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Aos 70 anos, José Roberto Marinho mantém parte de sua propriedade de 2.320 hectares na Bahia como uma reserva permanente, onde preserva 502 hectares de Cerrado, recebe pesquisas e mantém a área conectada a outras unidades de conservação

Aos 70 anos, José Roberto Marinho mantém parte de sua propriedade de 2.320 hectares na Bahia como uma reserva permanente, onde preserva 502 hectares de Cerrado, recebe pesquisas e mantém a área conectada a outras unidades de conservação

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Aos 70 anos, José Roberto Marinho mantém parte de sua propriedade de 2.320 hectares na Bahia como uma reserva permanente, onde preserva 502 hectares de Cerrado, recebe pesquisas e mantém a área conectada a outras unidades de conservação

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 18/08/2026 às 20:22

Atualizado em 18/08/2026 às 20:23

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Reserva privada no oeste da Bahia chama atenção pela dimensão da área protegida, pela presença de pesquisas científicas e pela conexão com outras unidades de conservação, reunindo diferentes frentes de proteção ambiental dentro de uma propriedade de grande extensão no Cerrado brasileiro.

José Roberto Marinho, de 70 anos, aparece como proprietário e representante legal de uma área de 2.320 hectares em Jaborandi, no oeste da Bahia, onde 502 hectares integram oficialmente a Reserva Particular do Patrimônio Natural Lagoa do Formoso.

Inserida no Cerrado, a unidade recebe atividades de pesquisa científica e permanece conectada a outras áreas protegidas da região, entre elas o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, compondo uma paisagem em que diferentes mecanismos de conservação funcionam de maneira associada.

De acordo com o plano de manejo da RPPN Lagoa do Formoso, disponibilizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o imóvel diretamente relacionado à reserva é a Fazenda Jucurutu do Formoso, identificada na documentação oficial da unidade.

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Na ficha técnica apresentada pelo documento, a propriedade aparece com 2.320 hectares, enquanto a RPPN ocupa 502 hectares, além de ter o Cerrado indicado como bioma presente dentro dos limites destinados permanentemente à conservação ambiental.

RPPN Lagoa do Formoso protege 502 hectares de Cerrado

Ao receber a classificação de Reserva Particular do Patrimônio Natural, essa parcela da fazenda passou a integrar uma categoria de unidade de conservação privada cuja proteção possui caráter permanente, mesmo que a titularidade da propriedade seja futuramente transferida.

Nesse modelo, a área protegida continua pertencendo ao proprietário, mas o compromisso de conservação fica gravado com perpetuidade na matrícula do imóvel, permitindo conciliar domínio privado da terra com a manutenção permanente dos atributos ambientais reconhecidos na reserva.

Mais do que preservar fisicamente a vegetação existente, a Lagoa do Formoso reúne diferentes funções previstas em seu planejamento, incluindo conservação, educação ambiental, pesquisa científica e visitação, atividades que ampliam o papel ambiental exercido pela propriedade no oeste baiano.

Entre as formações vegetais identificadas dentro da região aparecem campo limpo, campo sujo, vereda, cerrado ralo e cerrado sensu stricto, combinação que revela a diversidade de ambientes encontrados especialmente nas proximidades da própria Lagoa do Formoso.

Essa variedade de fitofisionomias ajuda a explicar a destinação da área para a conservação de porções representativas do Cerrado típico do oeste da Bahia, onde diferentes ambientes naturais permanecem reunidos dentro de uma mesma unidade particular de proteção.

Conservação divide espaço com produção rural na propriedade

No histórico apresentado pelo plano de manejo, a aquisição da área aparece associada ao objetivo de conservar ambientes representativos da região, enquanto a proposta para a propriedade procura compatibilizar proteção da natureza e atividades de produção rural dentro do mesmo território.

Além da vegetação e da fauna, essa estratégia considera serviços ecossistêmicos importantes para a região, como provisão de água, polinização, ciclagem de nutrientes e controle natural de pragas, funções diretamente relacionadas à manutenção de áreas naturais preservadas no Cerrado.

Formalizada pela Portaria 115, publicada no Diário Oficial da União em 2001, a RPPN Lagoa do Formoso passou a proteger oficialmente 502 hectares, com manejo direcionado à conservação, à pesquisa científica, à educação ambiental e à visitação controlada.

Pesquisas científicas estudam fauna, flora e dinâmica do Cerrado

No campo científico, a reserva aparece vinculada a trabalhos sobre ecologia da herpetofauna do Cerrado na região da Trijunção, estudos envolvendo o jacaré-coroa em lagoas do oeste baiano e levantamentos destinados ao conhecimento da fauna e da flora locais.

