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Aos 8 anos, menino catava latinhas na favela do Sapé e décadas depois transformou dois caminhões destruídos em um negócio de até R$ 60 milhões por ano, Geraldo Rufino fundou a JR Diesel, apontada como a maior recicladora de peças de caminhões da América Latina

Aos 8 anos, menino catava latinhas na favela do Sapé e décadas depois transformou dois caminhões destruídos em um negócio de até R$ 60 milhões por ano, Geraldo Rufino fundou a JR Diesel, apontada como a maior recicladora de peças de caminhões da América Latina

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Aos 8 anos, menino catava latinhas na favela do Sapé e décadas depois transformou dois caminhões destruídos em um negócio de até R$ 60 milhões por ano, Geraldo Rufino fundou a JR Diesel, apontada como a maior recicladora de peças de caminhões da América Latina

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 07/08/2026 às 18:13

Atualizado em 07/08/2026 às 18:14

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Geraldo Rufino começou a trabalhar ainda criança na periferia de São Paulo, passou de office-boy a diretor e montou uma pequena operação de transporte com os irmãos. Em 1985, um acidente destruiu dois caminhões sem seguro. A tentativa de recuperar o prejuízo vendendo as peças abriu caminho para a JR Diesel, empresa que hoje atua na desmontagem legal e no reaproveitamento de componentes de veículos pesados.

Antes de existir a JR Diesel, Geraldo Rufino já conhecia de perto uma atividade que décadas depois estaria no centro de seu negócio. Ainda menino, na favela do Sapé, na zona oeste de São Paulo, ele recolhia latas e outros materiais que poderiam ser vendidos e reaproveitados.

A infância foi marcada por dificuldades financeiras e pela morte precoce da mãe. Aos oito anos, Rufino já trabalhava, primeiro em atividades como ensacar carvão e também recolhendo materiais descartados para contribuir com as despesas de casa. A trajetória relatada por O Antagonista mostra que aquela rotina ensinou ao garoto a procurar valor justamente onde outras pessoas enxergavam descarte.

O caminho até se tornar empresário, porém, levou anos. Rufino conseguiu emprego como office-boy no Playcenter, cresceu profissionalmente dentro da empresa e, ao mesmo tempo, começou a fazer negócios com os irmãos, até entrar no transporte de cargas.

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Foi justamente nessa operação paralela que aconteceu o episódio que mudaria sua vida. Dois caminhões sofreram um acidente em 1985 e ficaram seriamente danificados, deixando a família diante de veículos financiados, sem seguro e praticamente impossíveis de colocar novamente na estrada.

O acidente que parecia um prejuízo revelou um mercado escondido dentro dos próprios caminhões

Geraldo Rufino. (Foto: JR Diesel)

A saída encontrada pelos irmãos foi desmontar os veículos e tentar vender aquilo que ainda funcionava. Motor, câmbio, componentes mecânicos e outras peças tinham compradores, mesmo quando o caminhão completo já não servia mais para transporte.

Segundo o SBT News, Rufino conta que a JR Diesel não nasceu de uma ideia empresarial previamente planejada, mas desse acidente. Ao perceber a procura pelos componentes retirados dos veículos, ele estudou como o setor funcionava e concluiu que poderia transformar aquela solução emergencial em atividade permanente.

A JR Diesel foi fundada em 1985 e passou a atuar na compra, desmontagem e comercialização de componentes provenientes de veículos pesados. O negócio cresceu em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, justamente em um mercado durante muito tempo associado informalmente aos chamados desmanches.

Rufino continuou trabalhando durante parte desse período e acumulou experiência administrativa antes de concentrar sua trajetória empresarial na companhia. Em março de 2026, o Jornal do Comércio informou que ele havia começado como office-boy ainda adolescente, chegado à diretoria do Playcenter e posteriormente construído a JR Diesel. A publicação apontou faturamento atual entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões anuais, além de crescimento informado pela empresa de cerca de 30% ao ano.

A operação que começou desmontando caminhões passou a recuperar peças em escala industrial

O princípio comercial é relativamente simples. Quando um caminhão que atende aos requisitos legais chega para desmontagem, os componentes que ainda podem ser utilizados são separados, identificados e posteriormente comercializados. Aquilo que não possui condições de reaproveitamento segue para reciclagem ou destinação apropriada.

