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Aos 74 anos, ex-mecânico que trabalhou em usinas ainda voa toda semana no avião que levou 7 anos para construir, retomou sonho interrompido de seu pai e restaurou relíquia australiana de 1936

Aos 74 anos, ex-mecânico que trabalhou em usinas ainda voa toda semana no avião que levou 7 anos para construir, retomou sonho interrompido de seu pai e restaurou relíquia australiana de 1936

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Aos 74 anos, ex-mecânico que trabalhou em usinas ainda voa toda semana no avião que levou 7 anos para construir, retomou sonho interrompido de seu pai e restaurou relíquia australiana de 1936

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 25/08/2026 às 21:21

Atualizado em 25/08/2026 às 21:22

Aos 74 anos, Len Neale ainda decola toda semana no avião construído em casa durante 7 anos.

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Len Neale retomou o sonho interrompido do pai, aplicou suas habilidades na construção de um avião em casa e uniu memória familiar, técnica cuidadosa e história da aviação australiana.

Aos 74 anos, Len Neale ainda decola toda semana no avião construído em casa durante 7 anos. Batizada de Spirit of Smoky Creek, a aeronave soma mais de 700 horas de voo e permanece em operação em Queensland, na Austrália.

A história foi publicada em 16 de agosto de 2026 pela ABC News, emissora pública de notícias da Austrália. A trajetória também inclui a restauração do Miss Sandgate, avião australiano que realizou seu voo de teste em 1936.

O sonho que o pai não conseguiu tirar do papel

O interesse de Len Neale pela aviação começou dentro de casa. Seu pai queria construir um avião grande o bastante para transportar uma pessoa e chegou a comprar linho irlandês para revestir as asas do futuro projeto.

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O plano perdeu espaço quando vieram o casamento, a família e a falta de dinheiro. O tecido que deveria cobrir a aeronave acabou cortado e transformado em lençóis para a casa, uma mudança prática que encerrou aquele sonho.

Aeronave soma mais de 700 horas de voo e permanece em operação em Queensland, na Austrália. (Reprodução: ABC News/ Jasmine Hines)

Após a morte do pai, em 1989, Len decidiu concluir o que ele não havia conseguido iniciar. A construção de um avião próprio passou a carregar não apenas uma ambição pessoal, mas também a memória de uma ideia que atravessou gerações.

7 anos dentro da oficina para construir o avião

Len trabalhou em usinas e tinha formação como ajustador e torneiro, profissões ligadas à fabricação, ao encaixe e ao acabamento preciso de peças. Essa experiência lhe deu domínio sobre metais, medidas e ferramentas, conhecimentos importantes para erguer uma aeronave.

O Spirit of Smoky Creek seguiu o projeto do J6 Karatoo, criado nos Estados Unidos, mas recebeu um motor australiano Jabiru. O trabalho consumiu cerca de 7 anos e exigiu que Len seguisse medidas, equilíbrio e etapas definidas no projeto.

A madeira trouxe uma dificuldade maior, pois não fazia parte de sua experiência profissional. O amigo Kev Wilson, que havia servido na Força Aérea durante ou pouco depois da Segunda Guerra Mundial, passou a atuar como seu mentor e apontava quando alguma parte precisava ser refeita.

Inspeções por etapas afastaram qualquer ideia de improviso

Um avião feito pelo próprio dono não recebe autorização para voar apenas porque parece pronto. O J6 Karatoo de Len passou por inspeções em diferentes fases da construção, o que permitiu verificar o trabalho antes que partes importantes ficassem fechadas ou difíceis de examinar.

Myles Breitkreutz, presidente da Associação de Aeronaves Esportivas da Austrália, ajudou nos projetos de construção e restauração. Ele acompanhou as verificações necessárias para que o avião pudesse obter seu registro e a permissão de voo.

A ABC News, emissora pública de notícias da Austrália, registrou que existem mais de 1.700 aeronaves de construção amadora cadastradas na autoridade australiana de segurança aérea. Outras organizações autorizadas mantêm milhares de registros.

Mais de 700 horas no ar e um voo a cada semana

O Spirit of Smoky Creek voa há mais de 10 anos. Nesse período, Len acumulou mais de 700 horas dentro da aeronave que saiu de sua oficina e continuou usando o avião semanalmente mesmo depois de completar 74 anos.

Ele próprio realizou o voo de teste após a construção. Para Len, respeitar o projeto, montar cada parte corretamente e manter o avião equilibrado são cuidados decisivos. A experiência não aparece como um atalho, mas como resultado de anos de trabalho e verificações sucessivas.

O J6 Karatoo também oferece mais conforto que sua aeronave histórica. Essa diferença ajuda a explicar por que o australiano continua voando com frequência e prefere o modelo construído por ele para seus passeios atuais.

O avião de 1936 apareceu esquecido dentro de um galpão

Antes de voltar ao ar, o Miss Sandgate foi encontrado em um galpão na cidade de Gympie. O irmão mais velho de Len e Kev Wilson localizaram o avião e o transportaram até a região central de Queensland dentro de um caminhão usado para levar gado.

Miss Sandgate (ABC News Jasmine Hines)

A aeronave havia sido construída em Sandgate, na cidade de Brisbane, pelo imigrante Vladimir Slyusarenko, que deixou a Rússia durante a revolução do país. O projeto usava como base o avião Heath V Parasol, criado nos Estados Unidos.

Mesmo depois do transporte, o Miss Sandgate permaneceu sem grandes avanços durante décadas. Len e Kev retomaram o trabalho cerca de 30 anos atrás, quando finalmente restauraram o avião que havia realizado seu primeiro teste em 1936.

A restauração preservou uma parte da aviação australiana

Len chegou a voar com o Miss Sandgate até Narromine, na região central de Nova Gales do Sul. A viagem exigiu cerca de 8 paradas, pois o avião tinha autonomia de combustível de apenas 2 horas.

Durante a restauração, nasceu o terceiro filho de Len. Para manter o compromisso de concluir o projeto, ele escolheu o nome Cameron Heath, uma referência ao modelo Heath V Parasol que serviu de base para a aeronave histórica.

Com o avanço da idade, Len cancelou o registro do Miss Sandgate e passou a preferir o J6 Karatoo, que considera mais confortável. A aeronave de 1936 deixou os voos regulares, mas sua recuperação preservou uma história que poderia ter permanecido esquecida dentro de um galpão.

Um sonho de família que permaneceu no ar

Aos 74 anos, Len Neale mantém no ar o avião que construiu ao longo de 7 anos e conserva a memória do projeto que seu pai precisou abandonar. As mais de 700 horas de voo mostram a continuidade de um trabalho iniciado muito antes da primeira decolagem.

Sua oficina também ajudou a recuperar uma peça da aviação australiana de 1936. Entre inspeções, peças refeitas e décadas de persistência, a história revela como conhecimento profissional e respeito às regras podem transformar um sonho familiar em aeronaves reais.

Você teria coragem de voar em um avião construído pelo próprio piloto? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.

Tags

Miss Sandgaterestauração de avião

Fonte

ABC News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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