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Aos cerca de 50 anos e depois de passar cerca de 40 deles num zoológico, chimpanzé Black resgatado de atividades circenses aguardava no zoo de Sorocaba, sozinho havia 8 anos, o cumprimento da ordem judicial que faria dele o novo morador do santuário na mesma cidade

Aos cerca de 50 anos e depois de passar cerca de 40 deles num zoológico, chimpanzé Black resgatado de atividades circenses aguardava no zoo de Sorocaba, sozinho havia 8 anos, o cumprimento da ordem judicial que faria dele o novo morador do santuário na mesma cidade

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Aos cerca de 50 anos e depois de passar cerca de 40 deles num zoológico, chimpanzé Black resgatado de atividades circenses aguardava no zoo de Sorocaba, sozinho havia 8 anos, o cumprimento da ordem judicial que faria dele o novo morador do santuário na mesma cidade

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 24/08/2026 às 22:43

Atualizado em 24/08/2026 às 22:57

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Décadas sob cuidados humanos, uma longa permanência no zoológico e oito anos sem outro chimpanzé marcaram a trajetória de Black antes que uma decisão judicial alterasse sua rotina e provocasse uma disputa envolvendo profissionais, entidades de proteção animal e pessoas contrárias à transferência.

Com idade estimada em cerca de 50 anos, Black deixou em 6 de maio de 2019 o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, depois de aproximadamente quatro décadas no local e oito anos sem a companhia permanente de outro chimpanzé.

Determinada pela Justiça, a transferência levou o primata ao Santuário de Grandes Primatas, também localizado em Sorocaba, encerrando uma disputa sobre qual ambiente deveria recebê-lo depois de uma existência quase inteiramente marcada pela permanência sob cuidados humanos.

Oito anos sem outro chimpanzé pesaram na decisão

Antes de chegar ao zoológico sorocabano, a trajetória de Black havia começado longe dali, pois, segundo o Jornal Cruzeiro do Sul, ele foi resgatado de um circo com aproximadamente oito anos e ainda passou por outro zoológico antes de chegar ao Quinzinho de Barros.

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De acordo com o histórico divulgado pelo Santuário de Grandes Primatas, o chimpanzé chegou ao parque de Sorocaba em 1979 e permaneceu ali por cerca de quatro décadas, período em que dividiu parte da rotina com Rita, que se tornou sua companheira.

A convivência mudou em 2011, após a morte de Rita, quando Black passou a viver sem a presença permanente de outro animal da mesma espécie, condição mantida durante os oito anos seguintes e que ganhou peso na discussão sobre uma transferência definitiva.

Nesse cenário, o isolamento tornou-se um dos principais pontos da disputa judicial, enquanto a Agência de Notícias de Direitos Animais e a Associação Sempre Pelos Animais defendiam a mudança e profissionais contrários destacavam a adaptação do chimpanzé ao zoológico e aos tratadores.

Entre os elementos considerados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo estava um parecer técnico do biólogo Sérgio Greif, segundo o qual a ausência de contato com outros primatas figurava entre os fatores capazes de causar incômodo ao animal mantido sozinho.

Embora a mudança permanente ainda estivesse em discussão, Black já conhecia o santuário, pois permaneceu temporariamente no local em 2004, durante uma reforma em seu recinto no Quinzinho de Barros, ocasião em que também teve contato com a chimpanzé Margarete.

Encerrada aquela passagem, o animal retornou ao zoológico acompanhado de Rita, mas a possibilidade de uma transferência ganhou novo significado anos depois, quando a morte da companheira deixou Black sem convivência direta e contínua com outro indivíduo da própria espécie.

Transferência de Black foi planejada para evitar sedação

Para cumprir a decisão judicial em 6 de maio de 2019, as equipes organizaram uma operação controlada em uma segunda-feira, quando o zoológico permanecia fechado ao público, e limitaram a seis o número de profissionais diretamente posicionados nas proximidades do recinto.

Em vez de recorrer imediatamente à anestesia, a estratégia buscava fazer com que Black entrasse voluntariamente na estrutura utilizada no transporte, reduzindo a necessidade de sedação; dois profissionais pertenciam ao zoológico, enquanto os demais integravam a equipe responsável pelo santuário.

Durante a preparação, nem mesmo a imprensa recebeu acesso ao recinto, enquanto pessoas contrárias à retirada do chimpanzé se concentraram na entrada de serviço do parque e defenderam sua permanência no ambiente onde ele havia vivido durante aproximadamente quatro décadas.

De um lado da controvérsia estava o argumento da longa adaptação ao Quinzinho de Barros e aos profissionais responsáveis por seus cuidados; de outro, aparecia a possibilidade de devolver ao chimpanzé a convivência com indivíduos de sua própria espécie.

Com o cumprimento da ordem, Black deixou o parque municipal e passou a morar no santuário da mesma cidade, encerrando simultaneamente a permanência de cerca de 40 anos no zoológico e o período de oito anos sem companhia direta de outro chimpanzé.

Convivência com Dolores marcou a nova rotina

Já instalado no santuário, Black voltou a ter a socialização incorporada à rotina, justamente um dos pontos utilizados pelos defensores da transferência durante a disputa judicial que definiu onde o chimpanzé deveria permanecer em uma fase avançada de sua vida.

Nesse novo ambiente, Black passou a viver com Dolores e, segundo o Projeto GAP, adaptou-se à rotina da instituição, integrou-se ao espaço e manteve convivência com a chimpanzé durante o período em que permaneceu sob os cuidados do santuário.

Além da companhia de Dolores, a entidade relatou que Black circulava pelo recinto, utilizava túneis e outras estruturas disponíveis e acompanhava a movimentação de grupos mantidos em áreas vizinhas, comportamento registrado depois dos anos vividos sozinho no zoológico de Sorocaba.

Embora tenha permanecido menos de dois anos na nova casa, esse período interrompeu uma sequência de oito anos sem convivência direta e permanente com outro chimpanzé, contrastando com as aproximadamente quatro décadas que haviam marcado sua passagem pelo Quinzinho de Barros.

Em 4 de fevereiro de 2021, Black apresentou dificuldade de locomoção e leve apatia, recebeu medicação e passaria por uma avaliação mais completa; dois dias depois, em 6 de fevereiro, morreu após uma parada cardiorrespiratória, antes da realização do procedimento planejado.

Ao longo de cerca de cinco décadas, sua trajetória passou pela exploração circense na juventude, por diferentes zoológicos, pela convivência com Rita, por oito anos sozinho e, após uma disputa judicial, pela retomada do contato permanente com outro chimpanzé no santuário.

Por quanto tempo um chimpanzé, depois de perder seu único companheiro da mesma espécie em cativeiro, deveria permanecer sozinho antes que a possibilidade de uma nova convivência passe a pesar de forma decisiva nas escolhas sobre seu bem-estar?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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