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Aos 77 anos, Antônio Fagundes mantém no interior de São Paulo a Fazenda Fama I, dedicada ao cultivo de soja e milho, e vive fora das câmeras a mesma ligação com a terra que o consagrou na TV como o fazendeiro Bruno Mezenga de O Rei do Gado
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/08/2026 às 12:03
Atualizado em 11/08/2026 às 12:11
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Registros públicos identificam o ator como produtor rural, com soja na atividade principal e milho entre as secundárias. A propriedade fica entre Ourinhos e Salto Grande. Em dezembro de 2023, ele entrou com ação de usucapião alegando posse mansa e contínua desde 1998.
O papel que consagrou o ator na televisão tem correspondência em cartório. Antônio Fagundes é identificado em registros públicos como produtor rural, com o cultivo de soja como atividade principal e o de milho entre as secundárias, na Fazenda Fama I, no interior paulista, conforme reportagem assinada por Ana Julia Resende e publicada pela CARAS em 5 de agosto de 2026.
A diferença em relação a boa parte das propriedades de famosos está na função. A fazenda não é refúgio de fim de semana, e sim unidade produtiva ligada a atividade econômica, com registros de lavouras recentes que incluem milho de segunda safra. O ator completou 77 anos em 18 de abril e mantém essa operação desde antes de virar Bruno Mezenga na ficção.
Fazenda Fama I fica entre Ourinhos e Salto Grande
A localização aparece na documentação e na cobertura sobre o caso. A propriedade está na região de Salto Grande e Ourinhos, no interior de São Paulo, área do médio Paranapanema.
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O nome Fazenda Fama I consta em bases públicas de georreferenciamento rural com registro nos dois municípios, o que indica área que se estende pela divisa. É região tradicional de grãos no estado, com solo e clima adequados ao ciclo de soja no verão seguido de milho na safrinha, exatamente o calendário que os registros da propriedade apontam.
Soja é a atividade principal e o milho vem em seguida
A divisão entre as duas culturas não é aleatória. Nos registros em nome do ator, a soja aparece como atividade econômica principal e o milho entre as secundárias, arranjo padrão no sistema de dupla safra praticado no Centro-Sul do país.
O funcionamento é o seguinte: a soja é plantada no início das chuvas e colhida por volta de janeiro e fevereiro. Logo depois, sem intervalo, entra o milho de segunda safra na mesma área, aproveitando a umidade residual e a janela até o fim do período chuvoso. É o mesmo talhão produzindo duas vezes no mesmo ano agrícola, e o portal Agro em Campo registra operações recentes envolvendo justamente esse ciclo na propriedade do ator.
Ação de usucapião foi ajuizada em dezembro de 2023
A Fazenda Fama I ganhou repercussão fora do meio rural quando virou assunto judicial. Em dezembro de 2023, a coluna Fábia Oliveira, do Metrópoles, revelou que o ator havia ingressado com ação de usucapião extraordinária no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Usucapião é o mecanismo pelo qual alguém adquire a propriedade de um bem pelo uso prolongado e contínuo, desde que cumpridos os requisitos legais. Segundo os autos, Antônio Fagundes se declara coproprietário de um imóvel rural com matrícula em cartório de Ourinhos e afirma exercer sobre ele posse mansa, pacífica e contínua desde 1998. Vinte e cinco anos de posse separavam o início da ocupação do pedido formal de reconhecimento.
Ator pediu tramitação prioritária alegando idade avançada
O processo trouxe um detalhe pouco divulgado. Além do reconhecimento da propriedade, ele solicitou que o caso tramitasse com maior velocidade.
O fundamento do pedido é a prioridade processual assegurada por lei a pessoas idosas. Na petição, o ator invocou a própria idade, então de 74 anos, para justificar a urgência. Ele também afirmou que comprovaria o direito ao imóvel e a qualidade da posse por todos os meios de prova admitidos, incluindo documentos, testemunhas e perícia. A ação declara expressamente que há exploração agrícola no local, com cultivo de soja e de milho.
Bruno Mezenga foi construído com pesquisa de campo no Araguaia
A ligação entre ator e personagem não foi improvisada. Para viver o fazendeiro de O Rei do Gado, Antônio Fagundes passou uma temporada na região do Araguaia, em Mato Grosso, observando a rotina local antes das gravações.
Exibida originalmente em 1996, a novela acompanhava o romance entre Bruno Mezenga e Luana, personagem de Patricia Pillar. O protagonista havia construído fortuna com a criação de gado, e a trama abordava disputas familiares, conflitos pela posse da terra e o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra. Vinte e sete anos depois de interpretar um homem em litígio por terra, o ator entrou com a própria ação sobre posse de imóvel rural.
Diferença entre ficção e realidade está no produto
A comparação entre Bruno Mezenga e o produtor rural da vida real tem um ponto de divergência importante. O personagem construiu império com pecuária, e é do gado que vem o nome da novela.
A Fazenda Fama I não é de pecuária. A atividade registrada é agricultura de grãos, com soja e milho, negócio de lógica completamente diferente da criação de bois: depende de calendário de chuva, preço de commodity em bolsa, custo de fertilizante e janela de plantio, e não de rebanho, pasto e ciclo de engorda. O rei do gado, na prática, produz grão.
Ator voltou às novelas em 2026 após sete anos
Em 2026, Antônio Fagundes retornou à teledramaturgia da Globo depois de sete anos afastado. Ele fez participação especial em Quem Ama Cuida, interpretando Arthur Brandão.
O personagem é um milionário que construiu império no mercado de joias e passa a enfrentar conflitos com os próprios familiares por causa da fortuna. É o segundo papel da carreira dele centrado em patriarca rico em disputa com a família, situação que também estruturava a trama de O Rei do Gado três décadas antes. A carreira dele na televisão começou em 1969, na TV Tupi, e chegou à Globo em 1976.
Vida rural convive com a carreira desde 1998
O que a documentação permite afirmar é que a relação de Antônio Fagundes com a terra é anterior a boa parte do público que o conhece. A posse alegada nos autos remonta a 1998, ou seja, dois anos depois de O Rei do Gado ir ao ar.
Não há informação pública sobre a área total da propriedade, a produtividade por hectare, o volume colhido por safra ou quem administra a operação no dia a dia. O que existe são registros que identificam o ator como produtor rural em atividade e uma ação judicial em que ele mesmo descreve a exploração agrícola do local.
Conta nos comentários: você imaginava que o ator de O Rei do Gado fosse produtor rural de verdade, e ainda por cima de grãos e não de gado? E na sua opinião, ator que investe em fazenda toca o negócio de perto ou costuma deixar tudo na mão de administrador?
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Antônio Fagundes
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

