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Após comprar um terreno em Mangaratiba e adiar a obra por anos, Regina Casé ergueu uma casa modular de madeira, plantou as árvores do entorno, criou uma palafita e uma capela na mata e transformou a propriedade no refúgio afetivo que chama de “museu de mim mesma”
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/08/2026 às 17:22
Atualizado em 07/08/2026 às 17:23
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Refúgio cercado pela natureza reúne arquitetura brasileira, madeira, objetos pessoais e espaços carregados de memória, revelando uma residência construída ao longo do tempo com escolhas familiares, referências afetivas e elementos pouco convencionais que ajudam a explicar a identidade singular da propriedade.
Cercado pela vegetação de Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro, o terreno adquirido por Regina Casé ganhou uma casa modular de madeira marcada por lembranças acumuladas ao longo da vida, escolhas familiares e uma relação direta com a natureza.
Além da arquitetura integrada à paisagem, o imóvel reúne objetos recebidos de amigos, peças trazidas de viagens, uma palafita criada a partir de um pedido da filha Benedita e uma pequena capela instalada entre as árvores da propriedade.
Embora a compra do terreno tenha ocorrido antes, a construção não começou imediatamente, porque Regina levou anos para transformar o projeto em realidade até que uma cobrança feita por Benedita, ainda criança, ajudasse a acelerar a decisão de erguer a residência.
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A partir daquele impulso familiar, tomou forma uma casa planejada para dialogar com a paisagem e, simultaneamente, receber a grande quantidade de objetos, lembranças e referências pessoais que a apresentadora havia preservado durante diferentes momentos de sua trajetória.
Casa de Regina Casé em Mangaratiba tem projeto de Sérgio Rodrigues
Responsável pelo desenho da residência, o arquiteto e designer Sérgio Rodrigues concebeu uma construção formada por módulos, com forte presença de madeira e integração constante com a área verde que envolve a propriedade de Regina Casé em Mangaratiba.
Segundo reportagem do jornal Correio, o profissional chegou a visitar a casa depois de pronta e destacou seu caráter brasileiro, perceptível na mistura entre referências culturais, memórias familiares e peças de diferentes origens distribuídas pelos ambientes.
Em vez de seguir uma linguagem única ou reproduzir uma decoração rigidamente padronizada, os interiores foram preenchidos com elementos que chegaram à família em épocas distintas e carregam histórias relacionadas a amizades, viagens e experiências pessoais da apresentadora.
Essa mistura também ajuda a explicar o estilo descrito por Regina como eclético, no qual objetos considerados visualmente atraentes dividem espaço com peças mantidas principalmente pelo significado emocional, sem a necessidade de obedecer a um padrão decorativo uniforme.
“Museu de mim mesma” reúne lembranças pessoais
Foi dentro dessa lógica afetiva que Regina passou a definir a residência como um “museu de mim mesma”, expressão usada para representar a maneira como objetos, presentes e memórias pessoais permanecem incorporados aos diferentes ambientes da propriedade.
Longe de funcionar como um espaço formal de exposição, a casa reúne registros materiais de vínculos construídos durante a vida, permitindo que lembranças familiares, presentes de pessoas próximas e referências de viagens continuem presentes na rotina dos moradores.
Ao preservar peças de origens variadas, a decoração transforma diferenças de estilo em parte da identidade do imóvel, criando ambientes nos quais o valor sentimental pode ocupar posição tão importante quanto a aparência ou a combinação entre materiais.
Nesse conjunto, arquitetura e memória não aparecem separadas, pois a estrutura concebida por Sérgio Rodrigues funciona como base para acomodar um acervo pessoal que cresceu ao longo do tempo e permaneceu ligado às experiências vividas pela família.
Estrutura de madeira aproxima a casa da natureza
Presente em boa parte da construção, a madeira exerce papel central na arquitetura e aproxima visualmente os módulos da vegetação ao redor, reforçando uma relação entre espaços internos, áreas abertas e elementos naturais existentes dentro da propriedade.
Ao organizar a residência de maneira modular, o projeto permitiu integrar diferentes ambientes sem afastá-los da paisagem tropical, fazendo com que jardins, árvores e áreas externas participassem da experiência cotidiana da casa em vez de funcionarem apenas como cenário.
Também fora da construção, Regina teve participação direta na transformação do terreno, já que contou ter plantado, ao lado do jardineiro, praticamente todas as árvores que atualmente cercam a residência e ajudam a definir sua aparência.
Muitas dessas plantas estão relacionadas a pessoas ou lugares específicos, repetindo no jardim a mesma lógica afetiva encontrada nos ambientes internos, onde presentes e objetos permanecem associados às histórias de quem os ofereceu ou aos lugares de onde vieram.
Palafita surgiu de um pedido de Benedita
Entre os elementos menos convencionais da propriedade está uma palafita construída depois de um pedido de Benedita, que conheceu esse tipo de moradia durante os estudos e quis ter uma estrutura semelhante no terreno da família.
