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Artista brasileiro começou uma favela em miniatura de 24 m², usou caixas de leite, papelão e virou recorde nacional, atração cultural e exposição em museu

Artista brasileiro começou uma favela em miniatura de 24 m², usou caixas de leite, papelão e virou recorde nacional, atração cultural e exposição em museu

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Artista brasileiro começou uma favela em miniatura de 24 m², usou caixas de leite, papelão e virou recorde nacional, atração cultural e exposição em museu

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 19/08/2026 às 11:31

Atualizado em 19/08/2026 às 11:32

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Projeto Favelar reúne arte urbana, sustentabilidade e participação comunitária em uma maquete de 24 metros quadrados construída em Caxias do Sul, onde 1,5 mil casinhas produzidas por crianças e adolescentes conquistaram recorde nacional e passaram a ocupar eventos culturais e espaços de exposição.

Construída com caixas de leite, papelão e participação comunitária, uma maquete transformou bairros da zona norte de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, em uma paisagem urbana reduzida que reproduz moradias, espaços coletivos e referências presentes no cotidiano das comunidades locais.

À frente da iniciativa está o artista visual e educador social Andrigo Martins, idealizador do Projeto Favelar, que reuniu crianças, adolescentes, escolas e coletivos culturais até alcançar 24 metros quadrados, conquistar um recorde nacional e chegar a espaços de exposição fora da comunidade onde nasceu.

Em suas pequenas construções feitas à mão, o projeto representa ruas, casas e referências dos bairros periféricos, enquanto trabalha memória, pertencimento e identidade para transformar experiências dos próprios participantes em uma criação artística ligada diretamente ao território onde vivem.

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Projeto Favelar nasceu da representação da comunidade

Quando começou a desenvolver uma maquete para representar a comunidade, em 2013, Andrigo Martins levou o trabalho inicialmente a instituições que atendiam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, abrindo caminho para novas etapas e parceiros ao longo dos anos.

Mais tarde, a proposta ganhou escala com oficinas realizadas em escolas municipais e serviços socioassistenciais, onde crianças e adolescentes passaram a produzir pequenas casas que, reunidas, formariam uma instalação inspirada nos bairros e nas referências urbanas presentes em suas próprias rotinas.

De acordo com o RankBrasil, a versão reconhecida oficialmente reúne 1,5 mil casinhas distribuídas em 24 metros quadrados, resultado de uma construção coletiva que envolveu diferentes grupos e transformou peças produzidas separadamente em uma única representação urbana de grandes dimensões.

Ainda segundo a entidade, aproximadamente 1.500 crianças e adolescentes participaram da construção e que as peças foram produzidas durante oficinas realizadas em escolas municipais e serviços de assistência social da zona norte de Caxias do Sul antes da montagem definitiva da maquete coletiva.

Caixas de leite e papelão viraram 1,5 mil casinhas

Projeto Favelar transforma 1,5 mil casinhas recicladas em maquete recordista e leva arte periférica de Caxias do Sul a museus do RS.

Entre os elementos que definem o Favelar está o uso de materiais reaproveitados, já que as casinhas foram feitas principalmente com caixas de leite e papelão, recursos simples que passaram por um processo de transformação durante as atividades desenvolvidas com os participantes.

No registro concedido ao projeto, o RankBrasil informa que 90% do material empregado na construção foi classificado como sustentável, enquanto as estruturas produzidas individualmente foram posteriormente reunidas para compor ruas, conjuntos de moradias e diferentes setores da instalação.

Além das residências em escala reduzida, a composição apresenta construções que representam escolas, instituições parceiras e outros elementos existentes no território, criando uma leitura mais ampla da região e das relações estabelecidas entre comunidade, serviços públicos e espaços de convivência.

Ao reunir essas referências em uma mesma instalação, a maquete deixa de funcionar apenas como reprodução visual de casas e passa a mostrar como diferentes estruturas do bairro se distribuem e se relacionam dentro do espaço urbano representado pelos participantes.

Maquete conquistou recorde nacional sustentável

O reconhecimento nacional chegou quando a obra foi homologada como a maior favela em miniatura construída de forma coletiva e sustentável do Brasil, título que colocou o trabalho desenvolvido em Caxias do Sul entre os projetos registrados oficialmente pelo RankBrasil.

A certificação foi atribuída à Fluência Casa Hip Hop e ao Studio Santa Lata, organizações relacionadas à execução da iniciativa e à atuação cultural de Andrigo Martins, que também desenvolve trabalhos ligados às artes urbanas e à formação socioeducativa.

