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Após viver quase 35 anos sozinha em zoológico de Porto Rico, elefanta Mundi deixou um recinto de cerca de 1.400 metros quadrados, embarcou em um Boeing 747 e foi levada aos 41 anos para um santuário na Geórgia, onde passou a ter espaço para adaptação e convivência com outros elefantes
Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/08/2026 às 16:18
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Após décadas no zoológico de Mayagüez, a elefanta Mundi foi transferida em 12 de maio de 2023 para o Elephant Refuge North America, na Geórgia, depois de viver sozinha em área de cerca de 15 mil pés quadrados, equivalente a 1.400 m², com abrigo fechado e limitações de espaço físico.
A elefanta Mundi passou quase 35 anos sozinha no antigo zoológico Juan A. Rivero, em Mayagüez, Porto Rico, antes de ser transferida aos 41 anos para o Elephant Refuge North America, na Geórgia. Nascida no Zimbábue e levada ainda jovem aos Estados Unidos, ela atravessou décadas de mudanças de proprietários e instituições até chegar ao refúgio em 12 de maio de 2023.
A cronologia é registrada pela Elephant Aid International (EAI), organização responsável pelo santuário. Segundo a entidade, Mundi nasceu em 12 de maio de 1982 e chegou ao refúgio exatamente em seu 41º aniversário. A instituição informa ainda que ela havia permanecido sozinha desde 1988 em um espaço de aproximadamente 15 mil pés quadrados, cerca de 1.400 m².
Elefanta Mundi nasceu no Zimbábue e chegou aos Estados Unidos ainda jovem
Mundi é uma elefanta-africana-da-savana nascida em ambiente selvagem no Zimbábue. Em 1984, aos dois anos, ela integrou um grupo de 63 jovens elefantes africanos levado aos Estados Unidos depois que operações de abate realizadas no país africano deixaram filhotes órfãos, segundo a Elephant Aid International.
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O grupo foi levado para uma propriedade em Ocala, na Flórida. Dois anos depois, entretanto, os animais foram separados e destinados a zoológicos, circos e proprietários particulares. A dispersão daquele grupo marcou o início de uma trajetória que acabaria levando Mundi a Porto Rico.
Ataque deixou Mundi cega de um olho e com presa danificada
Antes de chegar ao zoológico de Mayagüez, Mundi sofreu um ataque que provocou danos permanentes. A EAI informa que a elefanta ficou cega do olho direito e com a presa direita lesionada, características físicas que permaneceram ao longo da vida.
Posteriormente, ela foi vendida ao zoológico Juan A. Rivero, em Porto Rico. A partir de 1988, passou a ser mantida na instituição, onde permaneceu por quase 35 anos. Durante esse longo período, Mundi viveu sem outro elefante em seu recinto.
Recinto tinha cerca de 1.400 metros quadrados e abrigo fechado
Segundo a organização responsável pelo refúgio, a elefanta Mundi ocupava uma área de aproximadamente 15 mil pés quadrados, equivalente a cerca de 1.400 metros quadrados, com acesso também a um abrigo fechado.
O tamanho do espaço ganha outra dimensão quando colocado ao lado do tempo de permanência. Foram quase três décadas e meia vivendo sozinha naquele ambiente, enquanto a própria situação institucional do zoológico se deteriorava ao longo dos anos.
Fechamento do zoológico abriu uma longa tentativa de transferência
Os problemas envolvendo o zoológico já se acumulavam antes da saída definitiva de Mundi. Em 2017, o governo de Porto Rico determinou a transferência da elefanta e de outros animais diante das preocupações com a estrutura da instituição. Naquele mesmo ano, a Elephant Aid International concordou em recebê-la.
A transferência, porém, não ocorreu imediatamente. Depois dos furacões Irma e Maria, o zoológico permaneceu fechado ao público. Em fevereiro de 2018, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos cancelou a licença de expositor da instituição após violações registradas anteriormente. Mesmo com um acordo formal para levar Mundi ao refúgio, mudanças políticas impediram que o plano avançasse naquele momento.
Contrato foi cancelado e Mundi permaneceu em Porto Rico
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Em maio de 2018, a Elephant Aid International assinou oficialmente um contrato com o governo para receber Mundi. No ano seguinte, porém, uma mudança no governo porto-riquenho levou ao cancelamento dos contratos existentes.
Entre 2020 e 2022, a organização afirma que praticamente não recebeu informações sobre Mundi enquanto os animais continuavam nas instalações fechadas. A transferência que parecia encaminhada acabou sendo adiada por vários anos.
Justiça determinou retirada dos animais em fevereiro de 2023
A situação mudou em fevereiro de 2023. Segundo a EAI, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos determinou a retirada dos animais que ainda permaneciam no antigo zoológico e sua transferência para instituições consideradas adequadas.
Pouco depois, a Elephant Aid International voltou a ser procurada e, em março daquele ano, concordou novamente em receber a elefanta Mundi. Dessa vez, o processo avançou até a retirada definitiva do animal de Porto Rico.
Viagem aérea terminou na Geórgia no aniversário de 41 anos
Mundi chegou ao Elephant Refuge North America em 12 de maio de 2023, exatamente na data em que completou 41 anos. O material apresentado para esta pauta informa que o deslocamento incluiu transporte em um Boeing 747; a página institucional da Elephant Aid International registra a chegada por via aérea, mas não especifica o modelo da aeronave.
A operação encerrou quase 35 anos de permanência da elefanta em Porto Rico. Ao pousar na Geórgia, Mundi tornou-se o terceiro elefante recebido pelo Elephant Refuge North America e o primeiro elefante africano da instituição.
Refúgio abriu uma nova fase de adaptação e convivência
A mudança não significava simplesmente colocar Mundi imediatamente junto aos demais animais. Transferências desse tipo exigem adaptação ao novo ambiente, acompanhamento e introdução progressiva às condições do refúgio.
A própria Elephant Aid International hoje lista outros animais entre as companhias de Mundi. Depois de décadas vivendo sem outro elefante no recinto de Mayagüez, a nova estrutura passou a oferecer a possibilidade de interação e convivência dentro de um ambiente dedicado permanentemente aos animais mantidos no santuário.
História de Mundi percorreu quase quatro décadas entre zoológico e santuário
Da retirada do Zimbábue ainda filhote à chegada à Geórgia aos 41 anos, a trajetória da elefanta Mundi atravessou aproximadamente quatro décadas. Houve separação do grupo original, mudança de proprietários, quase 35 anos em Porto Rico, tentativas frustradas de transferência e, finalmente, a determinação que permitiu sua retirada do zoológico em 2023.
O contraste mais concreto está entre os quase 35 anos passados sozinha em um recinto de cerca de 1.400 m² e a transferência para um refúgio estruturado para receber elefantes permanentemente. O que mais chama sua atenção nessa trajetória: o tempo de isolamento, a complexidade da transferência ou o fato de a mudança só ter acontecido quando Mundi já tinha 41 anos? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

