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Aos 96 anos, Lima Duarte, um dos atores mais marcantes da história da televisão brasileira, trocou o ritmo dos estúdios por um sítio no interior de São Paulo, onde vive entre mata nativa, lagos, nascentes, jabuticabeiras e uma capela depois de dedicar mais de sete décadas aos palcos e às telas

Aos 96 anos, Lima Duarte, um dos atores mais marcantes da história da televisão brasileira, trocou o ritmo dos estúdios por um sítio no interior de São Paulo, onde vive entre mata nativa, lagos, nascentes, jabuticabeiras e uma capela depois de dedicar mais de sete décadas aos palcos e às telas

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Aos 96 anos, Lima Duarte, um dos atores mais marcantes da história da televisão brasileira, trocou o ritmo dos estúdios por um sítio no interior de São Paulo, onde vive entre mata nativa, lagos, nascentes, jabuticabeiras e uma capela depois de dedicar mais de sete décadas aos palcos e às telas

Escrito por Ana Alice

Publicado em 11/08/2026 às 14:45

Atualizado em 11/08/2026 às 14:46

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Aos 96 anos, Lima Duarte vive em um sítio em Indaiatuba, cercado pela natureza e por memórias de mais de sete décadas de carreira. – Imagem: Instagram/Reprodução/Caras

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Aos 96 anos, Lima Duarte mantém uma rotina mais reservada em Indaiatuba, onde o sítio reúne memórias de décadas de televisão, árvores plantadas em homenagem a amigos e espaços usados para novos conteúdos digitais.

Aos 96 anos, Lima Duarte passa grande parte de sua rotina em um sítio de Indaiatuba, no interior de São Paulo, cercado por árvores, recordações de personagens e objetos acumulados durante mais de sete décadas de trabalho.

O afastamento do ritmo intenso das gravações, porém, não significou desaparecimento completo da vida artística.

Em maio de 2026, o ator deixou temporariamente a rotina reservada no campo e foi a São Paulo para receber uma homenagem da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por 75 anos de carreira.

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Aos 96, subiu ao palco em uma de suas raras aparições públicas recentes.

Seu trabalho mais recente diante das câmeras havia sido lançado no ano anterior.

Em 2025, Lima participou do episódio final da série Pablo e Luisão, do Globoplay, interpretando um velho amigo de Tio Zé.

A participação foi apresentada por integrantes da produção como uma despedida das telas.

Entre esses compromissos pontuais, é em Indaiatuba que o ator mantém uma rotina mais distante da exposição que acompanhou personagens como Zeca Diabo, Sinhozinho Malta e Sassá Mutema.

Sítio de Lima Duarte fica em Indaiatuba, no interior de São Paulo

A propriedade está localizada em Indaiatuba, município do interior paulista, onde Lima Duarte vive há anos.

O local aparece com frequência em registros publicados pelo próprio ator e também já serviu de cenário para reportagens e produções sobre sua trajetória.

O sítio reúne jardins, vegetação, espaços abertos, áreas de plantio e árvores cultivadas pelo ator.

Fotografias divulgadas ao longo dos anos mostram Lima na varanda, caminhando pela propriedade ou acompanhado de familiares.

A natureza ganhou também um significado particular na maneira como ele preserva lembranças.

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Em entrevista ao Gshow, Lima contou que costuma plantar uma árvore para cada amigo que morre.

As espécies ficam reunidas em uma área da propriedade e funcionam, para ele, como uma maneira de manter presentes pessoas que fizeram parte de sua vida.

“No meu sítio, para cada amigo que morre eu planto uma árvore”, contou o ator ao explicar o costume.

Há árvores frutíferas e até exemplares de mirra entre as plantas mencionadas na propriedade.

Assim, parte do terreno acabou se tornando também um espaço de memória pessoal, construído lentamente à medida que amigos de diferentes períodos de sua trajetória partiram.

Casa de Lima Duarte guarda objetos e lembranças da televisão

As lembranças da carreira não estão apenas nas árvores.

Dentro da residência, um dos cômodos foi dedicado à trajetória de Lima Duarte na televisão.

O espaço reúne fotografias, objetos ligados a produções, livros, quadros e recordações de personagens que atravessaram diferentes épocas da dramaturgia brasileira.

Entre os materiais preservados estão referências a Sassá Mutema, protagonista de O Salvador da Pátria, exibida em 1989, e a Sinhozinho Malta, personagem de Roque Santeiro, de 1985.

O ambiente funciona quase como um arquivo doméstico de uma carreira que acompanhou praticamente toda a história da televisão no Brasil.

Lima estava presente quando a TV Tupi iniciou suas transmissões em 18 de setembro de 1950.

À época, tinha 20 anos e já havia passado pelo rádio.

A partir dali, trabalhou como ator, sonoplasta, apresentador, dublador e diretor.

Décadas depois, parte dessa história passou a dividir o mesmo endereço em que ele escolheu viver com maior tranquilidade.

