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Arqueólogos encontram a primeira tumba real do Egito desde Tutancâmon em 1922: sepultura de Tutmés II estava a 2,4 km do Vale dos Reis e encerra mistério de mais de 100 anos

Arqueólogos encontram a primeira tumba real do Egito desde Tutancâmon em 1922: sepultura de Tutmés II estava a 2,4 km do Vale dos Reis e encerra mistério de mais de 100 anos

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Arqueólogos encontram a primeira tumba real do Egito desde Tutancâmon em 1922: sepultura de Tutmés II estava a 2,4 km do Vale dos Reis e encerra mistério de mais de 100 anos

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 21/08/2026 às 09:16

Curiosidades

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Arqueólogos encontram a primeira tumba real do Egito desde Tutancâmon em 1922: sepultura de Tutmés II estava a 2,4 km do Vale dos Reis e encerra mistério de mais de 100 anos

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Arqueólogos identificaram a tumba de Tutmés II a 2,4 km do Vale dos Reis, primeira sepultura real encontrada no Egito desde Tutancâmon em 1922.

Mais de um século depois de Howard Carter entrar na tumba de Tutancâmon, outra sepultura de um faraó voltou a colocar a necrópole de Luxor no centro da arqueologia mundial. Em fevereiro de 2025, uma missão egípcio-britânica confirmou que a tumba C4, localizada cerca de 2,4 quilômetros a oeste do Vale dos Reis, pertenceu ao faraó Tutmés II, da XVIII Dinastia. Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, trata-se da primeira tumba real descoberta desde a sepultura de Tutancâmon, em 1922. Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

O achado resolveu uma questão que permanecia aberta havia décadas: onde Tutmés II havia sido originalmente sepultado. Fragmentos de vasos de alabastro com o nome do faraó morto e o de sua esposa e meia-irmã Hatshepsut permitiram confirmar a identidade.

A descoberta trouxe ainda vestígios de decoração funerária, partes do chamado Amduat e uma explicação para o estado devastado da tumba: uma inundação atingiu o interior pouco depois do enterro e provavelmente obrigou os antigos egípcios a retirar dali o corpo e grande parte do mobiliário funerário.

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Entrada da tumba de Tutmés II apareceu ainda em 2022

A descoberta não aconteceu de uma só vez. A missão conjunta do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito e da New Kingdom Research Foundation encontrou a entrada e o corredor principal da tumba em outubro de 2022, na área conhecida como Wadi C, na montanha tebana, a oeste de Luxor.

Credit: Ministry of Tourism and Antiquities

Inicialmente, os arqueólogos não imaginavam estar diante de uma sepultura de faraó. A localização próxima a outras tumbas ligadas às mulheres da família real levou os pesquisadores a considerar a possibilidade de que C4 tivesse pertencido à esposa de algum monarca da linhagem dos Tutmósidas.

Somente a continuidade das escavações e a análise dos objetos encontrados mudariam completamente essa interpretação.

Alabastro revelou o nome do faraó perdido

A prova decisiva apareceu entre fragmentos de recipientes de alabastro recuperados no interior. As inscrições traziam o nome de Tutmés II acompanhado da indicação de que ele era o rei falecido.

Nos mesmos objetos aparecia também o nome de Hatshepsut, identificada como sua principal esposa real. Para o Conselho Supremo de Antiguidades, essas evidências permitiram estabelecer a identidade da sepultura.

O detalhe envolvendo Hatshepsut é particularmente significativo. O governo egípcio afirma que as evidências indicam que ela esteve ligada aos procedimentos funerários do marido.

A mulher que posteriormente se tornaria uma das figuras mais famosas de toda a história faraônica aparece, portanto, diretamente relacionada ao sepultamento que permaneceu sem localização definitiva até o século XXI.

Tutmés II era marido de Hatshepsut e pai de Tutmés III

Tutmés II pertenceu à XVIII Dinastia, período fundamental do Novo Império egípcio. Ele era filho de Tutmés I e assumiu legitimidade dinástica ao se casar com sua meia-irmã Hatshepsut.

