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Arqueólogos encontram a 6,5 quilômetros da costa uma cidade egípcia desaparecida há mais de mil anos onde templos gigantes, estátuas de 5 metros, joias de ouro e navios continuam enterrados sob o fundo do Mediterrâneo

Arqueólogos encontram a 6,5 quilômetros da costa uma cidade egípcia desaparecida há mais de mil anos onde templos gigantes, estátuas de 5 metros, joias de ouro e navios continuam enterrados sob o fundo do Mediterrâneo

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Arqueólogos encontram a 6,5 quilômetros da costa uma cidade egípcia desaparecida há mais de mil anos onde templos gigantes, estátuas de 5 metros, joias de ouro e navios continuam enterrados sob o fundo do Mediterrâneo

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 13/08/2026 às 23:03

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Créditos: arqueologo Franck Goddio

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Thonis-Heracleion, antiga cidade portuária do Egito localizada a 6,5 quilômetros da costa atual e cerca de 10 metros abaixo do Mediterrâneo, preserva templos, estátuas colossais de até 5,4 metros, joias de ouro, centenas de âncoras e mais de uma centena de naufrágios após desaparecer completamente sob o mar no século VIII.

A aproximadamente 6,5 quilômetros da costa atual do Egito, no fundo da Baía de Abukir, uma antiga cidade permanece escondida sob cerca de 10 metros de água e espessas camadas de sedimentos. Trata-se de Thonis-Heracleion, importante porto egípcio fundado provavelmente por volta do século VIII a.C. e redescoberto em 2000 pela equipe do arqueólogo subaquático Franck Goddio.

As escavações revelaram uma paisagem arqueológica monumental: o grande templo de Amun, canais, áreas portuárias, estátuas colossais, joias, moedas, objetos rituais, mais de 700 âncoras e 125 naufrágios identificados. Uma das esculturas encontradas, representando o deus Hapy, mede 5,4 metros.

A cidade acabou completamente submersa no século VIII d.C., permanecendo desaparecida durante mais de mil anos.

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Thonis-Heracleion está a 6,5 quilômetros da costa e cerca de 10 metros de profundidade

A localização da cidade ajuda a explicar por que ela permaneceu perdida durante tantos séculos. O sítio está na parte ocidental da Baía de Abukir, a aproximadamente 6,5 quilômetros da linha costeira moderna, dentro de uma grande área de pesquisa que mede cerca de 11 por 15 quilômetros.

As estruturas arqueológicas encontram-se normalmente em profundidades entre aproximadamente 6 e 10 metros.

Os trabalhos não terminam quando os mergulhadores chegam ao leito marinho: em algumas áreas, os arqueólogos precisam escavar outros 3 a 5 metros de sedimentos acumulados sobre construções e objetos antigos.

Uma das estátuas encontradas pelos arqueólogos – Franck Goddio

Essa característica tornou a localização extremamente difícil antes do desenvolvimento das modernas técnicas de prospecção subaquática.

É possível mergulhar sobre partes da antiga cidade sem perceber o que está abaixo, porque estruturas inteiras permanecem cobertas por metros de areia, argila e sedimentos.

Cidade controlava a entrada de navios estrangeiros no Egito antes da fundação de Alexandria

Thonis-Heracleion não era um assentamento periférico. Antes de Alexandre, o Grande, fundar Alexandria em 331 a.C., a cidade funcionava como uma das principais portas marítimas do Egito para embarcações procedentes do mundo grego.

Créditos: arqueologo Franck Goddio

Durante o Período Tardio egípcio, entre 664 e 332 a.C., o local exercia funções de controle de fronteira e alfândega. Mercadorias estrangeiras passavam por seus portos antes de seguir para outros centros comerciais do território egípcio.

A escala da infraestrutura portuária confirma a intensidade dessa atividade. A cidade possuía diferentes bacias portuárias conectadas por canais, enquanto suas áreas habitadas ocupavam ilhas e ilhotas distribuídas ao redor do grande complexo religioso.

Mais de 700 âncoras e 125 naufrágios revelam a dimensão do antigo porto

Poucos números traduzem tão bem a importância marítima de Thonis-Heracleion quanto a concentração de embarcações encontrada no fundo da baía.