Lima Duarte chegou a São Paulo em um caminhão de mangas

Lima Duarte nasceu em 29 de março de 1930, no interior de Minas Gerais.

Seu nome de batismo é Ariclenes Venâncio Martins.

Ainda adolescente, deixou a região onde cresceu e chegou a São Paulo em 1946 em um caminhão que transportava mangas.

O começo no rádio não foi imediato.

Depois de não ser aprovado em um teste por causa do forte sotaque, conseguiu trabalhar como aprendiz de sonoplasta na Rádio Tupi.

As imitações que fazia acabaram chamando atenção e abriram caminho para as radionovelas.

O nome artístico surgiu após uma conversa com a mãe, América, que havia trabalhado no circo.

Segundo relato do próprio ator preservado pela Memória Globo, ela sugeriu que ele adotasse o nome Lima Duarte, ligado a uma figura de sua crença espiritual.

Quando a televisão brasileira nasceu oficialmente, em 1950, ele já estava ali.

Também participou de Sua Vida me Pertence, reconhecida como a primeira telenovela brasileira, exibida pela TV Tupi.

A experiência ajudou a fazer sua trajetória profissional acompanhar a própria transformação do meio televisivo no país.

Lima Duarte dentro da residência no sítio de Indaiatuba, com parte da área verde da propriedade visível ao fundo. Crédito: Reprodução/Instagram @limaduarte

Zeca Diabo, Sinhozinho Malta e Sassá Mutema marcaram a carreira

Lima estreou na Globo em 1972, em O Bofe.

No ano seguinte veio um papel que ampliaria sua projeção nacional: Zeca Diabo, de O Bem-Amado.

Inicialmente, segundo relato do ator à Memória Globo, o personagem teria participação curta.

A repercussão mudou os planos e Zeca permaneceu na história, transformando-se em um dos tipos mais associados ao trabalho de Lima.

Outros personagens alcançariam repercussão semelhante.

Em 1985, ele interpretou Sinhozinho Malta em Roque Santeiro.

Três anos depois, viveu Sassá Mutema em O Salvador da Pátria, outro personagem central de sua carreira.

Posteriormente vieram trabalhos como A Próxima Vítima, Uga Uga, Da Cor do Pecado, Belíssima, Caminho das Índias, I Love Paraisópolis e O Outro Lado do Paraíso.

O ator também construiu uma trajetória extensa no cinema, no teatro, no rádio e na dublagem, tornando a televisão apenas uma das partes de sua atividade artística.

Sítio de Lima Duarte também virou cenário para vídeos nas redes sociais

Nas últimas décadas, a propriedade de Indaiatuba ganhou uma função que dificilmente faria parte da rotina quando Lima iniciou a carreira no rádio.

A casa, a varanda e os espaços externos passaram a servir de cenário para vídeos publicados nas redes sociais do ator.

Neles, Lima recorda histórias profissionais, fala sobre envelhecimento, homenageia colegas e compartilha episódios de sua vida.

O perfil oficial do artista reúne centenas de publicações e mantém uma audiência de centenas de milhares de seguidores.

Em março de 2026, quando completou 96 anos, Lima publicou um vídeo dedicado à data e à própria lucidez.

O sítio também foi usado como cenário de uma produção profissional.

Na série documental Tributo, do Globoplay, Lima recebeu a equipe em sua propriedade de Indaiatuba.

O ator Sergio Guizé, amigo e vizinho, participou do episódio visitando o veterano no local.

A escolha permitiu que uma produção sobre sua carreira fosse gravada justamente no espaço em que parte dessas lembranças é guardada.

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Aos 96 anos, Lima Duarte fez rara aparição pública

A rotina mais reservada não impede compromissos ocasionais.

Em 4 de maio de 2026, pouco mais de um mês depois de completar 96 anos, Lima compareceu à cerimônia da APCA em São Paulo para receber uma homenagem pelos 75 anos de carreira.

O Gshow descreveu a presença como uma das raras aparições públicas do ator e apontou a participação em Pablo e Luisão, lançada em 2025, como seu trabalho mais recente.

Na série, Lima aparece no 16º e último episódio, interpretando um amigo de Tio Zé.

A cena aproximou novamente um artista ligado às primeiras décadas da televisão brasileira de uma produção criada diretamente para o streaming.

Existe um contraste curioso nessa fase de sua trajetória.

O homem que estava presente quando a televisão brasileira começou, em 1950, passou a velhice em uma propriedade cercada por árvores e objetos de décadas de trabalho, mas continuou aparecendo justamente nas formas mais novas de comunicação: streaming e redes sociais.

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Ana Alice

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Entre as árvores plantadas para amigos, o cômodo dedicado aos personagens e os vídeos gravados no próprio sítio, o endereço em Indaiatuba acabou reunindo diferentes capítulos de uma carreira que atravessou rádio, nascimento da televisão, novelas em preto e branco, grandes produções em cores e plataformas digitais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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