Parte essencial desse reconhecimento está justamente no caráter coletivo da construção, realizada não por uma única pessoa dentro de um ateliê, mas a partir da participação de centenas de jovens envolvidos em atividades conduzidas em diferentes pontos da cidade.

Cada grupo produziu uma parcela das estruturas que posteriormente seriam integradas ao conjunto de 1,5 mil casinhas, permitindo que a instalação reunisse contribuições de participantes distintos sem perder a unidade visual necessária para representar os bairros escolhidos.

Para além das dimensões alcançadas, o Favelar ganhou visibilidade por aproximar arte urbana, educação e reaproveitamento de materiais, elementos presentes tanto no processo de criação das peças quanto nas atividades desenvolvidas com crianças e adolescentes durante as oficinas.

Ligado à cultura Hip Hop, Andrigo Martins atua como artista visual, educador social e ativista, enquanto o Studio Santa Lata desenvolve ações relacionadas às artes de rua e a projetos socioeducativos que dialogam com comunidades e territórios periféricos.

Também integrada a essa trajetória, a Fluência Casa Hip Hop funciona no bairro Santa Fé e atua na produção e difusão de diferentes elementos da cultura Hip Hop, incluindo graffiti, dança, música e atividades comunitárias realizadas junto ao público local.

Em uma das etapas de circulação do projeto, o espaço recebeu a maquete e ajudou a aproximar a obra das ações culturais desenvolvidas na região, reforçando a ligação entre a instalação, os moradores e as experiências representadas em suas pequenas construções.

Projeto Favelar chegou à Festa da Uva e a museu

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Depois do reconhecimento nacional, a circulação do Favelar avançou para outros espaços, entre eles a Festa Nacional da Uva, em Caxias do Sul, onde visitantes puderam acompanhar uma edição colaborativa da instalação e participar da produção de novas peças.

Ao entrar na programação de um dos eventos mais conhecidos da Serra Gaúcha, a obra passou a alcançar visitantes de fora dos bairros que inspiraram sua criação, ampliando a exposição pública de um projeto desenvolvido a partir das experiências das comunidades locais.

Em outra etapa dessa trajetória, a maquete deixou Caxias do Sul e chegou a Porto Alegre, onde o Museu da Cultura Hip Hop RS recebeu a exposição Favelar em 2026, organizada a partir do projeto desenvolvido por Andrigo Martins.

Reunindo instalações e maquetes relacionadas às vivências das periferias, a mostra colocou a obra dentro de um espaço dedicado à preservação, à memória e à difusão da cultura Hip Hop, aproximando o projeto de um público ainda mais amplo.

Esse percurso começou em oficinas locais e ganhou novos ambientes à medida que a instalação passou por eventos públicos e espaços culturais, levando uma estrutura feita com materiais simples para contextos distintos daqueles onde as primeiras peças haviam sido produzidas.

Produzidas por crianças e adolescentes e reunidas em uma composição de grandes dimensões, as pequenas casas passaram a integrar uma exposição dedicada às experiências, memórias e identidades das periferias, mantendo visível a origem comunitária que orientou o desenvolvimento do projeto.

Materiais reaproveitados ajudam a retratar a periferia

Na própria aparência das peças, o caráter sustentável permanece evidente, pois caixas de leite e papelão, materiais normalmente associados ao descarte doméstico, foram transformados em fachadas, volumes e estruturas que formam bairros inteiros em escala reduzida.

Além de reaproveitar materiais simples, a técnica mantém relação direta com o processo educativo das oficinas, nas quais os participantes transformaram objetos cotidianos em elementos arquitetônicos capazes de representar casas, instituições e outros espaços presentes nos bairros onde vivem.

É justamente nessa produção compartilhada que o Favelar se distancia de uma maquete convencional, já que o trabalho reúne referências criadas por moradores e participantes ligados aos territórios representados, em vez de apresentar as periferias somente pela perspectiva de observadores externos.

Ao carregar elementos construídos por quem conhece os bairros retratados, a miniatura combina representação urbana, memória e participação coletiva em uma obra que circulou de atividades comunitárias para eventos culturais e espaços dedicados à preservação da cultura Hip Hop.

Até que ponto uma maquete construída com caixas de leite e papelão pode mudar a maneira como uma cidade enxerga as próprias periferias?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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