Com ela teve filhas, enquanto seu filho Tutmés III nasceu de outra esposa, Iset. Após sua morte, Tutmés III tornou-se seu sucessor, inicialmente sob a influência de Hatshepsut.

O Museu Nacional da Civilização Egípcia observa que o reinado de Tutmés II provavelmente foi relativamente curto, possivelmente inferior a cinco anos, embora a duração exata continue sendo debatida entre especialistas.

O faraó teria morrido por volta dos 30 anos, segundo estudos feitos em sua múmia.

Múmia era conhecida desde 1881, mas a tumba original não

Esse é um dos aspectos mais curiosos da descoberta. Os arqueólogos já conheciam o próprio corpo de Tutmés II havia mais de 140 anos. Sua múmia foi encontrada em 1881 no famoso esconderijo real de Deir el-Bahari, identificado como TT320, a oeste de Luxor.

O problema era que aquele não havia sido seu local original de sepultamento.

Durante períodos posteriores da história egípcia, sacerdotes transferiram diversas múmias reais para esconderijos coletivos, provavelmente numa tentativa de protegê-las contra saques. O esconderijo de Deir el-Bahari continha monarcas como Ahmose I, Tutmés I, Tutmés II, Tutmés III, Seti I e Ramsés II.

Assim, os egiptólogos tinham o faraó, mas não sabiam definitivamente onde ele havia sido enterrado pela primeira vez.

Uma inundação devastou a tumba pouco depois do funeral

Ao contrário da espetacular preservação encontrada na tumba de Tutancâmon, C4 chegou aos arqueólogos em condições muito ruins.

Credit: Ministry of Tourism and Antiquities

Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, fortes águas de inundação atingiram a sepultura pouco depois da morte do faraó. A entrada de água danificou paredes, revestimentos e boa parte do conteúdo funerário.

Fragmentos de reboco decorado caíram e precisaram ser recuperados e restaurados pela equipe arqueológica.

As análises iniciais indicam ainda que os antigos egípcios perceberam o problema e retiraram os principais objetos da sepultura, provavelmente incluindo o corpo de Tutmés II.

Isso ajuda a explicar por que a tumba real não apareceu repleta de tesouros comparáveis aos encontrados em 1922.

Corredor elevado pode ter sido aberto para retirar o corpo

A própria arquitetura guarda sinais dessa emergência. A tumba possui um corredor revestido por gesso branco que conduz à área funerária. Em determinado ponto, seu piso fica aproximadamente 1,4 metro acima do nível da câmara.

O arqueólogo Piers Litherland, chefe do lado britânico da missão, considera possível que essa passagem tenha sido utilizada para retirar os conteúdos da sepultura após a inundação, incluindo a própria múmia do faraó.

A hipótese conecta diretamente a arquitetura encontrada em 2022 ao fato conhecido desde 1881: séculos depois, o corpo de Tutmés II acabaria preservado no esconderijo coletivo de Deir el-Bahari.

Paredes ainda guardavam estrelas amarelas sobre fundo azul

Mesmo destruída pela água, a sepultura conservou fragmentos capazes de revelar como teria sido sua decoração original.

Partes do revestimento apresentavam inscrições azuis e estrelas amarelas, elementos associados ao céu e ao universo funerário dos reis egípcios.

Os arqueólogos também identificaram trechos do Amduat, importante texto religioso utilizado especialmente em tumbas reais do Novo Império.

A obra descrevia a jornada noturna do deus solar através do mundo subterrâneo e estava intimamente ligada às crenças sobre morte, regeneração e renascimento do faraó.

Mesmo fragmentados, esses elementos reforçaram o caráter real da sepultura.

Arquitetura simples antecipou tumbas de faraós posteriores

C4 também interessa aos pesquisadores pelo desenho arquitetônico. Segundo a equipe arqueológica, sua estrutura relativamente simples representa uma espécie de precursora das tumbas construídas posteriormente para governantes da XVIII Dinastia.