Incorporada ao projeto a partir dessa lembrança da infância, a palafita deixou de ser apenas uma ideia da filha e passou a integrar os espaços usados pela família para descanso e contemplação em meio à área verde.
Por ter surgido de uma situação familiar concreta, a construção acrescentou ao imóvel um componente que não nasceu de uma tendência arquitetônica, mas de uma experiência vivida dentro da própria família durante o desenvolvimento da residência.
Assim como ocorre com os objetos mantidos nos interiores, a presença da palafita mostra como diferentes episódios pessoais foram absorvidos pela propriedade e acabaram transformados em elementos permanentes de sua arquitetura e de sua história.
Capela entre as árvores reforça caráter pessoal da casa
Em outra área da propriedade, uma pequena capela foi instalada entre a vegetação e passou a ocupar um espaço ligado à religiosidade de Regina, acrescentando uma dimensão pessoal que ultrapassa as escolhas relacionadas à arquitetura e à decoração.
Cercada pela mata, a capela reforça a integração entre os espaços construídos e a natureza, ao mesmo tempo em que representa uma ligação da apresentadora com temas relacionados à fé, ao mistério e ao sagrado.
Essa relação também aparece na maneira como Regina descreve o contato diário com plantas e elementos recebidos de outras pessoas, experiências que ajudaram a ampliar sua percepção sobre a natureza e sobre aspectos ligados à espiritualidade.
Ao lado do jardim formado durante anos, o pequeno espaço religioso se torna mais uma referência pessoal incorporada ao terreno, acompanhando a mesma lógica encontrada na palafita, nos objetos guardados e nas árvores plantadas pela apresentadora.
Decoração afetiva foge de padrões rígidos
Dentro da casa, a quantidade de objetos, lembranças e peças de origens distintas afasta os ambientes de uma decoração montada exclusivamente a partir de tendências, permitindo que o valor sentimental tenha presença constante nas escolhas feitas pela família.
Em vez de eliminar diferenças entre estilos, a organização preserva contrastes e transforma essa variedade em parte permanente da residência, enquanto a estrutura de madeira oferece unidade visual suficiente para receber referências culturais e pessoais bastante diversas.
Projetados para organizar a construção sem apagar sua relação com a paisagem, os módulos concebidos por Sérgio Rodrigues servem de base para ambientes nos quais presentes, lembranças e referências brasileiras continuam visíveis em diferentes pontos da casa.
Por meio dessa combinação, a personalidade da moradora aparece menos em acabamentos grandiosos e mais na decisão de conservar objetos associados a relações, viagens e experiências que atravessaram fases distintas da vida pessoal e profissional.
Jardim prolonga as memórias para fora da residência
Do lado externo, a formação do jardim amplia a mesma narrativa encontrada dentro da casa, já que o plantio realizado ao longo do tempo estabeleceu uma ligação direta entre a transformação física do terreno e a ocupação da propriedade pela família.
Mais do que um acabamento paisagístico, a vegetação passou a integrar a história do imóvel, especialmente porque Regina participou do plantio das árvores e associou muitas delas a pessoas, lugares e lembranças preservadas ao longo dos anos.
Enquanto a palafita remete a um pedido de Benedita durante a infância, a capela se relaciona com a fé da apresentadora, fazendo com que cada estrutura acrescente uma origem diferente à identidade construída dentro da propriedade.
Esses elementos ajudam a tornar a casa reconhecível sem depender de metragem, luxo ou soluções monumentais, pois o interesse está concentrado justamente na maneira como arquitetura, natureza e memórias familiares foram reunidas em um mesmo espaço.
Frequentemente apresentada em reportagens como mansão ou sítio, a propriedade se diferencia principalmente pela soma entre arquitetura assinada, madeira, mata, objetos pessoais e estruturas que nasceram de episódios específicos da vida da família.
Em vez de concentrar sua identidade em um único ambiente, a residência distribui essas referências pela construção e pelo terreno, permitindo que decisões feitas em momentos diferentes permaneçam visíveis sem apagar as marcas acumuladas durante a trajetória dos moradores.
Ao chamar a casa de “museu de mim mesma”, Regina sintetiza essa relação entre moradia e memória, na qual viagens, amizades, família, fé e contato com a natureza permanecem representados por objetos, árvores e espaços incorporados à propriedade.
Da estrutura modular ao jardim plantado ao longo dos anos, passando pela palafita e pela pequena capela escondida entre as árvores, cada parte do imóvel acrescenta uma camada específica à história construída pela família em Mangaratiba.
Você escolheria viver em uma casa na qual objetos, árvores e espaços fossem preservados principalmente pelas memórias que carregam, permitindo que arquitetura, natureza e história familiar permanecessem reunidas no mesmo lugar durante diferentes fases da vida?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

