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Aos 76 anos, empresário que conheceu o Direito no primeiro emprego aos 17 retomou um sonho quase seis décadas depois, voltou à faculdade, estudou sozinho cerca de 10 horas por dia durante um ano e passou no exame nacional exigido para exercer a advocacia

Aos 76 anos, empresário que conheceu o Direito no primeiro emprego aos 17 retomou um sonho quase seis décadas depois, voltou à faculdade, estudou sozinho cerca de 10 horas por dia durante um ano e passou no exame nacional exigido para exercer a advocacia

4 min de leitura

Aos 76 anos, empresário que conheceu o Direito no primeiro emprego aos 17 retomou um sonho quase seis décadas depois, voltou à faculdade, estudou sozinho cerca de 10 horas por dia durante um ano e passou no exame nacional exigido para exercer a advocacia

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 10/08/2026 às 17:24

Atualizado 10/08/2026 às 17:25

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Depois de uma longa trajetória como administrador, contador, auditor e professor, Sérgio Rodrigues Vieira decidiu enfrentar um novo desafio na velhice. Concluiu Direito aos 76 anos e conquistou a habilitação profissional

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Depois de uma longa trajetória como administrador, contador, auditor e professor, Sérgio Rodrigues Vieira decidiu enfrentar um novo desafio na velhice. Concluiu Direito aos 76 anos e conquistou a habilitação profissional

Aos 17 anos, Sérgio Rodrigues Vieira conseguiu o primeiro emprego em um escritório onde convivia com advogados tributaristas. O contato diário despertou o interesse pelo Direito, mas a vida profissional acabou levando o jovem mineiro para outro caminho.

Décadas depois, já com uma carreira construída e perto dos 70 anos, aquele interesse voltou a ganhar espaço. Sérgio entrou novamente em uma sala de aula, concluiu Direito aos 76 anos e encarou mais um desafio: ser aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

Para chegar lá, mergulhou nos estudos sozinho por aproximadamente um ano, em jornadas que chegavam a 10 horas por dia.

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Aos 17 anos, o Direito apareceu, mas outra carreira falou mais alto

Natural de Itajubá, em Minas Gerais, Sérgio teve contato com a advocacia ainda no primeiro emprego. Apesar do interesse, naquele momento professores destacavam as oportunidades abertas pela chegada e expansão de grandes empresas no Brasil.

A influência familiar também pesou na decisão.

Sérgio seguiu então pela área administrativa e contábil. Formou-se em Administração de Empresas aos 26 anos e, no ano seguinte, concluiu Ciências Contábeis.

O Direito, porém, não desapareceu completamente.

Segundo relato concedido ao Brasil Escola, ele chegou a iniciar a graduação jurídica em outros momentos, mas não conseguiu levá-la até o fim.

Enquanto isso, construiu uma trajetória profissional extensa. Trabalhou como administrador, contador, auditor, consultor empresarial e executivo de uma holding multinacional. Também ocupou cargo na área de finanças da Prefeitura de Pirassununga, no interior de São Paulo.

Na educação, acumulou cerca de 35 anos como professor, inclusive em cursos de pós-graduação e atividades voltadas à formação profissional.

Aos 70 anos, voltou para uma sala cheia de jovens de 18 e 19

Sérgio Rodrigues Vieira retomou o sonho de estudar Direito depois dos 70 anos e, aos 76, concluiu a graduação e conquistou a aprovação no exame exigido para exercer a advocacia no Brasil. Foto: Arquivo Pessoal / reprodução Brasil Escola.

A oportunidade de tentar novamente apareceu em 2020.

Com a expansão das aulas remotas durante a pandemia, Sérgio, então na faixa dos 70 anos, iniciou mais uma vez o curso de Direito.

Quando as atividades presenciais retornaram, precisou enfrentar uma situação incomum. Enquanto a maior parte dos colegas tinha aproximadamente 18 ou 19 anos, ele carregava cinco décadas a mais de experiência.

Em entrevista ao Consultor Jurídico, contou que houve certo distanciamento no início. Com o passar dos semestres, porém, integrou-se à turma e criou uma boa relação com colegas e professores.

Durante aproximadamente cinco anos, precisou conciliar provas, trabalhos e prazos acadêmicos com suas atividades profissionais.

Concluir a faculdade, entretanto, não era o último objetivo.

Foram cerca de 10 horas de estudo por dia para enfrentar a OAB

Sérgio decidiu que também faria o Exame de Ordem.

A preparação durou aproximadamente um ano e aconteceu de maneira quase inteiramente independente. Segundo seu relato, estudava sozinho cerca de 10 horas por dia, sem recorrer a cursinho preparatório.

Nem mesmo o filho, advogado, participou da preparação. Em entrevista ao Brasil Escola, ele afirmou que o mérito da conquista foi resultado do esforço do pai.

A prova ainda reservou um obstáculo.

Sérgio conseguiu passar pela primeira fase, mas não obteve inicialmente a aprovação na etapa prático-profissional. Como já havia superado a prova objetiva, utilizou a chamada repescagem para tentar novamente a segunda fase.

Dessa vez, conseguiu.

Seu nome consta na relação oficial de aprovados do 46º Exame de Ordem Unificado, divulgada pela OAB em 2026.

Quase 20 anos antes, era o filho quem comemorava

Sérgio Rodrigues Vieira ao lado do filho, Sergio Rodrigo Russo Vieira, que também seguiu carreira no Direito e havia conquistado a habilitação para exercer a advocacia em 2007, quase duas décadas antes da aprovação do pai aos 76 anos. Foto: Arquivo Pessoal / reprodução Brasil Escola.

A aprovação criou uma coincidência familiar difícil de ignorar.

Em 2007, Sérgio havia acompanhado a conquista do filho, Sergio Rodrigo Russo Vieira, que também passou na OAB e seguiu carreira na advocacia.

Quase duas décadas depois, os papéis se inverteram.

Agora foi o filho quem viu o pai chegar à profissão que conhecera ainda aos 17 anos e que havia ficado pelo caminho durante boa parte da vida.

Aos 76, Sérgio pretende atuar principalmente nas áreas tributária, empresarial e de família. A primeira delas fecha um ciclo iniciado quase seis décadas antes, justamente quando aquele adolescente começou a trabalhar ao lado de advogados tributaristas.

O caminho escolhido aos 17 mudou sua profissão. Não conseguiu apagar o objetivo que permanecia esperando.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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