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Após cinco anos de combate, EUA declaram erradicada a vespa-mandarina, espécie invasora capaz de matar uma colmeia inteira em 90 minutos, depois de usar telemetria para seguir insetos vivos por florestas, encontrar quatro ninhos em árvores e mobilizar moradores, cientistas e agências agrícolas em uma operação nacional sem precedentes

Após cinco anos de combate, EUA declaram erradicada a vespa-mandarina, espécie invasora capaz de matar uma colmeia inteira em 90 minutos, depois de usar telemetria para seguir insetos vivos por florestas, encontrar quatro ninhos em árvores e mobilizar moradores, cientistas e agências agrícolas em uma operação nacional sem precedentes

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Após cinco anos de combate, EUA declaram erradicada a vespa-mandarina, espécie invasora capaz de matar uma colmeia inteira em 90 minutos, depois de usar telemetria para seguir insetos vivos por florestas, encontrar quatro ninhos em árvores e mobilizar moradores, cientistas e agências agrícolas em uma operação nacional sem precedentes

Escrito por Carla Teles

Publicado em 17/08/2026 às 21:15

Atualizado em 17/08/2026 às 21:16

Ciência e Tecnologia

Canal

A vespa-mandarina foi erradicada dos Estados Unidos após operação em Washington usar telemetria contra a espécie invasora.

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A vespa-mandarina foi declarada erradicada dos Estados Unidos após cinco anos de esforços em Washington, onde equipes usaram transmissores de telemetria para seguir insetos vivos, localizar quatro ninhos em árvores e eliminá-los. A operação envolveu moradores, cientistas, autoridades agrícolas e monitoramento contínuo até três anos sem novas detecções confirmadas oficialmente.

A vespa-mandarina, espécie invasora conhecida cientificamente como Vespa mandarinia, foi oficialmente considerada erradicada dos Estados Unidos após uma operação iniciada em 2019 no estado de Washington. O trabalho reuniu autoridades estaduais e federais, pesquisadores e moradores para localizar os insetos, encontrar seus ninhos e impedir que a espécie se estabelecesse no país.

Segundo comunicado oficial do Washington State Department of Agriculture (WSDA), divulgado em 18 de dezembro de 2024 em conjunto com o USDA, a declaração ocorreu depois de três anos sem qualquer detecção confirmada. Ao longo de cinco anos, as equipes localizaram e eliminaram quatro ninhos e mantiveram programas de armadilhas e vigilância pública principalmente no condado de Whatcom.

Vespa-mandarina apareceu nos Estados Unidos em 2019

Imagem: Reprodução/IA.

A primeira confirmação da vespa-mandarina em Washington aconteceu em dezembro de 2019, meses depois de a espécie ter sido identificada na Colúmbia Britânica, no Canadá. A proximidade geográfica inicialmente levantou a possibilidade de que os registros tivessem a mesma origem.

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Análises genéticas, porém, indicaram um cenário mais complexo. Os exemplares encontrados no Canadá e nos Estados Unidos aparentemente representavam introduções diferentes, já que apresentavam indícios de origem em países distintos, segundo o histórico divulgado pelo WSDA.

Espécie poderia eliminar uma colmeia em apenas 90 minutos

A preocupação das autoridades não estava ligada somente ao tamanho do inseto. A vespa-mandarina é um predador capaz de atacar abelhas e outros insetos, representando uma ameaça potencial para polinizadores caso conseguisse estabelecer uma população permanente.

De acordo com o WSDA, um grupo dessas vespas pode matar uma colmeia inteira de abelhas em apenas 90 minutos. O órgão também alerta que sua ferroada oferece risco maior à saúde humana do que a de uma abelha comum.

Primeiro grande desafio era encontrar ninhos escondidos

Equipe especializada atua durante a operação de localização e erradicação de ninhos da vespa-mandarina no estado de Washington. Imagem: Karla Salp/Washington State Department of Agriculture

Detectar uma vespa isolada não significava saber onde estava sua colônia. Esse foi um dos principais obstáculos enfrentados pelas equipes, porque os ninhos permaneciam escondidos dentro de cavidades de árvores, longe da observação direta.

As autoridades precisavam encontrar o local de origem antes que novas rainhas pudessem ampliar a população. A resposta envolveu armadilhas, observação de campo e uma estratégia tecnológica incomum: capturar exemplares vivos e transformá-los involuntariamente em guias até suas próprias colônias.

Telemetria permitiu seguir vespas vivas pela floresta

O USDA forneceu pequenos transmissores de telemetria, tecnologia que já havia sido utilizada pelo APHIS em trabalhos relacionados a outra espécie invasora. Os dispositivos foram adaptados para acompanhar a vespa-mandarina.

