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Arquiteta deixou a profissão e passou a erguer retratos com objetos descartáveis: um Jackie Chan exigiu 64 mil hashis suspensos numa estrutura de aço

Arquiteta deixou a profissão e passou a erguer retratos com objetos descartáveis: um Jackie Chan exigiu 64 mil hashis suspensos numa estrutura de aço

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Arquiteta deixou a profissão e passou a erguer retratos com objetos descartáveis: um Jackie Chan exigiu 64 mil hashis suspensos numa estrutura de aço

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 18/08/2026 às 21:01

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A artista malaia Red Hong Yi levou desenho, escala e estabilidade da arquitetura para obras feitas com objetos comuns

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A artista malaia Red Hong Yi levou desenho, escala e estabilidade da arquitetura para obras feitas com objetos comuns, transformando milhares de hashis e saquinhos de chá em imagens que só revelam o rosto quando vistas de longe.

Para criar o retrato de Jackie Chan, Red Hong Yi reuniu 64 mil hashis descartáveis de bambu, separou as peças em feixes, amarrou cada módulo e suspendeu o conjunto numa estrutura de aço. De perto, o visitante enxergava varas, cordões e espaços vazios. A distância fazia o rosto aparecer.

A informação foi publicada pelo South China Morning Post, jornal de língua inglesa sediado em Hong Kong. A instalação foi criada em 2014, para marcar os 60 anos de Jackie Chan, e transformou um objeto comum das refeições asiáticas em matéria para um retrato monumental.

O resultado dependia tanto da imagem quanto da construção. Se os feixes ficassem fora de posição ou a sustentação não distribuísse bem o peso, o desenho perderia definição e a peça deixaria de ser segura. Foi nesse ponto que a experiência de Red como arquiteta em Xangai entrou diretamente no trabalho artístico.

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Os 64 mil hashis precisaram virar feixes antes de formar o rosto de Jackie Chan

Red passou cerca de um mês reunindo os hashis em Zhejiang e Pequim, na China. Em vez de organizar as 64 mil unidades sobre uma superfície plana, ela agrupou as peças em feixes de tamanhos diferentes e amarrou cada conjunto com cordões.

Esses feixes funcionavam como módulos, ou seja, pequenas partes repetidas que formavam uma estrutura maior. Depois da amarração, os módulos foram posicionados numa armação de aço e o trabalho inteiro ficou suspenso por cabos também feitos de aço.

Red passou cerca de um mês reunindo os hashis em Zhejiang e Pequim, na China.

A quantidade de material criava um desafio prático. Milhares de peças leves, reunidas num único conjunto, acumulavam peso e exigiam pontos de suspensão bem calculados. A imagem precisava permanecer alinhada sem comprometer a estabilidade da instalação.

O rosto não estava desenhado em cada hashi. Ele surgia da diferença entre feixes maiores, menores, mais densos ou mais espaçados. O olho do observador juntava essas variações quando havia distância suficiente para deixar de perceber cada objeto isoladamente.

Desenho, escala e estabilidade levaram a arquitetura para dentro da instalação

Antes de viver da arte, Red Hong Yi trabalhava num escritório de arquitetura em Xangai. A profissão exigia leitura de escala, planejamento de materiais, desenho e atenção ao modo como diferentes partes se apoiam, conhecimentos que continuaram presentes depois da mudança de carreira.

No retrato de Jackie Chan, a semelhança não dependia apenas de uma boa representação do rosto. Era necessário transformar uma imagem em volumes reais, calcular a posição dos módulos e prever como a obra seria montada e vista dentro do espaço.

A lógica lembra a montagem modular usada em fachadas e instalações temporárias. Muitas unidades semelhantes ganham funções diferentes pela posição, pela quantidade e pela maneira como se conectam. No trabalho de Red, os hashis deixaram de ser peças de uso individual e passaram a compor luz, sombra e contorno.

Essa mudança de escala explica o impacto visual. Perto da obra, predominam textura e repetição. Mais longe, os detalhes desaparecem e o espectador reconhece o rosto de Jackie Chan formado pela disposição do conjunto.