O levantamento mais atualizado divulgado no projeto registra mais de 700 âncoras antigas e 125 naufrágios identificados, principalmente associados aos séculos VI a II a.C.

Mais de 700 âncoras e 125 naufrágios revelam a dimensão do antigo porto

Estudos específicos do European Institute for Underwater Archaeology mostram que os restos de embarcações aparecem agrupados em diferentes pontos da antiga zona portuária, incluindo a Bacia Central, passagens de navegação e o chamado Grande Canal.

Datações iniciais por carbono-14 feitas em restos de madeira indicaram que muitos desses naufrágios pertencem ao Período Tardio do Egito, anterior à dinastia ptolemaica. A quantidade de barcos e âncoras constitui evidência física da intensa circulação marítima que existiu no local.

Estátua colossal do deus Hapy mede 5,4 metros

Entre os objetos mais impressionantes recuperados no sítio está uma colossal estátua de granito vermelho representando Hapy, divindade associada à inundação do Nilo, fertilidade e abundância. A escultura mede aproximadamente 5,4 metros de altura.

Fragmentos de outras esculturas monumentais também foram encontrados na área dos grandes templos. As descobertas incluem representações reais, estátuas de divindades, estelas com inscrições e enormes componentes arquitetônicos que desabaram antes ou durante os processos que afetaram progressivamente a cidade.

Créditos: arqueologo Franck Goddio

O conjunto permite visualizar uma cidade muito diferente das ruínas discretas que o termo “sítio submerso” poderia sugerir.

Thonis-Heracleion possuía monumentos religiosos de grandes proporções, esculturas com vários metros de altura e construções suficientemente pesadas para exercer enorme pressão sobre o terreno instável do delta do Nilo.

Grande templo de Amun ocupava o coração religioso da cidade

O grande templo dedicado a Amun era uma das construções centrais de Thonis-Heracleion. O santuário desempenhava papel importante nas cerimônias ligadas ao poder faraônico e à continuidade dinástica, enquanto a cidade também participava das celebrações religiosas dos Mistérios de Osíris.

As pesquisas mais recentes continuam revelando partes desse complexo. Em 2023, a equipe investigou o canal sul da cidade e encontrou enormes blocos pertencentes ao templo que haviam desabado durante um evento destrutivo datado de meados do século II a.C.

Créditos: arqueologo Franck Goddio

Sob a região do templo, arqueólogos localizaram ainda estruturas subterrâneas sustentadas por postes e vigas de madeira excepcionalmente preservados, datados do século V a.C. Tecnologias geofísicas permitiram detectar cavidades e objetos ocultos sob vários metros de argila.

Joias de ouro e objetos de prata estavam no tesouro do templo

As escavações de 2023 acrescentaram outro elemento extraordinário ao sítio. Na região do templo de Amun foram encontrados objetos preciosos pertencentes ao tesouro do santuário, incluindo joias de ouro e instrumentos rituais de prata.

Também apareceram delicados recipientes de alabastro destinados a perfumes ou unguentos. Para os pesquisadores, o conjunto ajuda a demonstrar a riqueza do templo e a importância econômica e religiosa que o santuário tinha para os moradores da antiga cidade portuária.

A presença de ouro não se limita às escavações recentes. Entre os materiais documentados em Thonis-Heracleion há objetos de ouro ligados à atividade religiosa e comercial, além de moedas, estatuetas de bronze, cerâmicas, inscrições e uma ampla variedade de artefatos preservados pela sedimentação submarina.

Santuário dedicado a Afrodite revela presença grega na cidade egípcia

A campanha de 2023 também encontrou, a leste do templo de Amun, um santuário grego dedicado a Afrodite. No local apareceram objetos importados de bronze e cerâmica associados à presença de estrangeiros na cidade.

Créditos: arqueologo Franck Goddio

Os pesquisadores relacionam o conjunto aos gregos autorizados a comerciar e viver em Thonis-Heracleion durante a dinastia Saíta, entre 664 e 525 a.C. O sítio mostra, portanto, templos ligados às tradições religiosas egípcias coexistindo com santuários utilizados por comunidades gregas.