Por meio dessas pesquisas, especialistas procuram compreender aspectos de taxonomia, ecologia e conservação de anfíbios e répteis, além de investigar a dinâmica de espécies associadas às veredas e a outros ambientes característicos encontrados dentro da propriedade.

Já no caso do jacaré-coroa, o projeto descrito no plano busca avaliar a ecologia, o uso de hábitats e a população da espécie nas lagoas de veredas, ampliando o conhecimento científico sobre animais associados a esses ambientes naturais.

Também há registros de pesquisadores ligados a instituições acadêmicas e científicas, incluindo trabalhos desenvolvidos por integrantes da Universidade de Brasília em cursos de graduação, pós-graduação e investigações realizadas dentro da propriedade, inclusive na área delimitada pela RPPN.

Paralelamente, levantamentos florísticos conduzidos por pesquisadores da Embrapa aparecem entre as atividades mencionadas, acrescentando informações sobre a vegetação local e complementando os estudos de fauna realizados em diferentes pontos da área protegida e de seu entorno.

Outra frente prevista envolve o acompanhamento prolongado da vegetação por meio de parcelas permanentes, estratégia utilizada para estudar a dinâmica do Cerrado, o crescimento da vegetação lenhosa, o estoque de carbono e a organização das comunidades arbóreas existentes na região.

Quanto à herpetofauna, o monitoramento também integra as ações científicas planejadas, permitindo observar como diferentes espécies utilizam formações abertas e fechadas do Cerrado e ampliar o conhecimento sobre ambientes preservados dentro e nas proximidades da Lagoa do Formoso.

Reserva fica conectada ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas

Geograficamente, a posição da reserva acrescenta outro elemento relevante ao projeto, já que a RPPN está localizada a aproximadamente 4,8 quilômetros do limite do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, conforme as informações registradas em seu plano de manejo.

Entre as duas unidades, remanescentes de Cerrado protegidos pela propriedade mantêm uma conexão ambiental, fazendo com que os 502 hectares da Lagoa do Formoso não apareçam isolados em uma paisagem completamente separada de outras áreas naturais conservadas.

Essa continuidade da vegetação aproxima a reserva particular de uma estrutura regional formada por diferentes espaços protegidos, criando uma paisagem na qual remanescentes naturais, unidades de conservação e áreas privadas destinadas à proteção ambiental permanecem fisicamente relacionados.

Em um raio de até 10 quilômetros, o documento identifica as RPPNs Guará I, Guará II e Marco da Trijunção, além do Parque Nacional Grande Sertão Veredas e do Refúgio de Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano.

Nas bordas da Lagoa do Formoso, a conexão também envolve áreas classificadas como Reserva Legal ou Área de Preservação Permanente, enquanto extensões de vegetação nativa acompanham o rio Formoso e permanecem presentes nas proximidades do parque nacional.

Reserva Legal e APP reforçam proteção dentro da fazenda

Dentro do próprio imóvel, diferentes instrumentos ambientais se sobrepõem, pois a Reserva Legal da propriedade coincide integralmente com a área da RPPN, enquanto aproximadamente 10% da unidade também correspondem a Área de Preservação Permanente situada nas margens da lagoa.

Ao redor da reserva, a paisagem continua predominantemente rural, tendo agricultura e pecuária entre as principais atividades econômicas, embora o plano registre a permanência de amostras relevantes das principais fitofisionomias naturais encontradas nessa parte do Cerrado baiano.

Ao mesmo tempo, o documento identifica o avanço da agricultura industrial em determinados pontos da região, contexto que reforça o papel desempenhado pelos remanescentes mantidos na propriedade e por outras áreas legalmente destinadas à conservação ambiental.

Para reduzir impactos sobre os ambientes mais sensíveis, o manejo prevê ações destinadas a preservar a integridade dos ecossistemas, ampliar o conhecimento científico e monitorar riscos relacionados a fogo, caça e espécies invasoras, além de conservar a paisagem existente.

Enquanto algumas áreas admitem pesquisa, visitação e educação ambiental de maneira controlada, setores considerados mais sensíveis possuem restrições de uso e priorizam conservação, monitoramento e produção de conhecimento compatíveis com os objetivos estabelecidos para a unidade.

O que chama mais atenção nesse modelo de conservação privada: a proteção permanente de 502 hectares de Cerrado dentro da propriedade ou a conexão dessa área com pesquisas científicas e uma rede regional formada por outras unidades protegidas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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