Um período sabático transformou experiências paralelas em uma nova profissão

Red começou a testar materiais comuns enquanto ainda trabalhava com arquitetura na China. Em vez de depender de tinta e pincel, ela experimentava objetos disponíveis em grande quantidade e observava como repetição, cor e posição podiam produzir retratos.

Red começou a testar materiais comuns enquanto ainda trabalhava com arquitetura na China.

O período sabático abriu espaço para desenvolver essa linguagem artística com mais dedicação. Depois da pausa, ela deixou a carreira convencional e passou a trabalhar integralmente como artista, levando para o ateliê conhecimentos que já usava nos projetos de arquitetura.

O South China Morning Post, jornal de língua inglesa sediado em Hong Kong, registrou essa passagem da arquitetura para as obras de grande escala. A mudança não apagou a formação anterior, pois desenho, estrutura e planejamento continuaram no centro do processo.

Ao abandonar o pincel, Red não abandonou o projeto. Cada instalação ainda precisava de uma ideia inicial, testes, divisão em partes, escolha de suporte e montagem. A diferença estava no material usado para dar forma à imagem.

Vinte mil saquinhos de chá criaram outra imagem visível apenas de longe

Em 2015, Red Hong Yi produziu outra obra de grande escala com 20 mil saquinhos de chá para um evento ligado ao Fórum Econômico Mundial. O trabalho retratava um vendedor preparando o teh tarik, bebida popular da Malásia cujo nome pode ser traduzido como chá puxado.

Os saquinhos receberam tons diferentes para criar áreas claras e escuras. Depois, foram reunidos e fixados numa estrutura que manteve cada unidade na posição prevista. Mais uma vez, a imagem dependia da repetição de milhares de objetos simples.

O princípio visual era parecido com o retrato feito de hashis. A curta distância, apareciam os saquinhos, as amarrações e a grade de montagem. Alguns passos para trás reduziam esses detalhes e revelavam a figura do vendedor de chá.

Vinte mil saquinhos de chá criaram outra imagem visível apenas de longe

A escolha do material também estava ligada ao tema representado. O chá não servia apenas como cor ou textura, pois ajudava a contar uma cena associada à cultura malaia. Objeto, técnica e personagem passavam a fazer parte da mesma narrativa visual.

Material descartável não significa automaticamente lixo recuperado

As obras de Red Hong Yi costumam ser descritas como arte feita com resíduos, mas essa definição exige cuidado. Um objeto descartável não é necessariamente lixo recuperado, pois pode ter sido coletado depois do uso ou adquirido especificamente para uma instalação.

No caso dos hashis, a artista reuniu uma quantidade muito grande de peças para construir um retrato suspenso. A intenção artística estava em retirar o objeto de sua função habitual e fazer o objeto participar de uma imagem, sem transformar automaticamente todo o material em exemplo de reciclagem.

O mesmo cuidado vale para os saquinhos de chá. A obra permite discutir consumo, repetição e reaproveitamento, mas qualquer afirmação ambiental mais ampla precisaria considerar a origem e o destino dos materiais. Esses detalhes não devem ser presumidos apenas pela aparência da instalação.

O ponto comprovado está no método: Red usou objetos comuns como unidades de construção e mostrou que quantidade, posição e distância podem mudar o que o público enxerga. A técnica aproxima arte e arquitetura sem depender de materiais tradicionais de pintura.

A trajetória de Red Hong Yi nasceu de uma mudança profissional, mas preservou a lógica de projetar. Os 64 mil hashis exigiram módulos, amarrações, aço e equilíbrio para que o retrato de Jackie Chan aparecesse sem perder estabilidade.

Já os 20 mil saquinhos de chá confirmaram que o mesmo princípio podia funcionar com outro material e outra história. De perto, cada elemento mantém sua identidade. De longe, milhares de partes se unem e formam uma imagem reconhecível.

Você considera esse tipo de instalação mais próximo da arte, da arquitetura ou das duas áreas ao mesmo tempo? Compartilhe a publicação e deixe sua opinião nos comentários.

Fonte

South China Morning Post


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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