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Após ruptura de filamentos fechar completamente a Ponte Anita Garibaldi por dez dias, MPF amplia investigação sobre falhas estruturais e cobra histórico completo da obra, enquanto o DNIT sustenta que testes realizados em 2015 comprovaram desempenho dentro das normas e que mudanças posteriores nas forças dos estais não significam erro construtivo

Após ruptura de filamentos fechar completamente a Ponte Anita Garibaldi por dez dias, MPF amplia investigação sobre falhas estruturais e cobra histórico completo da obra, enquanto o DNIT sustenta que testes realizados em 2015 comprovaram desempenho dentro das normas e que mudanças posteriores nas forças dos estais não significam erro construtivo

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Após ruptura de filamentos fechar completamente a Ponte Anita Garibaldi por dez dias, MPF amplia investigação sobre falhas estruturais e cobra histórico completo da obra, enquanto o DNIT sustenta que testes realizados em 2015 comprovaram desempenho dentro das normas e que mudanças posteriores nas forças dos estais não significam erro construtivo

Escrito por Carla Teles

Publicado em 27/08/2026 às 16:20

Atualizado em 27/08/2026 às 16:51

Construção

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Ponte Anita Garibaldi: DNIT diz que estais não provam erro construtivo, enquanto MPF amplia investigação sobre a estrutura. Imagem: Reprodução/Bismarck BK/YouTube.

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A Ponte Anita Garibaldi voltou ao centro de investigação após ruptura de filamentos que provocou interdição total por dez dias. O MPF cobra documentos e histórico técnico da obra, enquanto o DNIT afirma que ensaios de 2015 comprovaram desempenho adequado e que alterações nos estais não indicam falha construtiva isoladamente.

A Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina, passou a ser alvo de uma apuração ampliada do Ministério Público Federal após a ruptura de filamentos em uma cordoalha do sistema de estais levar ao fechamento completo da travessia em 9 de julho de 2026. A circulação foi retomada parcialmente dez dias depois, em 19 de julho, sob restrições.

Segundo informações publicadas pelo ND Mais em 26 de agosto de 2026, o MPF requisitou ao DNIT documentos e esclarecimentos sobre a construção, fiscalização e anomalias registradas na estrutura. O departamento, por sua vez, sustenta que ensaios realizados logo após a conclusão da obra, em 2015, indicaram desempenho compatível com as normas de engenharia.

Ruptura de filamentos levou ao fechamento completo da ponte

Imagem: Divulgação/Prefeitura de Laguna.

A ocorrência que reacendeu a discussão sobre as condições da Ponte Anita Garibaldi foi identificada em 2026 durante inspeções técnicas. As avaliações constataram a ruptura de filamentos em uma das cordoalhas que integram o sistema de estais da estrutura.

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Diante do problema, a ponte foi completamente interditada em 9 de julho, interrompendo temporariamente o tráfego pela travessia da BR-101. O bloqueio permaneceu durante dez dias enquanto eram realizadas avaliações, reparos e procedimentos técnicos.

Tráfego retornou, mas permanece sob restrições

A circulação foi parcialmente restabelecida em 19 de julho, com operação em pista simples. Isso significa que a Ponte Anita Garibaldi não voltou imediatamente às condições normais de funcionamento após o período de fechamento completo.

A velocidade máxima permanece limitada a 50 km/h. Veículos de transporte especial com mais de 10 toneladas por eixo ou largura superior a quatro metros continuam impedidos de atravessar a estrutura enquanto prosseguem reparos e testes complementares.

MPF ampliou investigação sobre histórico da obra

O episódio levou o Ministério Público Federal a aprofundar a apuração das condições estruturais da ponte. Um despacho de 21 de agosto passou a integrar procedimento preparatório destinado a identificar as causas das avarias e avaliar eventuais providências jurídicas.

O MPF quer reconstruir não apenas o episódio de 2026, mas também o histórico técnico da Ponte Anita Garibaldi, incluindo problemas anteriores, fiscalizações, intervenções e a participação de agentes públicos e empresas privadas responsáveis pela obra.

Procuradoria quer saber quem conhecia os problemas anteriores

Entre os esclarecimentos requisitados está a informação sobre eventual conhecimento prévio do DNIT a respeito das anomalias verificadas em 2022 e novamente em 2026. O órgão também deverá esclarecer de onde partiram as comunicações sobre esses problemas e quais providências foram adotadas.