Reciclagem de caminhões ganha escala industrial

A própria JR Diesel informa que mudanças no processo produtivo reduziram de dois ou três dias para aproximadamente duas horas o tempo necessário para desmontar um caminhão. A empresa também declara utilizar identificação e rastreabilidade nas peças e possuir credenciamento para atividade de desmontagem.

O tamanho atingido pela operação já aparecia em levantamentos feitos há mais de uma década. Em 2014, o UOL informou que a companhia havia desmontado 900 caminhões durante 2013 e registrado faturamento de R$ 50 milhões naquele ano com a comercialização de peças usadas. O número é histórico e não deve ser confundido com um balanço atual.

A PUCRS, onde Rufino participa de cursos voltados a gestão e liderança, descreve o empresário como fundador da JR Diesel e informa que a companhia gera mais de 180 empregos diretos. A instituição também apresenta a empresa como um negócio avaliado em nove dígitos, embora não divulgue laudo público de avaliação que permita conferir o valor exato.

O setor mudou e hoje uma peça usada precisa ter origem rastreável

O crescimento da reciclagem automotiva aconteceu junto com uma transformação legal no mercado brasileiro. Em São Paulo, a Lei nº 15.276, sancionada em 2 de janeiro de 2014, estabeleceu regras para veículos em fim de vida útil e determinou que determinadas operações de desmontagem sejam realizadas por estabelecimentos credenciados pelo Detran-SP.

Na prática, isso ajuda a separar a desmontagem legal do mercado clandestino de peças. Veículos sinistrados ou destinados definitivamente ao desmonte podem fornecer componentes reutilizáveis, mas a procedência e a circulação dessas peças precisam obedecer às normas aplicáveis.

Esse modelo permite recuperar motores, transmissões, diferenciais, cabines e dezenas de outros componentes que ainda possuem vida útil. Além da redução de custos para quem necessita reparar um veículo pesado, o reaproveitamento evita que materiais utilizáveis sejam enviados diretamente para sucata e mantém parte deles por mais tempo na cadeia produtiva.

Para caminhões, isso tem peso adicional. Veículos comerciais utilizam componentes de alto valor e permanecem muitos anos em circulação, fazendo com que peças usadas com procedência documentada tenham mercado entre transportadoras, oficinas e proprietários independentes.

Antes do negócio milionário vieram seis quebras e uma reconstrução difícil

A ascensão da JR Diesel não ocorreu continuamente. Rufino costuma dizer que “quebrou seis vezes”, expressão usada por ele para descrever períodos em que perdeu dinheiro ou precisou reorganizar seus negócios, e não necessariamente seis processos formais de falência.

Um dos episódios mais graves ocorreu no início dos anos 2000. Depois de um investimento que não apresentou o resultado esperado, o empresário precisou reconstruir a operação. A partir daí, as perdas financeiras e os recomeços passaram também a fazer parte de seus livros e palestras.

Essa segunda carreira transformou Rufino em uma figura conhecida fora do setor automotivo. Além de participar do conselho da JR Diesel, ele atua como escritor, palestrante e aparece frequentemente em eventos sobre empreendedorismo e gestão empresarial.

A história, entretanto, começou muito antes de auditórios e grandes contratos. O mesmo princípio de procurar utilidade em algo descartado apareceu em dois momentos decisivos de sua vida, primeiro nas latinhas recolhidas durante a infância e, décadas depois, nos componentes retirados de caminhões destruídos.

De um caminhão sem condições de rodar surgiu uma empresa que atravessou quatro décadas

Em 2025, a JR Diesel completou 40 anos desde sua criação. O negócio iniciado depois do acidente de 1985 atravessou mudanças na legislação, crises econômicas e alterações profundas na frota brasileira de veículos pesados.

O caso de Geraldo Rufino chama atenção justamente porque a oportunidade não surgiu de capital abundante nem de um projeto sofisticado preparado durante anos. Surgiu diante de dois caminhões acidentados, dívidas ainda abertas e peças que poderiam recuperar parte do dinheiro perdido.

Décadas depois, aquela tentativa de reduzir um prejuízo tornou-se uma empresa especializada em desmontagem e reaproveitamento de veículos pesados, apresentada em diferentes publicações como uma das principais operações do setor na América Latina. A trajetória ligou a coleta de materiais da infância a um negócio baseado justamente em devolver valor econômico ao que perderia sua função original.

E você, teria enxergado uma oportunidade de negócio em dois caminhões destruídos ou consideraria os veículos apenas um prejuízo? Deixe sua opinião nos comentários e conte o que mais chamou sua atenção na trajetória de Geraldo Rufino.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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