Isso transforma a descoberta em algo maior do que apenas a localização do túmulo de um faraó desaparecido.

A sepultura fornece uma peça para compreender como evoluiu a arquitetura funerária real durante uma época em que o Egito caminhava para alguns dos reinados mais conhecidos de sua história, incluindo Hatshepsut, Tutmés III e Amenófis III.

Cada corredor e alteração estrutural pode ajudar a reconstruir a transição entre os primeiros túmulos do Novo Império e os grandes complexos reais que posteriormente marcariam o Vale dos Reis.

Descoberta encerra uma antiga dúvida sobre a XVIII Dinastia

O governo egípcio descreveu Tutmés II como o proprietário da última tumba perdida entre os reis da XVIII Dinastia.

Antes da identificação de C4, diferentes locais haviam sido propostos como sua possível sepultura original. O próprio Museu Nacional da Civilização Egípcia registrava anteriormente que sua tumba definitiva não havia sido identificada, embora KV42 tivesse sido considerada por alguns pesquisadores.

As inscrições encontradas em C4 mudaram esse cenário. Pela primeira vez, surgiu uma tumba acompanhada de evidências materiais capazes de associá-la diretamente ao monarca morto e à sua esposa Hatshepsut.

Achado também revelou mobiliário funerário nunca visto em museus

Embora a inundação e a remoção antiga tenham esvaziado boa parte da sepultura, os fragmentos restantes possuem outro valor científico.

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades afirmou que os objetos encontrados representam o primeiro mobiliário funerário associado a Tutmés II identificado pelos arqueólogos. Até então, segundo o órgão egípcio, não havia mobiliário funerário do faraó conservado em museus.

Isso significa que até pequenos fragmentos podem fornecer informações inéditas sobre seu sepultamento.

Vasos, decoração, materiais e técnicas podem ser comparados com tumbas de reis anteriores e posteriores, ajudando a preencher uma lacuna na compreensão das práticas funerárias da XVIII Dinastia.

Arqueólogos ainda procuram o local para onde os tesouros foram levados

A identificação de C4 não encerrou a investigação. Como as evidências indicam que o conteúdo principal foi removido depois da inundação, uma pergunta permanece: para onde os antigos egípcios levaram o corpo e os objetos originalmente depositados na tumba?

A múmia acabaria no esconderijo de Deir el-Bahari, mas isso não significa que todos os objetos tenham acompanhado o mesmo percurso.

O Ministério do Turismo e Antiguidades informou que a missão continuaria realizando levantamentos arqueológicos para tentar descobrir o destino dos demais conteúdos.

A descoberta, portanto, pode ser apenas a primeira parte de uma investigação maior.

Mais de um século depois de Tutancâmon, outra tumba real voltou ao mapa

O paralelo com Tutancâmon explica grande parte do impacto internacional do anúncio.

Em 1922, Howard Carter encontrou a entrada da tumba de Tutancâmon no Vale dos Reis. Em 2025, 103 anos depois, o governo egípcio anunciou C4 como a primeira nova tumba de um rei identificada desde aquela descoberta histórica.

As duas sepulturas, contudo, contam histórias radicalmente diferentes.

Tutancâmon ficou famoso porque grande parte de seu extraordinário mobiliário funerário permaneceu no interior. A tumba de Tutmés II sofreu uma inundação pouco depois do funeral e teve seu conteúdo principal removido ainda na Antiguidade. Mas é justamente essa destruição que criou um novo mistério.

Depois de encontrar a sepultura perdida a 2,4 quilômetros do Vale dos Reis, confirmar seu proprietário por meio de inscrições e reconstruir a inundação que obrigou antigos egípcios a esvaziá-la, os arqueólogos agora tentam descobrir onde foi parar aquilo que originalmente acompanhou Tutmés II na morte.

Mais de 3 mil anos depois do funeral e mais de um século depois da descoberta de Tutancâmon, o deserto de Luxor mostrou novamente que ainda guarda capítulos inteiros da história faraônica sob suas rochas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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