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Após sobreviver a 34 atropelamentos, peixe-boi Astro, celebridade de 468 kg, ganha proteção da Justiça, que impõe fiscalização, gaiolas nas hélices e regras contra assédio de turistas

Após sobreviver a 34 atropelamentos, peixe-boi Astro, celebridade de 468 kg, ganha proteção da Justiça, que impõe fiscalização, gaiolas nas hélices e regras contra assédio de turistas

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Após sobreviver a 34 atropelamentos, peixe-boi Astro, celebridade de 468 kg, ganha proteção da Justiça, que impõe fiscalização, gaiolas nas hélices e regras contra assédio de turistas

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 30/08/2026 às 20:29

Atualizado em 30/08/2026 às 20:30

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Astro em seu ambiente natural
Imagem: FMA/Divulgação

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Após sobreviver a 34 colisões com embarcações, Astro terá proteção reforçada por decisão da Justiça, que exige protetores de hélice, fiscalização náutica e ações contra turistas que tocam, alimentam ou oferecem bebidas ao animal marinho

O peixe-boi Astro, de aproximadamente 35 anos e 468 kg, ganhou novas medidas de proteção após sobreviver a 34 colisões documentadas com embarcações. A Justiça Federal de Sergipe determinou fiscalização náutica, protetores de hélice e ações contra o assédio humano em áreas frequentadas pelo animal.

Reprodução

Peixe-boi Astro sobreviveu a 34 colisões e teve ferimento de 22 centímetros

A decisão foi tomada pelo juiz Rafael Soares Souza, da 7ª Vara Federal de Sergipe, após pedidos do Ministério Público Federal.

As obrigações atingem órgãos federais, governos estaduais e administrações municipais de Sergipe e Bahia.

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Astro não é apenas um dos animais monitorados na região. Declarado oficialmente “bem de interesse cultural” de Sergipe, ele foi resgatado recém-nascido no Ceará, em 1991.

Três anos depois, tornou-se o primeiro peixe-boi-marinho reintroduzido na natureza no Brasil. Desde então, aproximadamente outros 50 animais foram soltos, incluindo Lua, uma companheira de Astro.

A trajetória, porém, passou a ser marcada pelas colisões com embarcações. Ao longo da vida, foram registrados 34 episódios, alguns suficientemente fortes para destruir o rastreador via satélite usado no monitoramento.

O acidente mais grave e recente ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, na praia do Saco, em Estância, Sergipe. A hélice de uma embarcação provocou cinco cortes profundos nas regiões lateral e dorsal.

Um dos ferimentos chegou a 22 centímetros de extensão e 6 centímetros de profundidade. As lesões atingiram pele, gordura e musculatura e provocaram um processo inflamatório grave, com risco de morte por infecção generalizada.

Veterinários da Fundação Mamíferos Aquáticos, FMA, ressaltaram a complexidade e o alto custo de medicar e realizar a assepsia de um animal de 468 kg que continua vivendo solto na natureza.

Astro em seu ambiente natural
Imagem: FMA/Divulgação

Protetores de hélice serão obrigatórios a partir de outubro

Para reduzir o risco de novos atropelamentos, a Justiça determinou que embarcações utilizem protetores nas hélices, dispositivos conhecidos como gaiolas, nas áreas definidas pela decisão.

A obrigação começa em 1º de outubro. As Capitanias dos Portos da Bahia e de Sergipe deverão notificar individualmente os proprietários das embarcações sobre a nova exigência.

Segundo a decisão, os equipamentos custam entre R$ 300 e R$ 900 e impedem o contato direto das hélices com animais e também com banhistas.

As regras abrangem o complexo estuarino Piauí-Real-Fundo, a praia do Saco e o estuário do Rio Vaza-Barris. As áreas foram definidas com base nos registros de circulação de Astro apresentados pela FMA.

A Capitania dos Portos também deverá apresentar, até 4 de setembro, um plano para fiscalizar o tráfego e garantir o respeito aos limites de velocidade náutica.

A fiscalização deverá ter atenção especial aos finais de semana, feriados e períodos de alta temporada.

A decisão judicial registrou que, apesar do elevado número de colisões, não havia notícia nos autos de que alguma embarcação responsável pelos episódios tivesse sido identificada pelas autoridades.

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Selfies, abraços e bebidas também colocam o peixe-boi Astro em risco

Os barcos não são a única ameaça ao peixe-boi Astro. Relatórios anexados ao processo registraram tentativas de turistas e banhistas de abraçar, montar e beijar o focinho do animal.

Também foram descritos episódios de pessoas batendo na água para atraí-lo e conseguir fotografias para redes sociais.

Há ainda registros de populares oferecendo cerveja, refrigerante e água doce diretamente na boca do peixe-boi.

A decisão destaca que tocar, acariciar, alimentar ou oferecer água, mesmo em interações aparentemente amistosas, pode prejudicar a conservação do animal.

O contato frequente com pessoas pode fazer Astro perder o medo natural dos humanos e buscar docas e embarcações, aumentando sua exposição a novos atropelamentos.

No Brasil, importunar cetáceos ou sirênios é infração ambiental sujeita a multa de R$ 2.500. A decisão, porém, aponta dificuldades na fiscalização prática dessas condutas.

Órgãos terão de criar sinalização e comitê de proteção

Ibama, ICMBio, estados de Sergipe e Bahia e prefeituras da região também receberam obrigações.

Até 28 de setembro, deverá ser criado um plano integrado de sinalização preventiva para portos e praias, alertando sobre a presença de Astro e a proibição de tocá-lo, alimentá-lo ou oferecer bebidas.

Sob a presidência do ICMBio, também deverá ser formado um comitê responsável por articular as ações de conservação, com cronograma e reuniões periódicas.

João Carlos Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, afirmou que a decisão permite dividir responsabilidades entre os diferentes agentes públicos e disciplinar o uso do complexo estuarino.

Segundo ele, as medidas podem criar condições mais favoráveis não apenas para Astro, mas para outras espécies que utilizam a região.

Jociery Einhardt Vergara Parente, presidente da FMA, afirmou que a instituição acompanha os deslocamentos e riscos enfrentados pelo animal há anos e classificou Astro como um símbolo de resiliência.

A população de peixes-bois-marinhos no Nordeste é estimada em aproximadamente mil animais. A espécie foi reclassificada pelo Ministério do Meio Ambiente como “criticamente em perigo”, nível mais alto de ameaça antes da extinção.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da decisão da Justiça Federal de Sergipe, do Ministério Público Federal e da Fundação Mamíferos Aquáticos, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

Fonte

https://noticias.uol.com.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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