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Arqueólogos encontram vestígios inéditos de ocupação humana com cerca de 12 mil anos em caverna na Turquia

Arqueólogos encontram vestígios inéditos de ocupação humana com cerca de 12 mil anos em caverna na Turquia

4 min de leitura

Arqueólogos encontram vestígios inéditos de ocupação humana com cerca de 12 mil anos em caverna na Turquia

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 20/08/2026 às 08:57

Atualizado em 20/08/2026 às 08:58

Ciência e Tecnologia

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Caverna na Turquia revelou a primeira evidência de ocupação epipaleolítica no leste do Mar Negro, com ferramentas, lareira e adornos. Fonte: Divulgação/Çalışkan Akgül et al., Antiguidade (2026).

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Caverna na Turquia revelou a primeira evidência de ocupação epipaleolítica no leste do Mar Negro, com ferramentas, lareira e adornos.

Uma caverna localizada no norte da Turquia forneceu a primeira evidência conhecida de ocupação epipaleolítica na região oriental do Mar Negro. Os vestígios encontrados em Koskarlı indicam que grupos de caçadores-coletores utilizaram o local aproximadamente entre 12,9 mil e 12 mil anos atrás, acrescentando um novo ponto ao conhecimento sobre a presença humana no norte da Anatólia durante a passagem do Pleistoceno Superior para o Holoceno Inicial.

A descoberta ganhou peso não apenas pela antiguidade. Dentro da caverna, arqueólogos identificaram uma combinação de cinzas, materiais carbonizados, instrumentos de pedra e objetos de adorno que ajuda a reconstruir parte das atividades realizadas naquele espaço. As informações foram divulgadas pelo portal Archaeology News.

Camada preservada separou ocupação antiga de materiais misturados

Koskarlı fica no Vale de Söğütlü, aproximadamente 40 quilômetros ao sul de Trabzon. O local havia sido identificado em 2019, mas as escavações sistemáticas começaram somente em 2024, sob coordenação do Museu de Trabzon em parceria com a Universidade Técnica de Karadeniz.

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Os trabalhos avançaram por três áreas dentro e nas proximidades da formação. Na principal trincheira, com 16 metros quadrados, a camada superior apresentou uma mistura de materiais de períodos distintos, incluindo peças epipaleolíticas e artefatos associados ao Paleolítico Médio.

A evidência mais importante apareceu abaixo desse depósito perturbado. Os pesquisadores encontraram uma faixa preservada com espessura entre 20 e 40 centímetros, onde os vestígios epipaleolíticos permaneciam associados ao mesmo contexto arqueológico.

Lareira indica que caverna não serviu apenas como passagem

A composição dessa camada oferece pistas sobre o uso do espaço. Sedimentos finos estavam misturados a cinzas e materiais queimados, enquanto algumas peças de sílex apresentavam alterações produzidas pelo calor.

Esse conjunto levou os pesquisadores a identificar sinais de uma lareira utilizada pelos antigos ocupantes da caverna. O achado sugere permanência e realização de atividades no interior do local, em vez de uma presença resumida a passagens ocasionais.

As datações por radiocarbono situaram a ocupação no intervalo aproximado entre 12,9 mil e 12 mil anos atrás, período que também é compatível com as características das ferramentas recuperadas.

Ferramentas mostram diferentes tarefas realizadas no local

O material de pedra encontrado em Koskarlı não pertence a uma única função. Há objetos confeccionados principalmente em sílex e obsidiana, além de um número menor de lâminas feitas em rocha dacítica.

Caverna na Turquia revelou a primeira evidência de ocupação epipaleolítica no leste do Mar Negro, com ferramentas, lareira e adornos. Fonte: Divulgação/Çalışkan Akgül et al., Antiguidade (2026). Publicado pela Cambridge University Press em nome da Antiquity Publications Ltd.

Entre as peças identificadas estão:

A variedade é um dos elementos usados pelos pesquisadores para sustentar que diversas atividades eram desenvolvidas pelos grupos que ocuparam a caverna.

Quatro peças podem indicar contato com grupos de outras áreas

Alguns dos objetos chamaram atenção por uma característica técnica específica. Quatro lunatos apresentam o chamado retoque Helwan, realizado de maneira bifacial.

Artefatos com solução semelhante já haviam sido encontrados em sítios epipaleolíticos de outras áreas da Anatólia e também em partes do Mediterrâneo Oriental.

Por isso, a presença dessas peças em Koskarlı levanta a possibilidade de circulação de conhecimentos e contatos tecnológicos entre populações que viviam em regiões diferentes. As ferramentas também são vistas como indício de conexões do leste do Mar Negro com territórios situados mais ao sul e a leste.

Adornos acrescentam outra dimensão à ocupação da caverna

Nem todos os vestígios recuperados estavam ligados diretamente à produção ou obtenção de recursos. Os arqueólogos também encontraram objetos que podem estar associados à ornamentação pessoal.

Entre eles estão um dente de animal perfurado e um fragmento de galhada com sulcos, materiais que ampliam a interpretação sobre a vida dos grupos que passaram pelo local.

Restos de animais e conchas de caracóis terrestres também apareceram durante as escavações. Entretanto, análises adicionais ainda serão necessárias para determinar com maior precisão de onde vieram e qual papel desempenharam.

Caverna preenche lacuna sobre ocupação do Mar Negro oriental

O principal impacto de Koskarlı está na localização. Até essa descoberta, não havia evidência epipaleolítica conhecida para a porção oriental do Mar Negro na Turquia.

A caverna passa a demonstrar que grupos de caçadores-coletores estavam presentes nessa área durante um período de profundas transformações ambientais e humanas.

Ferramentas, uma possível lareira, adornos e técnicas compartilhadas com outros sítios colocam Koskarlı em uma rede mais ampla de ocupações antigas. Ao mesmo tempo, o achado abre novas perguntas sobre deslocamentos, contatos e estratégias utilizadas por essas populações.

As escavações iniciadas em 2024, portanto, fizeram da caverna um novo ponto de referência para compreender como grupos humanos ocuparam o norte da Anatólia há cerca de 12 mil anos e como essa região se relacionava com outros territórios do Mediterrâneo Oriental.

Fonte

Aventuras na História


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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