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Aos 79 anos, engenheiro mecânico formado havia meio século cursou Física como aluno isolado, tirou média 7,5 e passou em Engenharia de Controle e Automação na UFSC em Blumenau catarinense
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/08/2026 às 13:12
Atualizado em 15/08/2026 às 13:15
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Ivo Klug, engenheiro mecânico diplomado pela Federal do Paraná 50 anos antes, foi o calouro mais idoso do vestibular 2019 da UFSC, recusou validar disciplinas para aproveitar as 4.400 horas do curso e resumiu o plano de estudos com o lema inspirado em Juscelino Kubitschek: “serão 50 anos em cinco”
Um engenheiro mecânico de Blumenau provou que diploma não tem data de validade para quem quer aprender de novo. Ivo Klug, então com 79 anos, foi aprovado no vestibular 2019 da Universidade Federal de Santa Catarina para cursar Engenharia de Controle e Automação no campus de Blumenau, tornando-se o candidato mais idoso aprovado naquela edição do exame. As informações são da própria UFSC, em publicação de fevereiro de 2019, e a história voltou a circular nacionalmente em 2026.
A conquista fechou um ciclo de meio século. Klug havia se formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Paraná 50 anos antes e, quando as aulas do novo curso começassem, no segundo semestre de 2019, o calouro já estaria com 80 anos de idade.
Vaga veio no vestibular 2019 como candidato mais idoso da UFSC
A aprovação não foi presente de ninguém. Klug enfrentou o mesmo vestibular dos adolescentes, com três dias de provas, e descreveu a experiência sem romantismo. “A prova foi difícil, cansativa, são três dias. Fui bem em matemática, mas não consegui fazer todas as discursivas. É muito diferente da minha época”, contou o engenheiro à época da divulgação do resultado.
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O desempenho garantiu um registro histórico. Aos 79 anos, ele se tornou o candidato mais idoso aprovado no vestibular 2019 da UFSC, conquistando vaga num curso integral de dez semestres em uma das universidades federais mais concorridas do Sul do país. A família, a esposa Vera Regina e os três filhos, Alessandra, Jamile e Pedro Ivo, acompanhou a virada do patriarca de perto.
Teste começou um ano antes, na cadeira de Física
A aprovação foi planejada como um projeto de engenharia: por etapas. Antes de se inscrever no vestibular, Klug frequentou o campus da UFSC em Blumenau durante 2018, quando cursou a disciplina de Física I na condição de aluno isolado, modalidade que permite estudar matérias sem estar matriculado num curso.
O teste-piloto saiu melhor que a encomenda. O engenheiro foi aprovado na disciplina com média 7,5, competindo com estudantes 60 anos mais jovens, e saiu da experiência apaixonado pela área de Controle e Automação, pela estrutura do campus e pelos professores. Foi essa temporada de readaptação que o convenceu a disputar oficialmente uma vaga no vestibular seguinte.
Meio século separava os dois diplomas
Entre a primeira e a segunda graduação, coube uma vida profissional inteira. Depois de concluir Engenharia Mecânica na Federal do Paraná, Klug passou por diversas empresas e cidades, viajou ao exterior, acumulou uma série de cursos e uma pós-graduação, construindo carreira sólida na indústria.
Nem a aposentadoria, em 2003, o tirou da ativa. O engenheiro seguiu trabalhando como responsável técnico na construção de elevadores e lecionou no Senai até 2018, onde deu o curso de Operações de Caldeira para mais de 40 turmas. Foi justamente a sensação de estar desatualizado diante das novas tecnologias que o fez trocar a posição de professor pela de aluno, de volta ao ponto de partida.
Plano rejeitou atalhos e abraçou as 4.400 horas do curso
O regulamento permitiria encurtar o caminho, mas Klug recusou. O engenheiro decidiu cursar todas as disciplinas da nova graduação, sem validar nenhuma matéria com base na primeira formação, para aproveitar integralmente as 4.400 horas de conteúdo do curso.
A meta ganhou até slogan presidencial. “Serão 50 anos em cinco”, resumiu o calouro, adaptando o lema de Juscelino Kubitschek para descrever o plano de recuperar meio século de avanços tecnológicos ao longo dos cinco anos da graduação, com uma especialização no horizonte. O objetivo declarado era aprender com profundidade a projetar, analisar e usar sistemas de controle e automação, na área de concentração de Controle de Processos.
Curso escolhido é vitrine da automação industrial
A escolha de Klug mirou uma das áreas mais aquecidas da engenharia. O curso de Engenharia de Controle e Automação da UFSC Blumenau, conforme o guia oficial da universidade, é oferecido em período integral, com 100 vagas anuais, e forma profissionais para automatizar processos domésticos, comerciais e industriais.
O leque de atuação conversa com a indústria catarinense. A formação habilita o engenheiro para Controle de Processos, Automação da Manufatura e Informática Industrial, com disciplinas como Sistemas de Automação e Introdução à Robótica Industrial, e abre portas em setores que vão de petróleo e gás a têxtil, metalúrgica e alimentícia. Para um profissional que passou décadas em caldeiras e elevadores, era o mapa exato do futuro que ele queria alcançar.
História voltou a circular pelo país em 2026
Sete anos depois da aprovação, o caso ganhou uma segunda onda de fama. Em 2026, veículos como a Revista Fórum, em publicação de 24 de junho, e portais de engenharia recontaram a trajetória do calouro de Blumenau como símbolo de recomeço acadêmico na terceira idade.
O apelo permanece o mesmo que o próprio Klug formulou em 2019. “Eu digo para todos: entre numa Federal porque lá é tudo coisa boa, bem feita e séria. Se estiver difícil, estude, porque depois de entrar você não vai se arrepender. Eu não me arrependo”, declarou o engenheiro, prometendo sair da UFSC “com o diploma na mão”. A universidade não divulgou publicamente, até o fechamento desta reportagem, informações sobre a conclusão do curso pelo estudante.
Recado do calouro de 79 anos segue valendo
A história de Ivo Klug junta tudo o que faz uma boa lição de recomeço: um diploma de meio século atrás, um ano de teste como aluno isolado, três dias de vestibular vencidos aos 79 anos e a recusa deliberada a qualquer atalho no novo curso. O engenheiro mecânico que voltou à sala de aula para “fazer 50 anos em cinco” virou, sete anos depois, referência nacional de que a universidade pública não tem idade máxima de entrada. O ORGULHO que ele cantarolou no dia da aprovação segue ecoando cada vez que a história é republicada.
E você, teria coragem de encarar um vestibular e cinco anos de curso integral depois dos 70? Conte nos comentários qual curso faria se pudesse recomeçar os estudos hoje, em qualquer idade.
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Engenheiro Mecânico
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

