 65 anos e trabalhando há 34 como carteiro, morador de Ceilândia escreve cinco redações por semana durante um mês e meio, passa na primeira tentativa para Letras na UnB e planeja conciliar o emprego com aulas noturnas no campus
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/08/2026 às 14:15
Atualizado em 14/08/2026 às 14:22
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Ruinatan Lopes de Souza trabalha como carteiro há 34 anos e foi aprovado aos 65 em Letras, Tradução Espanhol, pelo vestibular UnB 60+. Incentivado pela filha, preparou-se por um mês e meio, escreveu cinco redações semanais e planejou conciliar o emprego nos Correios com a graduação no campus de Brasília.
O carteiro Ruinatan Lopes de Souza tinha 65 anos quando recebeu a notícia de que havia passado no vestibular UnB 60+ para Letras, Tradução Espanhol. Morador de Ceilândia desde a adolescência, ele trabalhava nos Correios havia 34 anos e nunca tinha tentado um processo seletivo para a universidade.
A preparação foi curta e concentrada. Durante cerca de um mês e meio, Ruinatan Lopes de Souza treinou redação, assistiu a vídeos e produziu em média cinco textos por semana com apoio da filha. A primeira tentativa transformou um sonho adiado por décadas em uma vaga concreta na UnB.
Trabalho começou cedo e faculdade ficou atrás das prioridades da família
Natural de Goianésia, Ruinatan Lopes de Souza chegou a Brasília ainda criança e vive em Ceilândia desde os 12 anos. Cresceu numa família de nove irmãos e começou cedo a buscar renda, vendendo doces e jornais antes de consolidar a carreira como carteiro.
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O ensino médio foi concluído quando ele já trabalhava nos Correios. Casamento, filhos e despesas familiares ocuparam o centro das prioridades. O desejo de cursar Letras continuou existindo, mas a UnB só entrou no plano quando surgiu uma seleção voltada a candidatos com 60 anos ou mais.
Filha recém-formada na UnB empurrou o pai para a prova
A iniciativa de inscrição veio da filha, formada em Farmácia pela própria UnB. Ela incentivou Ruinatan Lopes de Souza a abandonar a ideia de que a idade havia fechado a porta da graduação e passou a ajudá-lo na preparação da redação.
O carteiro já mantinha interesse por idiomas e estudava francês duas vezes por semana. A escolha por Letras, com habilitação em Tradução Espanhol, transformou essa curiosidade antiga em projeto acadêmico. A filha funcionou como ponte entre um sonho antigo e uma oportunidade que ele ainda não tinha decidido tentar.
Cinco redações por semana ocuparam um mês e meio de preparação
O vestibular voltado ao público 60+ exigia uma prova de redação em língua portuguesa. Ruinatan Lopes de Souza passou a acompanhar videoaulas e a escrever aproximadamente cinco redações por semana, submetendo o treino ao olhar da filha e ajustando a escrita durante o período disponível.
Não houve anos de cursinho nem uma sequência de tentativas. O carteiro preparou-se por cerca de seis semanas e foi aprovado na primeira seleção universitária da vida. A conquista virou ainda uma celebração familiar quando ele voltou do trabalho e encontrou parentes preparados para recebê-lo como calouro.
Letras foi escolhida por uma paixão antiga por idiomas
A escolha da graduação não ocorreu apenas porque havia uma vaga. Ruinatan Lopes de Souza já estudava francês e se descrevia como interessado em línguas. Letras permitiria aprofundar esse repertório e acrescentar o espanhol à formação que ele vinha construindo fora da universidade.
As aulas estavam previstas para começar em agosto de 2025, no período noturno. O plano do carteiro era seguir trabalhando nos Correios durante o dia e frequentar a UnB à noite, mantendo o vínculo com Ceilândia enquanto iniciava uma rotina acadêmica aos 65 anos.
Aprovação abriu um novo ciclo sem encerrar a vida profissional
A história de Ruinatan Lopes de Souza não é a de alguém que esperou a aposentadoria para estudar. Ele ainda tinha jornada de trabalho e pretendia encaixar Letras no período noturno. Ceilândia, os Correios e a UnB passariam a dividir a mesma agenda.
O resultado mostra um recomeço construído sem apagar a carreira anterior de carteiro.
Para você, o que seria mais difícil nessa fase: voltar a escrever provas, organizar o tempo depois do trabalho ou entrar numa sala de aula décadas após o ensino médio? Conte nos comentários qual desafio pesaria mais.
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Carteiro
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

