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Após sete anos sendo negada em entrevistas de emprego por deficiência física, mulher faz mais de 600 entregas em cadeira de rodas, precisa rejeitar quase nove em cada dez pedidos para escritórios, enfrenta os obstáculos que a limitam e expõe barreiras entre um percurso e outro em Singapura

Após sete anos sendo negada em entrevistas de emprego por deficiência física, mulher faz mais de 600 entregas em cadeira de rodas, precisa rejeitar quase nove em cada dez pedidos para escritórios, enfrenta os obstáculos que a limitam e expõe barreiras entre um percurso e outro em Singapura

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Após sete anos sendo negada em entrevistas de emprego por deficiência física, mulher faz mais de 600 entregas em cadeira de rodas, precisa rejeitar quase nove em cada dez pedidos para escritórios, enfrenta os obstáculos que a limitam e expõe barreiras entre um percurso e outro em Singapura

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/08/2026 às 12:46

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Roszana Ali encontrou nas entregas em cadeira de rodas sua primeira oportunidade real de renda, mas escadas, elevadores, distâncias e a bateria do equipamento definiam quais pedidos ela podia aceitar e quanto conseguia ganhar em Singapura.

Para Roszana Ali, aceitar uma entrega começava pela análise do caminho. Em 2019, aos 26 anos, ela já havia realizado mais de 600 entregas em cadeira de rodas durante oito meses, após passar sete anos sem conseguir emprego.

A informação foi publicada pela CNA, veículo jornalístico de notícias de Singapura, em 2 de maio de 2019. A rotina de Roszana mostrou que entregar uma refeição não dependia apenas de retirar o pedido e encontrar o endereço. Era preciso saber se havia elevador, entrada acessível e bateria suficiente para completar o percurso.

Trabalhar depende do caminho

Roszana fazia a maior parte das retiradas no centro comercial Jurong Point. Ela ativava o aplicativo somente quando estava perto do local, evitando que a comida esfriasse antes de chegar ao cliente. Ainda assim, cada pedido exigia uma avaliação sobre distância e acessibilidade.

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Um percurso de 3 a 4 quilômetros já era considerado distante. Quando necessário, ela utilizava o metrô, mesmo que a viagem de ida e volta consumisse mais de 1 dólar de Singapura de seu ganho.

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Em uma das entregas acompanhadas, o elevador da estação Pioneer estava sem funcionar. Roszana já estava atrasada e precisou esperar a chegada da equipe de manutenção. Em outro endereço, descobriu que o elevador do prédio não parava em todos os andares. O cliente precisou se deslocar para buscar a comida.

As entregas possíveis em cadeira de rodas

A jornada acontecia de terça a domingo, durante cinco horas por dia. Roszana recebia normalmente entre 5 e 7 dólares de Singapura por pedido e conseguia completar de cinco a sete entregas antes que a bateria da cadeira terminasse.

As entregas em residências eram mais acessíveis do que aquelas destinadas a escritórios. Problemas nas entradas e nos elevadores faziam com que ela precisasse rejeitar quase 9 em cada 10 pedidos para ambientes comerciais.

Os clientes costumavam ajudá-la a retirar a refeição da bolsa presa à parte traseira da cadeira. A reação geralmente era positiva, embora algumas pessoas demonstrassem surpresa ao perceber que a entrega havia sido realizada por uma mulher que usava cadeira de rodas.

Sete anos de tentativas antes da primeira oportunidade

Roszana tem paralisia cerebral, condição que afeta o controle dos músculos e a coordenação dos movimentos. Ela começou a frequentar uma escola aos 15 anos e fez mais de dez cursos externos, incluindo treinamentos de informática e conhecimentos básicos para o trabalho.

Depois de concluir os estudos, participou de pelo menos seis entrevistas de emprego e recebeu respostas negativas em todas. Em uma seleção para trabalhar com entrada de dados, ouviu que realizava as tarefas lentamente. Aos 22 anos, deixou de procurar trabalho.