Depois de capturados, insetos vivos recebiam os transmissores e eram novamente liberados. As equipes então acompanhavam o sinal enquanto as vespas voavam por áreas de floresta, seguindo sua trajetória até pontos onde os ninhos permaneciam escondidos.

Quatro ninhos foram encontrados dentro de árvores

A estratégia ajudou as autoridades a chegar às colônias. O primeiro ninho localizado nos Estados Unidos foi encontrado e eliminado em outubro de 2020, durante o primeiro ano completo da operação de campo.

Outros três foram descobertos entre agosto e setembro de 2021. Todos os quatro ninhos de vespa-mandarina estavam instalados em cavidades de amieiros, segundo o Departamento de Agricultura do Estado de Washington.

Remoção exigiu proteção e equipamentos especializados

Chegar ao ninho representava apenas uma parte do problema. As equipes ainda precisavam retirar as vespas de cavidades estreitas em árvores enquanto evitavam ferroadas e impediam que indivíduos escapassem durante a intervenção.

Os trabalhos envolveram trajes de proteção, ferramentas especializadas e procedimentos desenvolvidos especificamente para a operação. Parte dessa etapa aconteceu durante a pandemia de Covid-19, acrescentando outras limitações à logística das equipes.

Moradores ajudaram a localizar metade das detecções confirmadas

A tecnologia não foi responsável sozinha pelo resultado. A participação da população de Washington tornou-se uma das principais ferramentas de vigilância usadas pelas autoridades durante os cinco anos da campanha.

Segundo o WSDA, metade das detecções confirmadas veio diretamente do público, enquanto todos os ninhos encontrados tiveram relação direta ou indireta com relatos feitos por moradores. Cientistas cidadãos também auxiliaram no acompanhamento de armadilhas e de possíveis novos registros.

Operação reuniu governos estadual e federal

Equipe do Washington State Department of Agriculture após a remoção das vespas do primeiro ninho localizado nos Estados Unidos, em outubro de 2020. Foto: Washington State Department of Agriculture

A campanha envolveu o WSDA e o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o APHIS. A agência federal forneceu financiamento, pessoal, tecnologia, pesquisa e conhecimento científico para apoiar a resposta conduzida em Washington.

Também houve colaboração com outras instituições e grupos comunitários. O trabalho ocorreu durante vários anos porque a erradicação de uma espécie invasora exige mais do que remover os indivíduos conhecidos: é necessário demonstrar que não restaram populações capazes de se reproduzir.

Três anos sem registros permitiram declarar a erradicação

Depois dos três ninhos destruídos em 2021, nenhuma nova vespa-mandarina foi confirmada na principal área afetada. Mesmo assim, armadilhas, campanhas de informação e vigilância continuaram até 2024.

Somente após três anos consecutivos sem novas detecções confirmadas, WSDA e USDA anunciaram a erradicação. A declaração encerrou formalmente uma operação iniciada cinco anos antes, quando os primeiros exemplares apareceram perto de Blaine, no estado de Washington.

Um registro suspeito ainda exigiu cautela

Em outubro de 2024, um morador do condado de Kitsap, ao sul de Port Orchard, enviou às autoridades uma imagem de um inseto semelhante a uma vespa. O exemplar físico, porém, nunca foi recuperado.

Sem o inseto para análise, não foi possível confirmar que se tratava de uma vespa-mandarina. Armadilhas foram colocadas na região e novas denúncias foram estimuladas, mas nenhuma evidência adicional surgiu durante o período descrito pelo WSDA.

Combate protegeu abelhas, agricultura e ecossistemas

Caso conseguisse estabelecer populações permanentes, a espécie poderia aumentar a pressão sobre abelhas e outros polinizadores. Isso teria consequências que ultrapassariam a apicultura, porque esses organismos participam diretamente da reprodução de diversas plantas e culturas agrícolas.

Por essa razão, as autoridades tratam a erradicação como uma ação de proteção ambiental e econômica. Impedir a expansão da vespa-mandarina significou reduzir um risco potencial para polinizadores, plantações, ecossistemas e atividades agrícolas dependentes desses insetos.

Erradicação não significa abandonar a vigilância

A experiência também deixou uma advertência. O fato de a espécie ter chegado aos Estados Unidos uma vez demonstra que novas introduções podem ocorrer, motivo pelo qual autoridades agrícolas continuam incentivando a identificação e a comunicação de insetos suspeitos.

O caso mostra como detecção precoce, participação da população e tecnologia podem determinar o resultado do combate a uma espécie invasora. Na sua opinião, operações desse tipo deveriam receber mais investimentos antes que organismos invasores consigam se espalhar ou os recursos deveriam ser concentrados apenas quando o impacto já estiver comprovado? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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