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Após uma disputa de mais de um século, a Itália pagou 15 milhões de euros pelos afrescos da Tomba François e reuniu em Roma peças do Louvre, British Museum e outros acervos para reconstruir o universo etrusco

Após uma disputa de mais de um século, a Itália pagou 15 milhões de euros pelos afrescos da Tomba François e reuniu em Roma peças do Louvre, British Museum e outros acervos para reconstruir o universo etrusco

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Após uma disputa de mais de um século, a Itália pagou 15 milhões de euros pelos afrescos da Tomba François e reuniu em Roma peças do Louvre, British Museum e outros acervos para reconstruir o universo etrusco

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 11/08/2026 às 05:42

Atualizado em 11/08/2026 às 05:43

Ciência e Tecnologia

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Registro da inauguração da exposição dedicada à Tomba François no Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia, em Roma.

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Itália incorpora ao patrimônio público os afrescos da Tomba François após mais de um século de tentativas, reúne peças de museus internacionais e abre exposição dos heróis etruscos até dezembro

A Itália encerrou em 2026 uma tentativa de aquisição que atravessou gerações ao incorporar ao patrimônio público os afrescos da Tomba François, um dos conjuntos mais importantes da pintura etrusca antiga, agora apresentados de forma permanente no Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia, em Roma.

O Ministério da Cultura italiano informou que o ato de compra foi assinado em maio e que a operação teve valor total de 15 milhões de euros. A aquisição colocou sob tutela estatal um ciclo pictórico que permaneceu por décadas em propriedade privada e que o governo tentava adquirir desde o início do século XX.

A apresentação pública ganhou uma dimensão maior no fim de junho, quando o museu inaugurou a exposição Il Ritorno degli Eroi. A mostra permanece aberta até 31 de dezembro de 2026 e reúne objetos ligados à tumba que hoje pertencem a coleções de diferentes países.

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Tumba descoberta em 1857 preserva 37 painéis pintados entre 340 e 320 a.C.

A Tomba François foi descoberta em 1º de maio de 1857 pelo arqueólogo Alessandro François na necrópole de Ponte Rotto, em Vulci. Escavada no tufo, ela é composta por 37 painéis pintados e dois marcos de pedra encontrados no corredor de acesso.

Segundo o Ministério da Cultura, o conjunto foi realizado entre 340 e 320 a.C. e está entre os testemunhos mais relevantes da pintura etrusca que chegaram ao presente. As cenas combinam mitologia grega, memória histórica local e a representação do poder de famílias aristocráticas de Vulci.

Entre os episódios retratados aparecem o sacrifício de prisioneiros troianos nos funerais de Pátroclo, a luta entre Etéocles e Polinices e combates ligados a heróis etruscos. Uma das figuras identificadas pelas inscrições é Macstarna, personagem associado pela tradição ao futuro rei romano Sérvio Túlio.

Estado italiano tentou adquirir o conjunto por décadas antes do acordo de 15 milhões de euros

Os comunicados oficiais registram que o interesse público pela aquisição remonta a mais de um século. Em uma das referências históricas, o Ministério menciona tentativas desde 1914; em outro comunicado, registra manifestação formal de interesse em 1921. O ponto comum é que o processo atravessou décadas antes do acordo definitivo de 2026.

A compra foi viabilizada com a colaboração dos herdeiros das famílias Torlonia, Sforza Cesarini e Gaetani, além do trabalho da Direção-Geral de Museus e do Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia. A Associated Press também noticiou o valor de 15 milhões de euros e destacou a entrada dos painéis nas coleções públicas italianas.

Os afrescos haviam sido retirados da tumba no século XIX e integrados a uma coleção privada, enquanto objetos encontrados no complexo arqueológico acabaram dispersos por diferentes instituições. A aquisição não reúne fisicamente todo o acervo original, mas devolve os painéis centrais ao domínio público.

Exposição reúne joias, vasos e objetos emprestados por museus de vários países

Para reconstruir o ambiente histórico da tumba, Il Ritorno degli Eroi recebeu empréstimos do Musée du Louvre, British Museum, Museus Vaticanos, Royal Museums of Art and History de Bruxelas, Musée cantonal d’archéologie et d’histoire de Lausanne e Instituto Arqueológico Alemão de Roma.

Entre as peças citadas pelo Ministério estão brincos associados às mulheres da família Saties, colares de ouro, um anel com a figura de Cassandra, escaravelhos, vasos e um askos em forma de leão. Esses objetos ajudam a aproximar o público do contexto funerário e social ao qual as pinturas pertenciam.

O novo percurso também procura tornar o conjunto mais acessível. A apresentação combina os afrescos com recursos de interpretação e com peças que estavam separadas desde o século XIX, permitindo observar de forma mais integrada as relações entre mito, poder e memória no mundo etrusco.

Villa Giulia passa a manter permanentemente um dos conjuntos mais importantes da arte etrusca

Com a aquisição, os afrescos entram de forma permanente nas coleções do Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia. Para a diretora Luana Toniolo, o conjunto amplia a capacidade do museu de apresentar ao público a história da civilização etrusca e suas conexões com o Mediterrâneo antigo.

A importância vai além da compra de uma obra de alto valor. O Estado italiano passou a controlar a conservação, o estudo e a exposição de um conjunto que ajuda a interpretar a formação política e cultural da Itália antiga, ao mesmo tempo em que recupera para acesso público uma peça que permaneceu fora das coleções estatais por gerações.

Até o fim de dezembro, a exposição temporária acrescenta ao núcleo permanente objetos cedidos por instituições internacionais. Depois disso, os afrescos continuam em Villa Giulia como parte do patrimônio público italiano, encerrando uma tentativa de aquisição iniciada mais de cem anos antes.

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afrescos da Tomba François


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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