Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Apple trava batalha contra Reino Unido para impedir “porta dos fundos” que daria ao governo acesso a backups criptografados de usuários na nuvem

Apple trava batalha contra Reino Unido para impedir “porta dos fundos” que daria ao governo acesso a backups criptografados de usuários na nuvem

4 min de leitura

Apple trava batalha contra Reino Unido para impedir “porta dos fundos” que daria ao governo acesso a backups criptografados de usuários na nuvem

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 03/08/2026 às 23:04

Ciência e Tecnologia

Smartphones da Apple em exposição ilustram a nova batalha judicial envolvendo criptografia, privacidade digital e acesso governamental a dados de usuários.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Nova disputa judicial coloca Apple e autoridades britânicas em lados opostos sobre criptografia, privacidade e acesso governamental a dados protegidos

Uma nova disputa envolvendo privacidade digital e criptografia ganhou força no Reino Unido e colocou a Apple novamente diante das autoridades britânicas.

A empresa entrou com uma ação judicial para tentar impedir que o governo obrigue a criação de um mecanismo capaz de acessar backups criptografados de usuários.

Segundo o Financial Times, o novo capítulo da disputa foi divulgado em 3 de agosto de 2026.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A exigência envolve informações armazenadas na nuvem e protegidas por criptografia.

Na prática, o governo deseja uma maneira de contornar essa proteção.

Esse tipo de mecanismo costuma ser chamado de “porta dos fundos”, ou backdoor.

Apple leva nova exigência britânica aos tribunais

A Apple apresentou, em julho de 2026, uma contestação ao Investigatory Powers Tribunal.

O órgão independente britânico é responsável por analisar disputas relacionadas à vigilância e aos poderes de investigação do Estado.

Segundo o Financial Times, a ação questiona uma exigência emitida pelo Ministério do Interior britânico.

A determinação pretende permitir que autoridades tenham acesso aos backups criptografados de usuários do Reino Unido.

Esses backups funcionam como cópias de segurança de informações armazenadas na nuvem.

A criptografia, por sua vez, transforma os dados em conteúdos protegidos contra acessos não autorizados.

Dessa maneira, apenas o proprietário da conta consegue acessar determinadas informações.

Governo quer uma forma de acessar dados protegidos

A exigência britânica pretende mudar justamente essa dinâmica.

O governo deseja que a Apple desenvolva uma solução capaz de contornar a criptografia aplicada aos backups.

Autoridades poderiam, dessa forma, acessar determinadas informações mesmo quando elas estivessem protegidas.

O debate envolve diretamente segurança digital, privacidade, criptografia e acesso governamental a dados pessoais.

A disputa atual, porém, não surgiu de forma isolada.

Uma tentativa semelhante já havia provocado divergências entre a Apple e o governo britânico anteriormente.

Recomendado para você

Curiosidades

Muito antes da Covid-19, cavalos começaram a morrer misteriosamente na Austrália — e um vírus encontrado em morcegos mudou para sempre a investigação de doenças capazes de passar de animais para humanos

Surto registrado em Queensland em 1994 revelou o vírus Hendra, levou cientistas até as raposas-voadoras e ajuda a explicar por que morcegos entraram rapidamente nas investigações sobre a Covid-19.

Uma sequência…

Viviane Alves

0

Reino Unido já havia recuado de proposta semelhante

Uma proposta anterior foi abandonada pelo Reino Unido em 2025.

A medida permitiria o acesso a dados de usuários britânicos e americanos.

Meses de negociações ocorreram com o governo dos Estados Unidos antes da retirada da proposta.

Donald Trump ocupava a Presidência americana naquele período.

As autoridades britânicas emitiram posteriormente uma nova determinação técnica direcionada à Apple.

A nova versão, no entanto, trouxe uma diferença importante em relação à anterior.

Nova exigência fica limitada aos usuários britânicos

Segundo o Financial Times, a atual determinação se aplica apenas aos dados pertencentes a usuários do Reino Unido.

Clientes localizados nos Estados Unidos ficaram fora do alcance da nova exigência.

Um porta-voz do governo britânico afirmou que autoridades não comentam processos judiciais nem questões operacionais.

A posição também abrange a existência ou não de notificações específicas encaminhadas às empresas.

O governo britânico afirmou, em nota, apoiar o uso da criptografia para proteger a privacidade dos cidadãos.

A mesma manifestação, porém, defendeu que autoridades possam acessar comunicações em determinadas circunstâncias.

Esse acesso deve ocorrer quando for considerado necessário e proporcional, segundo o governo.

As justificativas apresentadas incluem investigações relacionadas a terrorismo, crimes graves e abuso sexual infantil.

Privacidade dos usuários entra no centro da disputa

A discussão ultrapassa a relação direta entre Apple e governo britânico.

A organização de direitos humanos Liberty demonstrou preocupação com as consequências do caso.

Ruth Ehrlich, diretora de relações externas da entidade, afirmou que a disputa pode produzir impactos duradouros sobre a proteção da privacidade.

Segundo ela, criar uma “porta dos fundos” aumenta os riscos relacionados aos dados pessoais.

A representante também defendeu que especialistas e a sociedade sejam considerados antes da adoção desse tipo de medida.

Criptografia coloca segurança e investigação em lados opostos

A controvérsia expõe uma diferença importante entre os interesses envolvidos.

A Apple busca impedir a criação de um mecanismo capaz de contornar a proteção aplicada aos backups criptografados.

O governo britânico, por outro lado, defende a possibilidade de acessar determinadas comunicações durante investigações consideradas graves.

A questão se concentra, portanto, em definir até onde autoridades podem avançar sobre sistemas desenvolvidos para proteger informações pessoais.

O debate também envolve os possíveis efeitos de uma tecnologia capaz de permitir acesso a conteúdos atualmente protegidos por criptografia.

Batalha judicial pode definir próximos passos

O novo processo representa mais uma etapa da disputa entre a Apple e as autoridades britânicas.

A contestação apresentada em julho de 2026 agora coloca a exigência técnica sob análise do Investigatory Powers Tribunal.

O caso mantém no centro da discussão três elementos principais: privacidade dos usuários, segurança dos dados e poderes de investigação do Estado.

A Liberty alerta para os riscos de enfraquecer mecanismos de proteção utilizados em informações pessoais.

O governo britânico sustenta que determinados acessos podem ser necessários diante de crimes graves.

A Apple não respondeu imediatamente ao pedido de comentário feito pela Reuters.

A disputa agora coloca uma questão central sobre o futuro da privacidade digital: até onde um governo deve poder acessar informações protegidas por criptografia durante uma investigação?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

Sair da versão mobile