A mudança começou quando Juni Syafiqah Jumat, sua amiga desde a escola, apresentou o serviço de entregas. Juni também tinha paralisia cerebral e já trabalhava havia três meses na plataforma. Ela ajudou Roszana a preencher a inscrição pela internet e acompanhou a amiga durante o primeiro pedido.

Obstáculos diminuíam diretamente a renda

A CNA, veículo jornalístico de notícias de Singapura, registrou que um entregador usando patinete elétrico conseguia ganhar cerca de 2,5 vezes mais no mesmo período de trabalho. Em um exemplo, Roszana recebeu 29 dólares de Singapura, enquanto outro entregador poderia alcançar aproximadamente 74 dólares.

Sete anos de tentativas antes da primeira oportunidade.

A diferença não era causada por falta de dedicação. A cadeira tinha menor autonomia, algumas rotas exigiam o pagamento do metrô e muitos pedidos precisavam ser recusados antes mesmo do início da viagem.

O serviço trouxe renda e permitiu que Roszana ajudasse os pais, mas não oferecia a estabilidade e os benefícios de um emprego fixo. A flexibilidade da plataforma abriu uma possibilidade de trabalho, porém não eliminou as barreiras presentes nas ruas e nos prédios.

Plataforma não havia previsto entregadores em cadeira de rodas

Roszana e Juni faziam parte de um grupo de aproximadamente 20 entregadores em cadeira de rodas, dentro de uma plataforma que reunia cerca de 13 mil trabalhadores. O próprio sistema não apresentava a cadeira de rodas elétrica entre as opções de veículo no momento da inscrição.

Em 2019, a GrabFood planejava adicionar essa opção ao aplicativo e limitar as distâncias destinadas a esses profissionais. A empresa também estudava identificar áreas sem acessibilidade para evitar que entregadores perdessem tempo recusando pedidos.

Outra mudança prevista era avisar restaurantes e clientes quando a pessoa responsável pela entrega usasse cadeira de rodas. A intenção era facilitar a oferta de ajuda e preparar o consumidor para um possível tempo maior de deslocamento. Naquele momento, porém, essas medidas ainda eram planos.

A ajuda que mudou o equipamento

A repercussão da história revelou outro problema: a cadeira usada por Roszana no trabalho estava apresentando falhas após nove anos de uso. O defeito dificultava as entregas e poderia colocar sua segurança em risco durante os deslocamentos.

Roszana e Juni faziam parte de um grupo de aproximadamente 20 entregadores em cadeira de rodas.

Mais de 50 pessoas procuraram formas de ajudar. Muhammad Bukhary, um dos doadores mobilizados pelo caso, entrou em contato com mais de 30 pessoas e conseguiu reunir cerca de 2.100 dólares de Singapura em menos de um dia. A nova cadeira foi entregue dentro dos três dias seguintes.

Roszana chegou a abrir uma arrecadação coletiva pela internet, mas encerrou a campanha em menos de uma hora porque o valor do equipamento já havia sido coberto. A cadeira nova era mais rápida e tinha um assento mais firme, o que melhorou suas condições de trabalho sem resolver os obstáculos dos trajetos.

Uma rota de trabalho não deveria depender da sorte

As mais de 600 entregas realizadas por Roszana mostraram o que muitos clientes não conseguiam observar da porta de casa. Uma escada, um elevador parado ou uma entrada inadequada podia transformar um pedido comum em uma rota impossível e reduzir a renda daquele dia.

A mobilização garantiu um equipamento melhor, mas a experiência também deixou uma questão maior: o acesso ao trabalho não pode depender apenas do esforço individual quando cidades, prédios e plataformas continuam inacessíveis.

Você já havia pensado nesses obstáculos antes de pedir uma entrega? Compartilhe esta história e deixe sua opinião.

Fonte

CNA


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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