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Após trombose cerebral tirá-lo das estradas, caminhoneiro de Jundiaí reúne crianças aos domingos, improvisa materiais e encontrou no futebol um novo propósito de vida

Após trombose cerebral tirá-lo das estradas, caminhoneiro de Jundiaí reúne crianças aos domingos, improvisa materiais e encontrou no futebol um novo propósito de vida

4 min de leitura

Após trombose cerebral tirá-lo das estradas, caminhoneiro de Jundiaí reúne crianças aos domingos, improvisa materiais e encontrou no futebol um novo propósito de vida

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 25/08/2026 às 16:35

Atualizado em 25/08/2026 às 16:36

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Leonardo Benevides com crianças durante treino de futebol em Jundiaí

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Aos 30 anos, Leonardo Benevides deixou a rotina de caminhoneiro após uma trombose cerebral e encontrou no futebol um novo caminho: aos domingos, reúne crianças de Jundiaí no Campo do Cecap e improvisa materiais para manter os treinos.

Quando a trombose cerebral obrigou Leonardo Henrique Benevides Araújo a deixar a profissão de caminhoneiro, a rotina que conhecia mudou de uma vez. Aos 30 anos, depois de internações e limitações que o afastaram das estradas, ele encontrou no futebol uma forma de voltar a ocupar os dias e, ao mesmo tempo, criar um ponto de encontro para crianças do Bairro dos Fernandes, em Jundiaí.

Da estrada para o campo depois de uma mudança inesperada

Leonardo trabalhava dirigindo caminhão e, segundo a família, gostava da profissão. A doença, porém, trouxe uma sequência de mudanças. A esposa, Dayana Priscila de Andrade, contou que os primeiros sinais apareceram com fortes dores de cabeça e sucessivas idas ao hospital.

Com o tempo, outros sintomas surgiram. A família relata que a pálpebra do olho direito começou a cair e que Leonardo também perdeu a audição. Quando veio o diagnóstico de trombose cerebral, ele precisou ser internado e iniciar tratamento. As sequelas acabaram impedindo o retorno ao trabalho nas estradas.

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Depois disso, Leonardo ainda tentou ajudar os pais em um restaurante no Bairro dos Fernandes. Após nova internação, em junho, recebeu orientação para descansar e evitar esforços. Foi nesse período que uma paixão antiga começou a ocupar um espaço maior em sua recuperação.

O futebol começou entre pai e filho e logo atraiu outras crianças

O futebol acompanha Leonardo desde a infância. Quando um campo foi montado nas proximidades do Graal 67, em Jundiaí, ele passou a frequentar o local com o filho Arthur, de 6 anos. A ideia inicial era simples: pai e filho jogando juntos.

Aos poucos, outras crianças começaram a se aproximar. Uma chamava a outra, e a brincadeira passou a reunir cinco, seis e depois mais meninos. O que começou sem estrutura virou um compromisso de domingo.

Hoje, Leonardo dedica parte do fim de semana a treinar cerca de dez crianças. Os encontros acontecem no Campo do Cecap, depois que o primeiro espaço usado pelo grupo foi fechado. Para a família, a atividade ajudou Leonardo a recuperar o ânimo e também criou uma alternativa de convivência para os meninos do bairro.

Leonardo Benevides reúne crianças aos domingos para treinos de futebol no Campo do Cecap, em Jundiaí.

Sem patrocínio, família improvisa materiais e compra a primeira bola com latinhas

O projeto nasceu com poucos recursos. Dayana conta que a família reaproveita objetos que seriam descartados para montar parte dos materiais usados nos exercícios e alongamentos.

A história da primeira bola resume bem esse começo. Sem dinheiro disponível para comprar o equipamento, a família juntou latinhas, vendeu o material reciclável e usou o valor arrecadado para adquirir a bola.

Os treinos não se limitam à parte técnica do esporte. Leonardo procura conversar com as crianças sobre disciplina, amizade e respeito. A fé também faz parte da rotina do grupo, de acordo com a família. O objetivo declarado é oferecer aos meninos um espaço de convivência e incentivo, sem transformar a iniciativa em uma escolinha profissional.

Um compromisso de domingo que também mudou a recuperação de Leonardo

Para Dayana, a transformação mais marcante aparece quando os meninos procuram Leonardo e perguntam se haverá treino. Depois de um período de medo e incerteza provocado pela doença, o caminhoneiro passou a encontrar motivação justamente na expectativa das crianças.

A família afirma que ele ainda convive com limitações, entre elas perda auditiva severa e perda de visão do lado direito. Mesmo assim, o futebol se tornou uma atividade compatível com o momento que vive e uma maneira de manter contato com outras pessoas.

O grupo também cresceu sem uma estrutura formal. Domingo após domingo, novos participantes chegam ao campo. A continuidade depende muito do esforço da própria família, que organiza os encontros e tenta manter o material disponível para as crianças.

Família quer ampliar o projeto, mas mantém o foco nas crianças do bairro

O próximo desafio é conseguir mais bolas, cones, coletes e uniformes. A família gostaria de receber mais crianças e oferecer treinos com melhores condições, mas mantém como prioridade o ambiente comunitário criado em torno do futebol.

Para Leonardo, a atividade devolveu um senso de rotina depois que a doença interrompeu a vida profissional. Para os meninos, criou um compromisso semanal em um espaço onde esporte, convivência e disciplina se misturam.

A história que começou com um pai, um filho e uma bola comprada com dinheiro de latinhas agora reúne crianças todos os domingos em Jundiaí. Sem estrutura profissional e sem grandes recursos, o grupo segue em frente sustentado pelo tempo de Leonardo, pelo apoio da família e pela vontade dos meninos de voltar ao campo na semana seguinte.

Você conhece alguma iniciativa de bairro que nasceu de forma simples e acabou transformando a rotina de crianças e adultos? Conte sua história nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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