Armas gregas recuperadas nas escavações também são interpretadas como evidência da presença de mercenários.

A posição estratégica da cidade, na desembocadura do antigo braço Canópico do Nilo, fazia dela um ponto fundamental para controlar quem entrava no território egípcio a partir do Mediterrâneo.

Uma estela de quase 2 metros ajudou a provar que Thonis e Heracleion eram a mesma cidade

Por séculos, textos antigos levaram pesquisadores a discutir a relação entre os nomes Thonis e Heracleion.

A arqueologia subaquática finalmente forneceu uma resposta ao encontrar inscrições diretamente nas ruínas da cidade.

Uma das peças decisivas é uma estela de granodiorito negro com aproximadamente 1,99 metro de altura, erguida durante o reinado do faraó Nectanebo I em 380 a.C. O monumento foi encontrado praticamente intacto durante as pesquisas subaquáticas.

A inscrição determina que a estela fosse colocada em uma cidade chamada Thonis. Como o monumento foi localizado na área do templo conhecida pelas fontes gregas como Heracleion, a evidência ajudou a demonstrar que se tratava da mesma cidade: Thonis era seu nome egípcio e Heracleion, o nome utilizado pelos gregos.

Canais cortavam a cidade e separavam casas, templos e áreas portuárias

O mapeamento subaquático mostra que Thonis-Heracleion não possuía uma configuração urbana simples.

Uma rede de canais atravessava diferentes setores e conectava grandes bacias portuárias, criando uma paisagem formada por áreas de terra, ilhas, instalações religiosas e zonas destinadas às atividades marítimas.

Um grande canal passava ao norte do templo de Herakles no sentido leste-oeste e estabelecia ligação entre os portos e um lago localizado a oeste.

Moradias e santuários secundários ocupavam ilhas e pequenas porções de terra entre essas vias aquáticas.

Créditos: arqueologo Franck Goddio

Esse desenho urbano também explica por que a transformação progressiva do ambiente foi tão destrutiva. Uma cidade construída em sedimentos instáveis, atravessada por água e próxima do Mediterrâneo ficou particularmente vulnerável à subsidência, à liquefação do solo e às mudanças do nível do mar.

Solo começou a afundar e partes da cidade foram abandonadas antes do desaparecimento completo

Thonis-Heracleion não desapareceu necessariamente em uma única noite. Estudos geoarqueológicos apontam uma combinação de processos.

O assentamento foi construído sobre sedimentos pouco consolidados depositados pelo Nilo, que sofreram compactação e subsidência ao longo do tempo.

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A liquefação do solo também ocorreu em partes da região. Em terrenos saturados de água e ricos em argila, pressão adicional causada por construções, inundações ou eventos sísmicos pode fazer o solo perder estabilidade rapidamente, provocando afundamentos localizados e colapsos de estruturas.

As pesquisas indicam que setores antigos da cidade foram abandonados enquanto seus habitantes migravam para terrenos mais elevados.

O processo de subsidência, combinado à elevação relativa do mar e a episódios destrutivos, terminou por transformar progressivamente a antiga paisagem terrestre em fundo marinho.

No século VIII, Thonis-Heracleion desapareceu completamente sob o Mediterrâneo

As evidências arqueológicas indicam que Thonis-Heracleion acabou completamente submersa no século VIII d.C.

As explorações não encontraram no sítio materiais posteriores ao final daquele século, estabelecendo um limite arqueológico para a permanência da ocupação.

Depois disso, a antiga cidade permaneceu escondida sob o Mediterrâneo durante mais de um milênio. Seu nome continuou aparecendo em textos antigos, mas sua localização física se perdeu até as pesquisas modernas começarem a mapear sistematicamente a Baía de Abukir.

Em 2000, os primeiros achados permitiram identificar definitivamente Thonis-Heracleion. Desde então, os mergulhadores vêm revelando partes de uma cidade portuária que ainda guarda sob aproximadamente 10 metros de água templos destruídos, esculturas colossais, joias, objetos rituais, canais, centenas de âncoras e os restos de mais de uma centena de embarcações que navegaram pelo Mediterrâneo há mais de dois mil anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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