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Arquitetos aposentaram o vidro pesado trocando-o por almofadas de ar que se inflam como travesseiros transparentes, deixam a luz passar e não amarelam com o tempo, e que na mesma cobertura pesam apenas cerca de 1% do que pesaria o vidro

Arquitetos aposentaram o vidro pesado trocando-o por almofadas de ar que se inflam como travesseiros transparentes, deixam a luz passar e não amarelam com o tempo, e que na mesma cobertura pesam apenas cerca de 1% do que pesaria o vidro

6 min de leitura

Arquitetos aposentaram o vidro pesado trocando-o por almofadas de ar que se inflam como travesseiros transparentes, deixam a luz passar e não amarelam com o tempo, e que na mesma cobertura pesam apenas cerca de 1% do que pesaria o vidro

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 06/08/2026 às 07:16

Construção

Almofadas de ar feitas de película ETFE pesam cerca de 1% do vidro, transmitem até 95% da luz natural e duram mais de 30 anos sem amarelar ou trincar.

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O material se chama ETFE e chega em forma de película, usada em camada única ou em bolsas infladas por compressores. A leveza reduz a estrutura de apoio necessária, e a transmissão de luz natural chega a 95%.

As almofadas de ar usadas em coberturas de grandes vãos são feitas com película de ETFE, sigla para etileno tetrafluoroetileno, material que pesa aproximadamente 1% do que pesaria o vidro na mesma aplicação, conforme material publicado pela Architen Landrell. A transmissão de luz natural chega a 95%.

A consequência mais relevante dessa diferença de peso não está na cobertura em si. Como a carga sobre a estrutura cai drasticamente, é preciso muito menos aço para sustentar o conjunto, e essa redução de estrutura de apoio é o que produz a economia mais expressiva do sistema.

De peça de avião a material de obra

Um dos materiais mais empolgantes na indústria do design , a folha de etileno tetrafluoroetileno (ETFE), revolucionou o mundo da construção civil com sua enorme gama de aplicações potenciais.

A película não nasceu para a construção civil. Ela foi desenvolvida originalmente para uso na indústria aeronáutica, e só depois migrou para a arquitetura.

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A transição foi ampla o bastante para colocar o material no rol das soluções convencionais de cobertura, com aplicações que vão de escolas a terminais de transporte, como o terminal rodoviário de um centro comercial em Londres.

O processo de fabricação parte da extrusão da película, o que resulta em um material com alta resistência à corrosão e resistência mecânica em uma faixa ampla de temperaturas. A partir daí ele pode ser usado de duas formas bem distintas, e a escolha entre elas define o desempenho da cobertura.

A versão de camada única

Almofadas de ar feitas de película ETFE pesam cerca de 1% do vidro, transmitem até 95% da luz natural e duram mais de 30 anos sem amarelar ou trincar.

Na forma mais simples, a película é aplicada em uma só camada. A leveza e a aparência semelhante à do vidro fazem com que ela seja escolhida tanto em construções novas quanto em intervenções sobre edifícios antigos.

Há duas maneiras de montar essa versão. A película pode ser esticada em painéis, como em uma casa de chá em Nottingham, ou sustentada por uma rede de cabos, método adotado em duas escolas britânicas para vencer grandes vãos sem estrutura metálica intermediária.

O desempenho dessa configuração tem um limite claro. A membrana de camada única oferece isolamento mínimo e luminosidade máxima, o que a torna adequada a espaços de transição entre interno e externo, como áreas de circulação cobertas e espaços de ensino ao ar livre.

As bolsas infladas por compressor

Almofadas de ar feitas de película ETFE pesam cerca de 1% do vidro, transmitem até 95% da luz natural e duram mais de 30 anos sem amarelar ou trincar.

A segunda configuração é a que dá nome ao sistema. Nela, a película forma almofadas mantidas cheias por unidades de inflação que operam continuamente.

Essa versão entrega cobertura leve e isolada ao mesmo tempo, e pode ser fabricada em praticamente qualquer formato ou tamanho. O limite não é o material, e sim as condições locais de vento e de neve, que definem o dimensionamento de cada peça.

O ar preso entre as camadas é o que faz a diferença térmica. Camada de ar parado é isolante, e é justamente isso que a versão de camada única não tem, razão pela qual a escolha entre os dois formatos depende do uso previsto para o espaço coberto.

Como controlar a luz que entra

Deixar passar 95% da luz natural resolve um problema e cria outro, porque em determinadas aplicações esse volume de claridade gera ofuscamento.

Há três caminhos para ajustar isso. O primeiro é imprimir a película com um padrão serigrafado, técnica usada em uma escola em Swindon para reduzir o brilho. O segundo é acrescentar camadas adicionais à almofada, o que permite regular tanto a transmissão de luz quanto o ganho solar.

O terceiro é o mais sofisticado. Almofadas multicamadas podem incorporar camadas móveis e impressão desalinhada entre elas, e ao pressurizar alternadamente as câmaras internas o sistema aumenta ou reduz o sombreamento, criando uma fachada que reage às condições do ambiente.

Comportamento diante do fogo

Em cobertura de grande área, o desempenho do material em caso de incêndio é item de projeto, não detalhe.

A película é de baixa inflamabilidade e autoextinguível, característica que a coloca entre as opções consideradas quando segurança contra incêndio é preocupação específica do empreendimento.

Existe ainda uma solução complementar usada em projetos onde o controle de fumaça é crítico. Um sistema de fio quente pode ser instalado para abrir a cobertura em caso de incêndio, permitindo que a fumaça escape em vez de se acumular sob o teto.

Trinta anos sem amarelar

A durabilidade é o argumento que sustenta a escolha em obras de longo prazo. O material tem vida útil superior a 30 anos.

Ao longo desse período, ele não é afetado por radiação ultravioleta, por intempéries nem por poluição, e não se torna quebradiço nem descolorido com o tempo.

Essa estabilidade é o que diferencia a película de outros plásticos aplicados em cobertura. Material que amarela ou resseca sob sol direto vira problema de manutenção em poucos anos, e é justamente esse comportamento que o ETFE não apresenta.

Onde o sistema já foi usado

Alguns projetos ajudam a dimensionar o alcance da solução em escala. Um estádio de futebol em Munique usa almofadas infladas iluminadas internamente por luzes de led, o que faz a fachada inteira mudar de cor.

Em Pequim, uma arena olímpica construída para os Jogos de 2008 adotou o mesmo princípio, com a estrutura inteira revestida pelo material.

No Reino Unido, um complexo de estufas na Cornualha foi a primeira construção do país a usar almofadas do material. São três projetos com finalidades completamente diferentes, o que indica que a aplicação não está restrita a um tipo específico de edificação.

Um plástico que ocupou o lugar do vidro

O que explica a adoção crescente desse material não é uma única vantagem, e sim a combinação entre elas. Ele transmite quase toda a luz natural, pesa uma fração do vidro, permite formatos livres e resiste décadas sem degradação aparente.

O efeito em cadeia é o que decide o projeto. Cobertura mais leve significa estrutura menor, estrutura menor significa fundação menor, e cada uma dessas reduções aparece no orçamento antes mesmo de o material ser instalado.

E você, já entrou em algum lugar coberto por esse tipo de almofada transparente sem saber o que era? Acha que substituir vidro por plástico em cobertura de grande porte inspira confiança ou levanta dúvida? Conta nos comentários que solução de cobertura você acha mais eficiente para o calor brasileiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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