A investigação ainda busca identificar nominalmente servidores do DNIT que participaram de vistorias, ensaios e provas de carga. O MPF também quer a identificação dos responsáveis técnicos envolvidos na construção, incluindo fiscais públicos e engenheiros ligados aos consórcios contratados.

Contratos e relatórios da Ponte Anita Garibaldi também foram cobrados

Imagem: Reprodução/Bismarck BK/YouTube.

A requisição não se limita a respostas administrativas. O Ministério Público Federal solicitou um conjunto amplo de documentos relacionados à execução e ao acompanhamento da obra.

Entre eles estão contratos celebrados com empreiteiras e consórcios, projetos de engenharia aprovados, medições, relatórios de fiscalização, comprovantes de pagamentos públicos e registros relacionados à transferência da infraestrutura para a iniciativa privada. A intenção é permitir uma análise documental de toda a trajetória da estrutura.

DNIT diz que testes de 2015 estavam dentro das normas

Em resposta às discussões sobre a ponte, o DNIT destacou os resultados de ensaios realizados em 2015, período imediatamente posterior à conclusão da obra. Na ocasião, a estrutura foi submetida a provas de carga estática e dinâmica.

Segundo o departamento, esses ensaios indicaram desempenho em conformidade com as normas de engenharia vigentes. O relatório correspondente foi encaminhado à concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em 6 de agosto de 2026.

Diferença na força dos estais não provaria erro construtivo

Outro ponto central da manifestação do DNIT envolve as forças registradas nos estais. Medições feitas posteriormente apresentaram diferenças em relação aos valores observados nos testes realizados em 2015.

O departamento sustenta, entretanto, que essas alterações, analisadas de maneira isolada, não constituem evidência suficiente de erro construtivo, deficiência de projeto ou inconsistência na documentação da Ponte Anita Garibaldi. Esse posicionamento não encerra a apuração conduzida pelo MPF.

Projeto previa monitoramento contínuo dos estais

O DNIT também afirma que o projeto final da obra, conhecido como As Built, continha orientações específicas para acompanhamento contínuo da estrutura depois de sua entrega.

Essas diretrizes incluíam inspeção preventiva e conservação dos estais e das juntas de dilatação. A existência dessas recomendações mostra que o acompanhamento após a construção fazia parte dos procedimentos previstos para a manutenção da ponte.

Problemas já haviam exigido intervenção em 2022

A ocorrência de 2026 não foi o primeiro episódio a provocar atenção sobre a estrutura. Em 2022, a Ponte Anita Garibaldi passou por intervenção emergencial depois que anomalias foram identificadas em um de seus pilares.

Naquele momento, reforços metálicos foram instalados e parte do tráfego pesado precisou ser desviada para a Ponte das Laranjeiras, no bairro Cabeçuda. O mesmo histórico agora faz parte das informações examinadas pelo Ministério Público Federal.

DNIT afirma não ter recebido alertas relevantes antes de outubro de 2022

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De acordo com o posicionamento apresentado pelo departamento, até outubro de 2022 não haviam sido encaminhadas informações apontando problemas estruturais relevantes ou vícios ocultos na ponte.

Depois de comunicado pela concessionária sobre a existência de anomalias, o DNIT afirma ter passado a fornecer os dados solicitados e acompanhar as discussões técnicas relacionadas às intervenções necessárias.

Investigação ainda não determina que houve erro na construção

A ampliação da apuração não significa, por si só, que tenha sido comprovada falha de projeto ou execução. O procedimento busca justamente reunir os elementos técnicos e documentais necessários para esclarecer a origem dos problemas encontrados.

Por outro lado, os resultados favoráveis dos testes realizados em 2015 também não encerram automaticamente as dúvidas levantadas pelos acontecimentos posteriores. O MPF pretende confrontar documentos, inspeções e registros de diferentes períodos antes de avaliar eventuais responsabilidades.

Ponte Anita Garibaldi fica entre testes de 2015 e problemas identificados anos depois

A situação coloca lado a lado dois conjuntos de informações: de um lado, ensaios que, segundo o DNIT, atestaram desempenho adequado da Ponte Anita Garibaldi em 2015; de outro, anomalias registradas em 2022 e a ruptura de filamentos que provocou dez dias de interdição completa em 2026.

Agora, a investigação busca determinar como esses acontecimentos se relacionam e se houve falhas de acompanhamento, manutenção, projeto ou execução. Na sua opinião, uma obra dessa dimensão deveria ter todo o histórico de inspeções e manutenção disponível publicamente para acompanhamento da sociedade? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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